sábado, 4 de dezembro de 2010

POVO QUE JA NAO LAVAS NO RIO 2.ªparte


POVO QUE JÁ NÃO LAVAS NO RIO…
(2/3)artigo


Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.”
Mahatma Gandhi


Onde quer que esteja, faça o que fizer, vivo intensamente. Tudo registado no fundo de uma gavetinha qualquer. Depois é só aceder…
Habituei-me a observar, sem julgar.
É, porque é. E tudo é interessante.
Alguns gestos, acções, alegram-me mais do que outros.
A sintonia, afinidades, preferências semelhantes dão um colorido diferente à vida, mas tudo é muito importante.
Estamos todos irremediavelmente ligados, daí o eco em nós.
O Universo é um todo e somos responsáveis sempre pelo todo, até nos nossos pensamentos mais secretos.
Os pensamentos são algo muito importante. São uma energia muito forte!
Influenciam em primeiro lugar o ser pensante. Depois o resto do mundo.
………………………………………………………………………………………………………
Conselhos só se dão quando no-los pedem. De resto só em caso de vida ou morte, se arriscam…mas ainda assim, quando é em matéria da minha área, às vezes descuido-me...
E cá vai a continuação do meu registo aquando da minha estadia nas Termas.
………………………………………………………………………………………………………….
Sempre que podia, aproveitava para ajudar quem estivesse mais atrapalhado.
Penso e tento viver, como Ruben Alves quando diz:
A vida, para ser bela, deve estar cercada de verdade, de bondade, de liberdade. Esses são as coisas pelas quais vale a pena morrer “… e viver…
Eu era das mais novas do grupo.
Reparei que as criaturas estão tão mal habituadas, que até têm medo de quem as ajuda.
Como eu as entendo…
Outra senhora, sensibilizou me quando me disse:
‘Nunca mais vou esquece la ‘ (…) só porque todos os dias a ajudava com um gesto muito simples, numa sua dificuldade. (…)
Pergunto me se o desconcerto e agressividade que observei na maioria dos mais velhos, não estarão ligados ao abandono e falta de amor da família e da sociedade em geral, para com os mais idosos.
Somos feitos de barro e sopro. Um feixe de surpreendentes emoções. Interrogo me se o tempo anunciado do espírito, ainda demorará muito…
E logo percebo que é preciso acreditar num mundo melhor.Tentarmos, cada um de nós, mudar. O somatório dessas mudanças há-de certamente trazer a aurora de um Tempo Novo de amor e solidariedade!
Se é verdade que há muita treva e densidade à nossa volta, também há muita gente fazendo um sério e dedicado treino para uma mudança profunda nos padrões de pensamento e atitudes no seu dia a dia.
Jean- Yves Leloup dizia:
Tudo o que fazemos sem AMOR é tempo perdido. Tudo o que fazemos com AMOR é a eternidade reencontrada.
Afinal uma vela só tem valor quando acesa.
Às vezes, até penso como Jean Paul Sartre que não é o que fizeram de mim o que mais importa, mas importa o que eu faço com o que fizeram de mim’…
E lá vamos na caminhada, aprendendo as lições de vida.
E “não vale a pena fazer planos para a vida , para não estragar os planos que a vida tem para cada um de nós”.
O homem põe e Deus dispõe.
……………………………………………………………………………………………………………
Naquela zona, todos vivem da riqueza das ÁGUAS TERMAIS.
Quem trabalha directamente nas Termas, os comerciantes, os que vão melhorando as suas casas, graças aos arrendamentos aos aquistas, os que vendem os seus produtos…
Há figuras típicas que passamos a visitar periodicamente.
Uma senhora já de alguma idade, guarda severa, que ainda não aprendeu a ser amável, que está sempre na Igreja ‘e que se julga dona de Nosso Senhor’, invejosita para toda a gente por sinal e estranhamente antipática… Até assusta.
Felizmente o assistente religioso é bem diferente e Nosso Senhor no seu silêncio acolhe a todos.
Até ‘à dona de Nosso Senhor’, coitada que ainda não sabe, nem consegue acolher com amor e simpatia, quem visita a Casa de Deus por Amor.
Outra ‘rezadeira’ , com uma personalidade muito interessante, achava que devia receber dinheiro por orar pelos outros…
Comia e bebia muito bem (...) dançava e pulava ainda melhor .
Embora velhota, sabia de experiencia própria, que ‘cordeirinho manso mama na mãe, nas tias e amigas, em todas’… e assim era com esta senhora.
Enquanto rezava, intervalava falando do padre que andava de namoro com …
De facto o discurso focava sempre a terceira pessoa…ausente…
Quando se encontravam duas pessoas, era certo que falavam de alguém…embora estivessem sempre a rezar.
Não sei que modelos espirituais formam e informam estas ‘pobres’ gentes.(…)
Havia também o tipo de “chica esperta”, emigrante, arrogante e desagradável, sabendo sempre tudo, possuindo tudo e que se metia com todas as pessoas magoando-as, sendo inconveniente. Atrevida a opinar. Criticar. Humilhar. Ser dura com os menos espertos, na sua opinião.
A sua energia era tão desagradável que todos fugiam dela. Quando foi embora, sentira-se um grande alívio, no geral.
È que mesmo em silêncio, todos nós emanamos uma energia que plasma o ambientem em que nos movemos. Os mais atentos apercebem-se e sentem isso facilmente…
Aquela criatura seria assim, pelas circunstâncias da sua vida e o pelos círculos atrasados em que habitualmente se movia (…).
Na terra de cegos quem tem um olho é rei, mas depois ela extrapolava em excesso para quem nem sequer conhecia…
Tive pena de ela não deixar descobrir o seu lado solar.
Cada um de nós tem um lado lunar e outro solar.
Ela também devia ter um lado lindo, só que não deixou que a identificássemos pelo seu melhor.
E lá se foi a emigrante rabugenta...
Nós ficámos na caminhada, prosseguindo nos tratamentos até novo encontro.
...Se pudesse ser um encontro imediato mais simpático, não seria pior…
… Aquele abraço de sempre aos meus fiéis leitores !