sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Poema da SAUDADE - O Galito da minha rua


O GALO DA MINHA RUA

Cantava
Alegre
O galito
Na minha rua
E eu
Tremia
Temia
Ao ouvi-lo cantar…
Um dia
Ele ia calar-se…
O galito
Da minha rua
Respirar
Cantar
Viver sem pensar
No que lhe ia acontecer…
Mas eu sabia.
O destino cruel
Não queria
Saber.
Ele já não pode
Cantar…
Só na minh’ alma
Ficou
Aquele som
Alegre
Sem porquê
Porque sim
O galito
Da minha rua
Só sabia cantar
Nasceu para morrer
E quanto mais cantava
Mais seu fim
Se aproximava
E eu tremia
Por ele
Até que um dia
Não cantou
A minha canção
Meu coração chorou.
O galo da minha rua
Já não estava cá…
Partiu.
Calou-se
Aquele som amigo
Ficou comigo
A pena
A saudade
O vazio
Já sem penas …
Agora
Ladra o cão
Barriga vazia
Agonia
O som do carro
Ronca
Na manhã fria
E se um passarito
Me vier visitar
Cantar
Vou agradecer
Este amanhecer
Mas a alma a chorar
Por já não escutar
O galito da minha rua
…a cantar…