segunda-feira, 9 de março de 2015

Bagatelas ou talvez não!


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Bagatelas ou talvez não!

Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo.


Durante toda a minha vida, nunca tive tempo a perder, dadas as imensas solicitações a que estava vinculada.
Ela decorreu sempre num ritmo acelerado. Deus deu me capacidade para coordenar várias coisas simultaneamente.

Devo dizer que o meu corpo se ressentiu um pouco com esta minha falta de cerimónia para com ele.
Tento agora recuperar o que ainda posso.

Levantei me sempre tão cedo que um dos meus luxos actuais é poder fazer uma pausa nesse campo.
É certo que quando tenho um compromisso, isso é sagrado e fico alerta, sem conseguir descansar lá muito bem!

Tinha que me levantar hoje às 6h e 30.Contudo, lá pelas 5h e 30, acordei.

Um certo Senhor vestido de negro, de voz maviosa, veio acordar-me com suavidade, é certo…
Levantei-me.Fui á janela e perguntei-lhe:
-Como é que o Senhor nunca se engana nas horas e mal rompe a madrugada, ainda lusco-fusco, já entra ao serviçol?
- Sabe, a minha função é anunciar um novo dia.
 Trazer a alegria à Terra. Fazê-la despertar todos os dias com esperança e confiança, fazendo de cada momento, um tempo novo.Especial e único.
Tenho um relógio dentro do meu pequeno-grande coração que me acorda sempre à mesma hora.
O meu primeiro trabalho é caprichar para oferecer à vida e a todos vós, a mais bela melodia que sou capaz.
- De facto, escutá-lo é um verdadeiro prazer.
O Senhor dá umas voltinhas à sua voz que se torna encantatório. Vem saudar-nos com uma delicadeza comovente, sabe?
-Foi por isso que escolhi hoje esta nova versão para saudar a madrugada. Ando a rondar o seu jardim já há uns tempos…
Visto-me de negro como os jovens da sua cidade se vestem de capa e batina. Não podia destoar.
Vá, estou a brincar consigo.
Saiba que canto para toda a gente indiscriminadamente.
Quem tem ouvidos, que ouça.
Agora vou ter que cuidar e arrumar a voz. Outros valores se levantam. Tenho outras tarefas.
- Também não sei para onde é que se retira…Nunca ninguém o avista durante o dia.
- Fico a espreitar a vida da janela da minha alma.
Agradeço pela liberdade de ser quem sou. Somos todos únicos.Diferentes. Com funções determinadas.Quando descobrimos a nossa missão específica, até dizem que somos alguém com carisma.
Nessas situações somos alegres. Felizes.Criativos.Somos uma companhia que todos buscam e admiram.
Não sou ambicioso.Nem ganancioso, Conquisto o sustento em cada dia sem preocupação e nada me falta nunca.Tudo vem ao meu encontro sem qualquer preocupação.
Suporto o frio. O calor. A geada. A chuva.O relento. A tempestade e o vento, mas não sou queixinhas. Por tudo agradeço.
Nunca penso na morte nem em coisas negativas. Tudo usufruo com satisfação.Cuido dos meus filhos com desvelo.Responsabilidade e respeito pela sua fragilidade.
Gasto o meu tempo no essencial apenas.
Corto o espaço facilmente e de repente descubro uns frutinhos doces.Lindos!
Olhe, tenho que ir embora. A “minha” aurora está a chegar…
- De repente, reparei que a manhã apenas pintava, mas o meu querido já se escondera.
Já não era a primeira vez que o espreitava. Ele com pezinhos de lã, já me conquistara.
Fico triste quando ele não vem…Nem lhe digo para que não se desgoste.
Parece-me que anda a namorar uma pereira abacate do jardim, o que bastante me agrada.
Isto, porque o Didinho, o meu Cão já deu por ela. À noite estica-se todo, parece que está no circo. Põe-se de pé e denuncia a presença de estranhos na verde e ramuda árvore.
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Enquanto pensava estas coisas, o Senhor de Negro segredou-me:
- Sou um Melro muito feliz!
- Ah! Sim – respondi.
- Não há dúvida. O Senhor saiu-me um grande Melro!
Muito obrigada por existir na minha vida. A sua presença é a saudação
 mais bela que podia esperar.
Muito obrigada à vida!
Ao Criador ,  que sabe quanto amo a Sua Música…

Nota: Quem constantemente celebra as coisas simples da vida, vive simplesmente uma vida fantástica




 Lucinda Ferreira

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