sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Povo Portugues ja nao lava no rio , como dizia o poeta Homem de Mello e cantava Amalia Rodrigues


Povo que já não lavas no rio…

Durante 15 dias, mergulhei sem preconceitos, no mais profundo do Povo Português.
Ora no convívio dos tratamentos termais, ora no local de alojamento, ora numa festa popular organizada pela Câmara da localidade.
Queria sentir ali mesmo do meu lado, as reacções mais espontâneas e genuínas dos homens, mulheres, jovens ou mais idosos e ainda das crianças.
Gostava de só ter coisas interessantes e lindas para contar, mas…nem sempre assim era.
Sente-se que a falta de educação cívica é por demais evidente.
A Escola e a Educação em Portugal têm que ser prioritárias! È urgente.
A televisão depravada e sem vergonha é a única Escola de costumes?
Vai mal a nossa Nação, amigos!

Tristemente se constata, que ninguém respeita nada , nem ninguém , muito menos os avisos, nem os parceiros do lado.
Respeito, amor, gentileza, boas maneiras é coisa desconhecida da maioria.
Por exemplo, havia um aviso afixado que pedia silêncio num local de repouso.
Pois…parecia uma feira e quem queria descansar um pouco, tinha que se vir embora para não se enervar mais.
Pedia-se para beberem a água gentilmente oferecida pelas Termas … Pois enchiam garrafas e os outros já não tinham mais água…
Cuidados básicos a ter ao entrar, permanecer, numa piscina onde muitas pessoas mergulham, não impediam de cuspir na água, os mais ‘asseados e cuidadosos(…).
Desaparecerem moedas do cacifo, era todos os dias. E não desapareciam só as moedas…
De resto, talvez se pudesses esperar que os idosos normalmente mais apaziguados com a vida, serena e suavemente comunicassem com todos.
Pelo contrário, eram competitivos, invejosos e até agressivos.
Até fazia medo.

Quando se tenta ser mais próxima, logo chovem perguntas:
- Quanto é que recebe da sua reforma?
- Quantos anos tem?
Etc…e as perguntas indiscretas vão subindo o tom...
A resposta, embrulhada num sorriso evasivo, muda de assunto e mostra que a ponte se quebra ali…

Também entre o pessoal das Termas, havia profissionais delicadas, disponíveis, meigas. Outras, era de fugir, discutindo com os utentes.
Sentia-se tristeza neste ambiente.
Descobrir alguém especial, era o oásis.
Nesta enchente de entradas e saídas, durante 15 dias, descobri algumas profissionais que fiz questão de assinalar no livro das sugestões.
Espero que isso posa ajudar na selecção de pessoal, quando muitos são dispensados
Uma delas, tocou- me especialmente: uma senhora que fazia limpeza… Contou me que teve 3 filhos. Uma era médica, outra professora numa universidade e seu filho era dono de uma empresa!
Não vou esquecer mais as suas maneiras meigas e atentas para todos os utentes em dificuldade que a cruzavam.
Também eu, sempre que podia, aproveitava para ajudar quem estivesse mais atrapalhado. Eu era das mais novas do grupo
Reparei que as criaturas estão tão mal habituadas que até têm medo de quem as ajuda.
Outra, sensibilizou me bastante, quando me disse: ‘nunca mais vou esquece la ‘ (…) só porque todos os dias a ajudava numa sua dificuldade simples.
Pergunto –me se este desconcerto e agressividade dos mais velhos, não estará ligado ao abandono e falta de amor da família e da sociedade em geral para com os mais idosos.
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Naquela zona, todos vivem da riqueza das ÁGUAS TERMAIS.
São os que trabalham directamente nas Termas, os comerciantes, os que vão melhorando as suas casas, graças aos arrendamentos aos aquistas, os que vendem os seus produtos…
Depois já há figuras típicas do local.
Uma senhora já de alguma idade, guarda severa e pouco simpática, que está sempre na Igreja ‘e que se julga dona de Nosso Senhor’, invejosita para toda a gente, por sinal e estranhamente antipática… Até assusta.
Felizmente que o assistente religioso é bem diferente e Nosso Senhor no seu silêncio acolhe a todos.
Ama a todos.
Até ‘à dona de Nosso Senhor’, coitada que ainda não sabe, nem consegue acolher com amor e simpatia quem visita a Casa de Deus por amor.
Outra ‘rezadeira’ , com uma personalidade muito interessante, achava que devia receber dinheiro por orar pelos outros…
Comia e bebia muito bem (...) dançava e pulava, embora velhota, sabia de experiencia própria, que ‘cordeiro manso mama na mãe, nas tias e amigas, em todas’… e assim era.
Enquanto rezava, ia intervalando para falar do padre que andava de namoro com …
De facto o discurso focava sempre a 3.ª pessoa.
Quando se encontravam 2 pessoas, era certo que falavam de alguém…


….e ainda me falta contar muitas mais coisas…
…mas fica para a próxima


O POVO PORTUGUES já não lava no rio, nem talha com seu machado as tábuas do seu caixão…como dizia o poeta Homem de Mello a Amália Rodrigues cantava tão sentiamente...
Vem tudo da China que é mais baratinho…