segunda-feira, 6 de março de 2017

ENCONTRO

    
ENCONTRO




 Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus a cada minuto pelo milagre da vida. ― Fernando Pessoa


Ela era humilde. Discreta. Um farol para todos nós. Sobretudo para o meu Pai.
Tive a sorte de ter tido uma Mãe que era toda Amor!

Amava as flores. Os animais. As pessoas, fossem elas quem fossem. Não me lembro de alguma vez, ouvir a minha Mãe julgar quem quer que fosse. Criticar ou maldizer o que acontecesse de menos bom. Era uma pessoa encantada pela vida e com a vida!

Tinha um sentido estético apuradíssimo. Gostava muito quando ela enfeitava as jarras.
Cantava muito bem. Bordava ainda melhor, a “richelieu”. Era fiel às suas amigas de criança, a quem nunca esquecia de saudar no seu aniversário. De enviar algo bordado por ela. Elas também não a esqueciam. Aprendeu a ler sozinha. Depois ensinou as amigas a ler e a escrever.

Era órfã de pai e a minha Avó Jesuina morreu de parto. A sua vida fora bem acidentada. O amor não devia abundar para ela.
Mas Deus a cumulou de bênçãos. De dons. Encheu o seu coração de amor.
Fê-la especial!

Tinha uma relação de encantamento, com Deus. Escrupulosa no cumprimento dos seus deveres. Era no tempo em que só se podia comungar o Corpo de Jesus, após 24h de jejum, o que ela observava com rigor.

Enfim, o seu modo de amar é que me tocou e me toca ainda hoje.

O amor não tem a ver com o vigor físico.
("Para amar você bastou um olhar... Agora para esquecer, só mesmo se eu morrer.")

Quanto mais velhinha era, mais o seu amor se manifestava para com todos. Meus Filhos eram o objecto primeiro do seu maior carinho. Ajudou me  a criá-los, já que eu tinha que trabalhar muito para a Família.

Revia-se, até às lágrimas, sempre que ouvia cantar, os meninos inesquecíveis para mim, do Coro dos Pequenos Cantores, que eram o meu terceiro Filho muito amado!

Hoje, o meu coração enche – se de alegria. Sinto como é bom amar! Mesmo que alguém não retribuía, não faz mal. Só o acto de amar transforma a nossa vida numa festa. Este estado vibratório muda tudo à nossa volta. Contagia os mais sensíveis. De repente, a paixão irrompe como um dique. Muitas pessoas estão tristes. Passado um pouco, retomam a alegria, como se lhes entrasse pelos poros, o amor que elas são, congelado nos seus peitos,  de repente se incendeia. A alma rejubila.

Todos temos essa possibilidade. È só aceder ao que mora no mais fundo do nosso ser. 

A Tribo começa a crescer…nem que seja do outro lado do Planeta.

Amar sem por quê. Se há por quê, também já não é amor.

Ele salta pelos olhos. Não suporta estar acorrentado. Não quer ser importante. Não quer dar nas vistas. Não quer possuir nada. Ele é ser, não é ter. Se encontrar eco, multiplica-se sem parar até ao infinito. Inunda o mundo inteiro.
É como um pedrinha que cai no lago, cuja ondulação só morre na margem.

Contenta-se com uma flor. Com a simplicidade de uma criança. Com um abraço sincero. Com o sorriso brilhante de uns olhos gastos pela idade. Não conhece tristeza, pois a Fonte o enche de certezas.
 A pessoa é só o canal desse amor, que ao passar enche de luz quem o alberga e todos os que estão à sua volta. È um autêntico paradoxo, pois enriquece pelo que dá.

Existir nessa condição permanentemente amorosa, é viver em estado de graça.
Quem ama, nunca envelhece! Nem que tenha cento e tal anos. Ama a vida. Sente gratidão por ela. Essa força mágica enfeita os dias de quem a sente. Semeia esperança. Paz. Bem-estar. Entusiasmo (= estar cheio de Deus).Saúde.

Levanto-me de manhã e vou ao meu jardim, ver se alguma flor abriu. Faço-lhe a minha declaração de amor. Com ternura, falo com ela. Beijo-a carinhosamente. Ela sorri-me. Fica mais linda…

Este é o meu testemunho.
Deixe o seu coração expressar o seu amor, quando isso for sincero e algo ou alguém o tocar.

Se não entenderem essa linguagem, não fique triste. Significa que esse irmão, irmã, ainda não transcendeu a materialidade, mas tenha esperança que assim como o calor derrete a neve, também a força do afecto, se no fundo desse ser, houver esse registo, a beleza que nele mora acaba por desabrochar.

Todo o amor semeado, cedo ou tarde florescerá, dizia me uma aluna, num postal que enviou e que ainda guardo.

È como se fôssemos numa corrida e passássemos a luz ao outro.

(Nunca é tarde, nunca é demais; Onde estou, onde estás; Meu amor vem me buscar. Chico Buarque )

Depois, será ele a passar ao próximo, não duvide.

Carisma é encantamento. È a felicidade que não cabe dentro de nós, a jorrar para os outros. Tem que se manifestar obrigatoriamente. Quer ver todos libertos. Felizes.

Seja bem-vindo. Entre na nossa Tribo!
Não é por raciocínios lógicos. É pelo coração que encontramos o nosso Caminho!
Deixo algo de um dos autores da minha eleição, Carlos Drummond de Andrade:
Carlos Drummond de Andrade

Nota: Sinto que no encontro, comemorando os 100 anos do nosso do Querido Jornal O DESPERTAR, o amor se soltou. Circulou entre todos os presentes! Foi lindo demais! Obrigada a todos os que fizeram destes momentos, um encontro memorável.

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