quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma linguagem universal - a música


Anda Música no ar

Fracas são as palavras quando queremos falar do que mais amamos.
Não consigo imaginar, como seria viver sem música na minha vida , no mais íntimo do meu ser.
Sinto que a minha mãe me deve ter cantado para me embalar quando era bebé ou mesmo quando vivia junto do seu coração. Ela gostava muito de cantar e cantava bem. A voz humana é o instrumento mais belo que transportamos sempre connosco.
Mas o que é a Música?
Surgiu este termo MUSIKÉ, a partir da homenagem às nove Musas gregas.
É ciência e arte de combinar os sons dum modo agradável. O nosso ouvido capta. A inteligência é posta em acção. A nossa alma vibra e os sentimentos são fortemente influenciados.
É uma arte subjectiva e espiritual. É um dos meios por excelência para desenvolver a inteligência e promover a integração do ser.
Harmonia, melodia e ritmo são as suas componentes. A elas se prendem aspectos específicos do ser humano.
A harmonia, ordem ou estrutura musical, contribui activamente para a afirmação, reestruturação da ordem mental do homem.
A melodia estimula a afectividade.
O ritmo induz ao movimento corporal.
E é Platão que assim remata neste capítulo:
«A música é um meio mais poderoso do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm a sua sede na alma. Ela enriquece esta última, confere-lhe a graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação.» ………………………………………………………………………………É a Música uma linguagem universal e um factor de entendimento entre os humanos das mais diversas culturas. Conforme dados antropológicos, desde as primeiras civilizações que há notícias da Música, usada em rituais como o nascimento, casamento, morte, recuperação de doença, fertilidade. Mais tarde, serve de louvor a lideres e há notícia de ser utilizada nas procissões reais do antigo Egipto e Suméria. Interessante que no Egipto, a música era executada, na maioria por mulheres que eram depois sepultadas junto dos túmulos reais. Também na Assiria, os músicos gozavam de grande prestígio. Vinham na hierarquia social, logo a seguir aos reis e aos sacerdotes.
Em Roma, o teatro, a luta de gladiadores, os malabaristas e acrobatas de rua, tinham sempre música como acompanhamento. O próprio Nero, no ano 65, deu um concerto em Pompeia . No ano seguinte fez uma tournée pela Grécia como cantor e tocando cítara.
Mais perto de nós, o escritor Sándor Márai, nascido em 1900, na sua obra As velas ardem até ao fim, uma das suas personagens revolta-se contar a música, justamente pela sua magia e poder!
‘…odeio a música. Odeio essa linguagem melodiosa e incompreensível que certas pessoas utilizam para comunicar, para dizer algo informal e irregular, sim, ás vezes penso que através da música, exprimem algo de indecente e imoral. Olha para os seus rostos que se transformam tão estranhamente quando ouvem música.’
Já o iluminado Platão dissera que a música era uma lei moral.
Ela dá uma alma aos nossos corações. Asa ao nosso pensamento e energia à nossa imaginação. É encanto na tristeza, na alegria, na vida , em todas as ocasiões. Ela é a essência do tempo. Eleva-se acima de tudo o que existe de forma invisível, mas entretanto ela é deslumbrante e apaixonadamente eterna.
Por ela existir em cada fibra do meu ser, também não me quero separar dela nunca!
Gostaria de ter música na despedida da minha passagem por este planeta Terra.
Ter muita música no meu funeral. Música instrumental e música coral. Certamente o meu espírito em alegria, se transformará em raio de sol colorido, perdido no espaço imenso! Além disso Santo Agostinho dizia que ‘cantar é rezar duas vezes’.
‘Quando a minha voz se calar com a morte, o meu coração continuará falando’.
Quem sabe até, confundida no pó das estrelas, aí escute também, a sua música especial…
… terminamos com as palavras de Sergei Rachmaninov:
«A música é suficiente para uma vida; mas uma vida nunca é suficiente para a música»