terça-feira, 28 de julho de 2009

O computador é um treino permanente da paciência e da imposição da máquina



Infelizmente hoje, foi desde as 8h da manhã até as 13h e 30 e ainda não consegui resolver o problema do computador.

Ainda bem que ele me deixa trabalhar no word.

Escrevi este texto que vos ofereço sempre com o mesmo carinho.


A SEDUÇÃO DO PAPALAGUI ....(3.ºartigo)

As coisas em quantidade empobrecem o Papalagui. Mostra que é muito pobre aquele que precisa de coisas em quantidade, porque assim prova que lhe faltam as coisas do Grande Espírito. O Papalagui é pobre porque é obsecado pelas coisas , sem as quais já não consegue viver.” Tuiavii

Damos continuação aos dois artigos já apresentados, conforme o prometido, que referem as palavras de Tuiávii, um nativo do arquipélago da Samoa.
Este ao ter contacto estreito com a vida que leva o branco europeu, a quem ele chama de Papalagui, avisa os seus irmãos para se acautelarem contra os perigos e malefícios da civilização vivida na Europa, no que ela tem de falso, maléfico e sedutor.
Um pintor alemão, Erich Scheurmann que vive um ano naquela comunidade, acha interessante divulgar as opiniões de alguém que com uma grande pureza, analisa sem criticar, gestos e atitudes, que talvez nós , europeus, deveríamos rever e até corrigir.
Li este livro que aconselho vivamente.
Tento partilhar e trazer à luz, alguns destes conceitos que nos ajudarão a equilibrar algumas atitudes , corrigindo práticas , o que talvez seja mesmo melhor para todos nós.
Aqui ficam então algumas considerações de Tuiavii, o chefe da tribo de Tiavéa, a aldeia dos confins da Samoa, nos mares do sul, onde alguém pensa no Branco Europeu e no modo de se proteger e defender dele…
Num dos seus discursos , Tuiávii refere que o Papalagui deseja convencer este seu povo, dito pobre , miserável, necessitando por isso de muita ajuda e compaixão, porque este não possui ‘coisas’.
Tuiávii passa a a explicar aos seus irmãos, o que é uma ‘coisa’.
“Há duas espécies de coisas . Há as coisas que o Grande Espírito faz , sem ninguém, que não custam esforço nem trabalho algum, como o coco, a concha, a banana.
Há coisas que são os homens que fazem, que custam muito trabalho e esforço: o anel, o prato , o apanha-moscas.
Ora o Papalagui acha que nos faltam as coisas que ele faz com as mãos, as coisas dos homens, porque nas coisas do Grande Espírito ele não pensa .”
Em seguida, Tuávii enumera com uma beleza incrível, todas as maravilhas que o Grande Espírito lhes oferece, todos os dias. E remata sabiamente assim:
“Jamais poderemos criar como Ele cria, por que o nosso espírito é por demais pequeno e fraco em comparação com o poder do Grande Espírito.
(…) Pode o Papalagui fazer uma palmeira? (...) o Papalagui(…) com as mãos febris, o rosto cor de cinza, as costas curvas (…) acredita e julga-se tão forte como o Grande Espírito.(...) Destrói onde quer que vá , as coisa do Grande Espírito e com a sua própria força pretende dar vida, novamente, aquilo que matou, convencendo-se assim que é o Grande Espírito porque faz muitas COISAS.”
E sobre as cidades, não resisto a mais uma transcrição por ser tão explícita e incisiva.
..”Nas cidades, a terra está deserta tal qual uma mão vazia, e por isto o Papalagui fica louco, imagina ser o Grande Espírito, a fim de esquecer o que não tem.
Porque está muito pobre, porque a sua terra está muito triste, o Papalagui pega nas coisas, ajunta-as feito doido que ajunta folhas murchas e com ela enfeita a sua cabana.
É por isso que nos inveja e deseja que fiquemos tão pobres quanto ele.”
E continua:
“Na Europa, há homens que levam à própria fronte, o cano de fogo para se matarem, porque acham melhor morrer do que viverem sem as coisas. (…) embriaga de todas a formas o seu espírito e convence-se que não pode viver sem as coisas. (...) Quanto mais se é europeu de verdade, de mais coisas se precisa. (...) É por isso que o rosto de muitos Brancos se mostra cansado e triste. É por isto que pouquíssimos dentre eles têm tempo para ver as coisas do Grande Espírito, para brincar na praça da aldeia, inventar e cantar canções alegres, dançar à claridade do sol e dar aos corpos a alegria para a qual todos fomos feitos.”
E Tuiávii insiste ainda:
”Os Papalaguis cometem crimes a sangue-frio para se apossarem das coisas. Guerreiam entre si, mas não é pela honra, nem para medir a sua força verdadeira, mas apenas para ter mais coisas.(…)”
E previne mais uma vez:
“Os homens Brancos gostariam de trazer para nós os seus tesouros, as suas coisas, para que nós também fôssemos ricos. Estas coisas não são mais do que flechas envenenadas.
(…) querem pôr nossas mãos a trabalhar (…) em primeiro lugar coisas, para o Papalagui (…) e nós também curvados , cinzentos e cansados(…)Irmãos precisamos velar e ter juízo, pois as palavras do Papalagui são doces como a banana, mas cheias de dardos escondidos, capazes de nos privar de toda a luz e toda a alegria…
Portanto a grande inverdade que o Branco diz: As coisas do Grande Espírito não valem (...) mas as suas coisas são tantas e nunca puseram brilho no olhar nem lhe fortaleceram o juízo. (...) Espírito mau e carregado de veneno anima o Papalagui.”
Depois de tudo o que foi dito, que mais se pode acrescentar?
Talvez se possa concluir que a ganância, o mundo da aparências, a competição excessiva em vez da solidariedade no grupo, a vaidade e a sede de poder, serão alguns dos motivos das grandes guerras…
Há que moderar no silêncio de cada um de nós, estas fraquezas?
Cada um tirará as suas conclusões.
Quem semeia colhe. A lei do retorno é implacável.