sexta-feira, 29 de junho de 2018

Identidade

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Identidade
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 Ao renderes-te, ligas-te novamente com a energia da fonte do Ser e, se o que fizeres estiver infuso do Ser, tornar-se-á numa celebração rejubilante da energia da vida, que te levará mais profundamente para dentro do Agora.  Eckhart Tolle  









A vida é o milagre mais perfeito que alguma vez nos foi dado conhecer e pelo qual temos que agradecer infinitamente!

Um homem e uma mulher amam-se (ou não!!!!!). Um dia, num gesto prazeroso,  a maioria das vezes , fazem com que um óvulo se encontre com um espermatozóide mais ousado e...
O mais normal, se o encontro dessas duas células não for impedido de se multiplicar, dentro de nove meses, nasce um ser humano perfeito!

Um espírito imortal entra num corpo perecível.

Mais tarde, de repente, o espírito voa e esse corpo torna-se cadáver.

E a verdade é que ninguém pode prever quando isso acontece!

Podes ser velhinho. Jovem. Doente. Saudável. Rico. Pobre. De uma grande beleza ou feio. Muito culto ou ignorante.
Por isso mesmo, há que aproveitar cada segundo, que nunca volta mais!

Há algo transcendental que comanda a vida de todos nós!

 Outra certeza que nos penetra, é que todos partimos, seja quando for e ninguém sabe,  quando isso acontece, como já vimos.

A caminhada tem muitas etapas.

Há fases que se repetem. 
Por exemplo, somos crianças e somos dependentes, demorando a amadurecer por sermos os seres mais perfeitos e completos. Mais tarde, quando idosos, caímos por vezes em situação semelhante…

Sabemos que há uma única primavera em nossas vidas.

Sá de Miranda afirmava que a Natureza se renova todos os anos com uma nova Primavera, mas nós não!

E outras constatações vão surgindo evidentes e quase espontaneamente.

Percebemos que não são as conquistas que fazemos no auge da existência, que nos fazem caminhar e estar vivos, mas justamente aquilo que nos falta e queremos ainda realizar. Só essa possibilidade da novidade, nos faz avançar!

O que realiza o ser humano não é o que já adquirimos, mas o que ainda não temos. O que ainda podemos conseguir.

Se não nos desprendemos do que a vida nos deu, não nos abrimos à oportunidade de realizar coisas novas, até diferentes, tantas vezes.

Ainda há dias, conheci uma senhora com setenta anos, que agora decidiu aprender violino, o sonho de sempre, ao longo dos seus dias. E como está empolgada!

 Quando a nossa vida passou tão rapidamente, se não nos aventuramos a sermos, poderá surgir uma segunda crise de identidade, depois da metamorfose da adolescência, há muito tempo.

Sair de cena. Abandonar o grande sucesso, requer muita sabedoria.

Pode ter havido muitas distinções. Passadeiras vermelhas. Honrarias. Mordomias. Ter-se sido endeusado, mas se a pessoa não se despojar de si mesmo para ouvir a voz do divino no seu íntimo, perde-se com certeza, quando já não é assim tão importante, no seu conceito.

Já não é recebido com todas as atenções e distinções habituais. 

De repente, entra em depressão. Já não sabe quem é. Perde o sentido da vida. Continua “amarrado ao desejo de ter” que não abandona, para seu mal.

Como pessoa famosa transitara sempre em capa de revista,
Gostava dos títulos. Fama. Honrarias.

Preferia tudo isso, a ser tratado como gente. Como ser humano genuíno, com os valores e convicções que sempre poderiam ter norteado a sua postura, tornado irmão de todos os outros, que cruzou e que agora o tornariam maior do que fora antes.

(Felizmente tive o privilégio de conhecer assim alguém, que nos deixara com 104 anos, médico e fidalgo, que nos dera uma grande lição de simplicidade e de perfeita alegria de viver, até ao fim.)

Mas se os grandes objectivos de alguém, foram o poder e o mando, o orgulho, fizeram dele hoje, um ser infeliz, amargo e zangado,  quando isso lhe faltou.
 Hoje, já não transita mais em contexto de imagem. Perdeu-se de si mesmo…

Não é o senhor director, o senhor realizador, o actor, o grande artista famoso, o cantor, o presidente, o ilustre professor, o médico famoso, o empreiteiro mais rico, o galã mais cobiçado… 
Até morre mais cedo, porque a sua vida deixou de ter qualquer sentido para si mesmo.

Para evitar estes desaires, impõe-se então fazer a auto-reciclagem.

 Abrir portas para um renovado modo de viver espontaneamente, com novos interesses, sem protocolos, nem necessidade de tratamentos especiais.

 Ser simples e feliz, com essa sua liberdade de escolha e de ser quem é realmente.

Ser completo, que sabe que é espírito, mente, corpo, emoção e tiver fé, tem a vida facilitada.

 O grande encontro está cada vez mais próximo. Isso não o assusta. Pode até alegrá-lo!

Porque… “Só pode ouvir o que Deus está dizendo, aquele que se despojou de si mesmo.”

Ninguém pode ser escravo de sua identidade: quando surge uma possibilidade de mudança e é preciso mudar. Elliot Gould

E cá vamos, despidos de protocolos. Preconceitos. Livres e contentes, por finalmente sermos , sem ter que engolir “sapos vivos”, sem máscara nem armadura, porque podemos escolher o silêncio, a  Natureza e "eu com eu", quando isso nos dá mais Paz!
Lucinda Ferreira 
Coimbra, 29 de Junho de 2018 
Foto da minha autoria , uma das minhas novas paixoes. Lucinda Ferrreira

terça-feira, 26 de junho de 2018

Grupo de Fados e Musica Portuguesa

ATENÇÃO!
https://www.youtube.com/watch?v=fAxKbKYAxQ0

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  • Conheço um GRUPO DE FADOS E OUTRAS CANÇÕES (de muito nível artístico e humano) composto por 4 elementos, que actua em Portugal e ou no Estrangeiro, em Festas de Aniversário , RESTAURANTES e outros eventos!
https://www.youtube.com/watch?v=GwgFQK3qfBQ
  • Ja os vi e ouvi a actuar e são maravilhosos!
Se estiver interessado, pode comunicar comigo, que ponho-os em contacto, se assim desejarem.

Vale a pena !

Lucinda Ferreira
26.6.18

Coimbra . Portugal

https://www.youtube.com/watch?v=gqg7VbPA0yQ

sábado, 23 de junho de 2018

Sabe, quem é você?


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Sabe, quem é você?


Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada! sigmund Freud
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      Finalmente somos, quem julgamos ser.
Somos  quem somos realmente.
Somos o que os outros julgam que nós somos, mas há só um Ser que verdadeiramente nos conhece: Aquele que nos criou: Deus!

·      O que aqui afirmo é conhecido de todos!

·      Tal como o sábio Sócrates ( en griego antiguo, Σωκράτης, Sōkrátēs; Atenas, 470-ib., 399 a. C.)​​​​, professor, afirmou, assim como sua mãe, parteira, ajudava a nascer as crianças para que não morressem nem elas nem as mães, ele também fazia brotar o conhecimento que todos carregam dentro de si.

·      Sigo aqui então, a Maiêutica praticada por Sócrates, sintetizada apenas em algumas perguntas, para que saiba, se já resolveu todos os seus traumas que contraiu em tenra idade, ( quem sabe desde   a vida uterina (…) )

·       Ou… se ainda carrega essa dor que atrapalha o seu viver e o impede de ser tão feliz, quanto poderia ser.

·      Na realidade, são poucas as pessoas que não guardam em sua alma, resquícios de passagens agressivas da sua infância.
Elas são muitas vezes, causa do sofrimento actual.
Desentendimento nas relações. Insatisfação. Frustração. Conflitos. E o pior de tudo, motivo de algo inexplicável, muito doloroso para si e para aqueles com quem convive.

·      Liberte-se disso rapidamente, pois isso é possível.

·      A partir de hoje tenha esta consciência e trabalhe para limpar. Aceitar. Resolver estas confusões que lhe pesam, como uma marreca desnecessária e que tanto o atrapalham.

·      1 – Já reparou se as suas emoções são um estorvo?

Se tenta racionalizar tudo. Resolver friamente pelo raciocínio lógico, todas as situações com que se depara, recusando tristeza. Indignação. Luto. Desconsiderações, procurando não se emocionar seja com o que for.
As emoções se separaram da sua entidade.
 Isto liga-se a castigos ou repreensões, sempre que em criança,  manifestava suas emoções, chorando, fazendo birra, o que “incomodava” os seus pais ou educadores, sendo assim reprimido, não por mal, mas por ignorância das mãezinhas ou dos papás, por vezes até ditos cultos, mas sem educação emocional e eles também traumatizados.

Hoje, o seu comportamento actual não se desvinculou dessas correcções traumáticas e castradoras.
 Tornou-se introvertido. Racional. Frio, reprime qualquer emoção que aflora nos relacionamentos consigo mesmo ( produzindo doença) e com os outros e causa embaraço na seu modo de viver, feliz e livremente..

2 - Você repete muitas vezes:
Eu nunca tive infância”
Isto significa que os episódios da sua meninice foram tão dolorosos. Angustiantes, que prefere apagar. Não recordar essa fase que tenta esquecer a todo o custo , mas que emerge de tempos a tempos, sem perceber nesses momentos, de onde vem a sua dor .

3 – Sente sempre que lhe falta algo?
Foram os traumas vários que desconectaram partes importantes de si mesmo, para poder sobreviver!
No entanto, falta-lhe algo importante…Daí essa sensação de estar incompleto, como consequência.

4 – Tem dificuldade em pensar sobre si próprio? Isso é-lhe desconfortável, por se sentir mal?
Este sentimento muito intenso liga-se a factos passados com os progenitores ou irmãos, figuras muito próximas, com quem se identificou em certos períodos da sua infância.

5 – Será que atrai muitas vezes, as pessoas erradas em sua vida?

Normalmente acaba por acontecer isto nos relacionamentos românticos. Laborais e até sociais,em que  cruza pessoas que lhe causam danos e sofrimento. Tudo nascido, quando era criança.

E outras perguntas poderiam ser feitas.
Entretanto, queria só deixar claro, que a partir do momento, que tem esta consciência, com ajuda profissional séria ou trabalhando estes aspectos por si, à luz do perdão. Da aceitação. Da escolha do que quer, hoje, na sua vida em que pode escolher,  tudo pode ser colocado nos seus lugares.
O passado já passou. Não tem poder sobre si , quando é isso que escolhe..
Já ouviu certamente :
“Águas passadas não movem moinhos?”

Não é de um dia para o outro que se arruma a alma, nem é assim tão fácil, mas é possível.

Está à sua espera a mudança, que o

pode libertar! Vamos a isso?

Não me lembro de nenhuma necessidade da infância tão grande quanto a necessidade da proteção de um pai. (Em "O Mal Estar na Civilização")Sigmund Freud

Lucinda Ferreira
Coimbra, 23 de Junho de 2018


sábado, 26 de maio de 2018

PRIVAÇÃO


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PRIVAÇÃO



O que a maioria de nós leva para o relacionamento não é a plenitude, mas a carência. A carência implica uma ausência dentro de si... A carência é uma força poderosa, capaz de criar ilusões poderosas. Ninguém pode realmente entrar dentro de você e substituir a peça que está faltando. Deepak Chopra






·      A falta do amor. De auto estima. De compreensão. De de tudo aquilo que dá sentido profundo à vida, cria um vazio. Uma dor. Uma revolta. Uma carência intensa. Um  desalinhamento tal, que  leva ao homem a buscar o PODER desesperadamente. para colmatar o buraco negro onde se perde, dentro de si mesmo!

·      Viaja por mares e continentes, busca sem sossego, para encontrar a solução, para esse desespero triste e insuportável que é a carência.

·      Verdade se diga, que essa fuga ainda se torna mais assustadora, porque mais afunda o indivíduo, que assim se afasta da sua missão e do seu centro e de quem é realmente.

·      Deste modo, o homem foge das suas emoções. Desvaloriza-as.  Relativiza tudo e torna-se um “durão”. Um valente. Alguém que ninguém poderá atingir, porque ele é superior a tudo e a todos...

·      Cavaleiro andante, nunca pára. Invencível. Vive mil aventuras. Aguenta tudo. Forte. Valente e duro, suporta tudo o que vier, com o sua máscara ancestral!

·      O que é que ele busca?
·      Aventuras. Fama. Glórias. Imortalidade. 

·      MAS…quando fica sozinho, aquele imenso vazio. O buraco negro no seu peito, dói como um estigma permanente que consome em silêncio.

·      È neste momento que muitas estrelas famosas, ou outros seres humanos, no auge do sucesso,  se suicidam!
 Não têm sentido para a vida. Apesar de toda esta fachada brilhante, não aguentam o peso da solidão mais íntima, perante si próprias.

·      Nesta situação e ao ter consciência desta realidade, qual será a solução e o que fazer?

·      Parar. Compreender que esta realidade é a prova que viemos passar  uma prova real , nesta densidade , e que tem que ser vencida correctamente.

·       Conhecer que o preço da existência, traz esta vivência dual. Isto é, há momentos belos. Bons, mas…Também há o outro lado da medalha, que tem que ser experienciado.

·      Não temos que tentar ser mais do que os outros. Temos que ser mais de nós próprios!

·      Aceitar o que custa, como algo que temos que passar, como desafio de todos os humanos.

·      Queremos mais amor?
 Temos que dar mais amor . 

Queremos mais compreensão?
 Temos que tentar saber mais de nós mesmos. Compreender os outros também.

 Procurar compreender a mecânica da auto estima. Trabalhá-la.

·      Sobretudo, ligar-se à Fonte. Entregar-se, sem orgulhos despropositados .
. Confiar mais nesse Poder Infinito que existe dentro de TODOS nós, sem excepção, e que emana da Criador. Do Universo. 

·      Olhar uma flor desabrochando. Agradecendo cada momento, em que estamos vivos e com possibilidades de evoluirmos. De sermos felizes, sem complicações, usufruindo riqueza. 

Trabalhando com prazer, fazendo do que gostamos de fazer, como se fosse uma distracção agradável. Partilhando o que temos e somos, com alegria, sabendo que quem semeia, colhe!

·      Perdoar, pois o contrário é sinal de estupidez, pois só nos faz mal o ressentimento e o rancor.
·      Agradecer tudo que temos! Fixar - se nas coisas boas possuídas, abandonando a ideia das que pensamos que nos faltam.
·      Conexão com o grande Espírito. O grande Arquitecto. Deus. O Universo. A Luz, seja com o que for que nos eleve, tire da miséria da maldade, da vingança, do poder desmedido e ambicioso, do orgulho ignorante de se comparar com os outros e querer ser mais do que o vizinho, enfim tudo o que muito bem o nosso íntimo sabe que não é correcto e só nos faz mal. Nos afunda e faz infelizes.

·      Dar mais do que se recebe. 
Todos os dias, fazer o balanço, dá uma sensação de  bem estar que vence todas as carências!

·      De que estamos todos à espera, queridos amigos, sobretudo os mais tristinhos e revoltados ?

·      E  sobre a carência básica….
Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.Mahatma Gandhi
Coimbra, 26 de maio de 2018
Lucinda Ferreira

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Expectativas

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Expectativas    
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Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração. Martha Medeiros





expectativa é a mãe de muitas trapalhadas. Desgostos. Fugas de energias. Confusões. Desânimo. Decepções. Encrencas…

A expectativa é filha da ilusão. Do controle. Da manipulação. Da não aceitação. Do comando. Da negação da liberdade do outro. Da atitude de falsa protecção, nascido no “Quero. Posso e mando”. Da previsão do que vai acontecer…

A expectativa gera cobrança. Irritação. Descontentamento. Discussão. Desentendimentos. Rupturas. Desilusão. Ingratidão.

A expectativa rema contra a maré, isto é, o fluxo da vida que ninguém consegue deter. Que ultrapassa tudo e todos. Leis do Universo que não admitem ser contrariadas e são mais fortes do que a fragilidade de qualquer humano, qualquer que seja a sua presunção.

A expectativa recai sobre tudo e todos!

A pessoa que alimenta expectativas é necessariamente competitiva. Calculista. Mesquinha. Está sempre programada. Egoísta. Alimenta ressentimentos. Não suporta ser contrariada. Não fica grata por nada, já que acha que tudo lhe é devido. Tem super auto estima. É a maior. Acha que tem direito a tudo e mais alguma coisa.

É um “atributo”que se encontra desenvolvido nos políticos! Se não tiver expectativa = ambição, como pode ser político?

Por causa da expectativa o ser humana está sempre descontente. Incompleto. Insatisfeito e triste. Acha que tem sempre direito a muito mais. Se o outro tem, “por que razão é que eu não tenho”, pergunta-se, desgostoso, quase revoltado e com raiva. “Mereço menos do que o outro”?!

Como tem expectativas a mais, acha sempre pouco aquilo que tem. Não repara, nem contabiliza o que lhe é oferecido. Muito menos agradece, mesmo quando a vida já lhe deu tanto!

Só olha para o que não tem. Nem goza e usufrui, tudo de bom que possui. Não agradece nunca!

Nunca sente que recebe, pois acha que tem direito a tudo e muito mais, dentro do espírito de exigência, que raramente corresponde ao que esperava. Daí viver infeliz. Descontente em permanente decepção.

 E por que havia o Universo de satisfazer os seus caprichos e ambições, se não o conquistou, nem atraiu
com a sua vibração energética?
Se nada semeou, como quer colher?

Agora vamos inverter esta atitude da expectativa…

O supremo amor é aceitar o outro como ele é.
O que gera as discussões, as separações, os mal entendidos são as expectativas.

Deus ama-nos tal como somos!

Por que havemos de insistir na atitude contrária, colidindo com a liberdade e o respeito pelo outro?

Homens e mulheres pretendem encontrar nos companheiros, modelos que construíram nas suas cabeças. Quando não corresponde ao que previram, não aguentam. Divorciam-se sem se questionar estas verdades simples e o exercício de se mudarem a si mesmos, para que o outro mude também.

Isto claro, quando há amor, porque se foram movidos pelo interesse e egoísmo, estas coisas são impossíveis e não ocorre reconciliação. Separam-se, na ilusão de cruzarem outra pessoa que se submeta às suas exigências, porque não quiseram mudar. Ir à raiz da questão. 
Disponibilizarem se para resolver o desentendimento com cedências mútuas.
“As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objectivos comuns, alegrias e vida.” Desconhecido

Entrar no fluxo da vida. Nada se desejando e tudo se agradecendo, como uma dádiva. Um presente que se acolhe com alegria e se valoriza, torna todos mais felizes. Muda o espírito da expectativa, filha do ego.

Sente-se que tudo o que vida nos deu, incluindo as pessoas, são bênçãos que valorizamos sem competições. Sem esperas eivadas de rigidez e imposição (ainda que veladas…)

Coisas maravilhosas com que não se contava, já que nada se esperava, acontecem! Nasce uma profunda gratidão de onde brota alegria nas situações mais simples. Os elos se reforçam.

Talvez valha a pena equacionar estas posturas…

Mudar o que for necessário, como sinal de grandeza compassiva, levados pela inteligência do amor!

Viver é deixar fluir a essência daquilo que somos em meio à turbulência que nos cerca, sem temores ou ansiedade. Ao permitir que aquilo que sentimos complemente nosso lado racional, criamos a fusão que resulta no equilíbrio entre nosso interior e o mundo à nossa volta.

Lucinda Ferreira

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Carta a uma Amiga!

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Carta a uma amiga…
Aquele que conhece a arte de viver consigo próprio ignora o aborrecimento. IsErasmo




Querida Solidão:
Quando todos nos abandonam, tu és a fiel e presente amiga, que nunca desapontas. És sólida e igual a ti. Não enganas ninguém.

Sabes quanto se chora às escondidas, por abandono e tristeza, dos que professam a mesma Fé. Dos que se favorecem em situações diversas, e que perdem a memória dos afectos e do reconhecimento carinhoso.

Ajuda-se o outro/a com todo o coração, com genuíno amor e espontaneidade, mas a gratidão não é cultivada. Até deixam de conhecer quem lhes perfumou a vida. Usam e abusam da credulidade. Pureza. Disponibilidade. Desinteressadamente a Solidão, essa é segura. Todos se escondem na poeira do tempo.

Enfeitam-se as pessoas com as nossas projecções, o que nada tem a ver com elas, daí que a Solidão tem sempre razão.

- Sabes hoje, o quanto és importante para mim. Quanto te amo. Venero!

Quando Anne Frank dizia que somos terrivelmente sós , quando não somos particularmente importantes para alguém, eu ainda não sabia, como é gostoso  conviver ‘eu com eu’. 

É muito melhor do que viver com alguém, e estar ainda mais só!

Aliás, entrar em contacto connosco, só traz benefícios.
Segredas isto e muito mais ao ouvido, mas dificilmente te aceitam.

Batalhamos pelos que amamos e nesse gesto já temos todo o retorno da alegria do bem-fazer.

 Deserto é sempre deserto, onde nem um olhar ou um abraço têm cabimento, mas o tempo flui.
 É professor. Acaba por se descobrir o encanto e ternura de uma flor abrindo. Da carícia de um animal. Do som da Harpa quando o vento bate na janela do quarto.

Depois de muito lutar, venceste, querida Solidão!

Hoje, como te busco. Prefiro a tanta hipocrisia. Barulho. Confusão. Aparências e mentiras, já não preciso de te dizer.

Muita gente pensa que a produtividade, a alegria, a criação artística e não só, nascem no obrigatoriamente sociável.

Não sabem eles, que a Solidão é tão necessária como o ar que respiram, para que esses estados de espírito aconteçam e a luz possa brilhar no fundo do ser.

Todas as mentes mais brilhantes escolhem a Solidão!

Concordamos que as longas conversas são entediantes.
Para não quebrar a dinâmica do grupo, ter que suportar as crenças do grupo, é duro. Silenciar o pensamento próprio e original, para ser aceite, custa.

A sociedade ocidental que privilegia a pessoa activa à contemplativa, insiste no trabalho de equipa, desprezando a contemplação e autoconhecimento.

 A percentagem de infelicidade e descontentamento está em tudo isso. Se não és sociável (?!), até vêm com a história triste do psiquiatra, que entorpece com drogas cheia de efeitos secundários, de um qualquer laboratório amigo.

Mas casar mais tarde, a grande percentagem de divórcios, a longevidade, incentivam à Solidão voluntária, muitas vezes, até como um luxo.

Andar pela casa à vontade, mudar de canal da TV sem teres de negociar, comeres apenas quando te apetece, saíres e demorares o que precisares, cair na cama sem ninguém que ressone ou te incomode, dormir no sofá, improvisar planos sem explicações complicadas, viver relações com mais qualidade, não por imposição, mas por extrema satisfação, sem apego e verdadeiro amor, tudo isso a Solidão oferece.

Facilita ainda,  o desenvolvimento da empatia, numa extensa rede social. A bondade genuína sem constrangimentos. A aceitação. A valorização e estima do outro, sem interesses e egoísmos camuflados e muita raiva, revolta à mistura.

É no deserto onde se pode ser totalmente livre. Sem medos, reencontra-se o indivíduo inteiro.

E em paz consigo mesmo. Isso é saudável e reparador.

Sabes, querida Solidão, as pessoas fogem do seu interior. Não querem mudar, por isso nem sequer contemplá-lo, lhes apraz. Não querem saber quem são. Vivem na ilusão. De aparências. Nas competições. Acham se uns lírios. Nunca assumem responsabilidades. Culpam tudo e todos pelas suas dores e contratempos.

Quanto menos estão sós, mais difícil é ficarem sós.
 Dizem:

 - Interioridade é lá para os orientais. Meditação. Oração. Perdão é para “beatas” e para a  Seicho-no-Ie


Responde serena a Solidão:
- Todos acabam por vir bater à minha porta. Nasces sozinho e morres sozinho. Ninguém pode fazer essas coisas por ti, mesmo que estejas sempre muito acompanhada e no “laró”.

- Sabes, querida Solidão, sinto-me mal no barulho.

O espaço solidão é um bálsamo para fazer contacto consigo mesmo. É nessa contracção que se recupera o equilíbrio. Se for na Natureza, o prazer redobra. Recuperar a necessidade contemplativa é imprescindível, para compensar a hiperactividade destrutiva, que grassa na alienação geral!

- Somente quando se tolera o tédio e o vácuo, se é capaz de desenvolver algo de novo. Desintoxicar de um mundo compulsivo, cheio de estímulos e comandos, que constantemente tiram a pessoa do seu eixo. Uma sobrecarga informativa carrega em si muito lixo.

As crianças são as grandes vítimas. Os pais alucinados. Irresponsáveis, deixam nos entregues aos i pad’s, televisões, telefones, cheios de radiações perigosíssimas, em vez de brincarem com eles, em casa ou na Natureza. Não sabem estar sós. Tranquilos.
)
As crianças super activas e destrambelhadas com tanta violência veiculada, sem discussão e análise, com os pais, acabam, elas também, na violência. Crime e comportamentos desviantes.
(Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos. Pitágoras)

A base da criatividade. Inovação e liderança assentam na solidão.

Depois de um dia stressante no serviço. Redes sociais. Telefones, só a Solidão oferece o repouso capaz de curar.
É de extrema urgência criar oásis de silêncio. Isolamento e fazer as pazes consigo. 
 Minha amiga querida Solidão, amo-te.
Sou - te grata por tanto que me tens dado.
 Peço perdão por nem sempre ter sido assim o nosso relacionamento, pois hoje sei que…
"A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais". Arthur Schopenhauer


 Coimbra , 7 de Maio de 2018 
Lucinda Ferreira