domingo, 23 de maio de 2010

Viajar











Ontem tive que ir ao Porto.








A 1.ª aventura começa, quando se procura um lugar para deixar o carro , próximo da estação dos caminhos de ferro...




Depois, embora chegue sempre mais cedo para t irar bilhete e me organizar para não corrrer, ao chegar, tive a surpresa de saber atrasado o combóio rápido em mais de uma hora.




O calor apertava e não se pode dizer que estação B em Coimbra, seja uma maravilha para se estar.




O mesmo não diria da estação de caminhos de ferro em Antuérpia, Bélgica, que certamente conheceis e que é uma beleza...




Bom , mas pensando melhor, resolvi apanhar um combóio até Aveiro,.Depois aí, apanhar 1 combóio urbano e chegar mais cedo ao meu destino num dia de 30 graus de calor...




Pensava eu e algumas pessoas que ficaram em terra, que chegaríamos mais rápido.




Chegámos a Aveiro ao meio dia e 17 m para apanhar 1 combóio numa linha distante, q ue partiria às 12 he 19m!.. sem qualquer contemplação com o que se estava a passar em matéria de atrasos.




E partiu.

Nós é que ficámos a secar 1 hora, à espera do próximo transporte, porque aquele, tendo de tirar o bilhete na bilheteira atrás de uma estrangeira q fez mil perguntas, não esperou e...no cimo da escada já...vimos partir o nosso trem.




Bom, como estou sempre em serviço, e sei q nada acontece por acaso e que estou sempre no lugar certo, porque entrego a minha vida a Quem ma concede, resolvi escutar alguém que tinha muita necessidade de falar de si . E falou muito tempo. Até gostei de ouvir.




Era um sobrevivente, piloto aviador, do célebre desastre de aviação da Serra do Carvalho , em Vila Nova de Poiares.




Estava eu em Poiares, nesse altura e lembro-me de ter ouvido 1 grande estrondo e logo de seguida se saber q cairam 8 aviões na Serra.




Fui lá ver com a minha mãe .




Fiquei mt impressionada, porque numa amálgama de ferros cortados aos bocadinhos ( algumas pessoas traziam um pedaço, como recordação...macabra...), encontrei uma mão carbonizada e um dedo humanao.




Por estas e por outras, o sonho de seguir medicina, foi por água abaixo, tanto me impressinaram estas coisas.




Bom ,mas então o meu interlocotor, um dos pilotos sobreviventes (4) desta esquadrilha, contou-me tudo ...




Adorei ouvir e perceber, situações que os leigos nunca podemos imaginar.




Ainda antes deste relato, esta semana, sem saber como, recordava o acidente e me lembrava que o filho do general Craveiro Lopes também aí tinha perdido a vida.




Coincidências? Nao sei explicar.




Acontece-me muitas vezes, vir-me insistentemente à mente, pessoas que não vejo há muito. Mas é tão insistente que me pergunto as razões e...oro por essa pessoa.




Bom este senhor de idade respeitável, muito viajado e sábio, tinha participado na construção da barragem de Caborabaça, e muitas outras obras de releveo, assim como o seu pai de quem me mostrou fotos e de sua mãe.




Mas com que carinho falava dos seus...




Depois avô, acabou também por dizer como a víbora Mocamba pendurada nas árvores, picava sorrateiramente o pessoal dos cafezais e como lhes dava morte horrorosa.




Enfim muitos dos mistérios de África de que me falou com paixão e entusiasmo e que eu segui com todo o interesse...




E lá me despedi de um avô encantado e preocupado com a sorte e o futuro dos seus netos, o que aliás acontece a quase todos nós.




Mas os meus encontros não ficaram por aqui.




Antes , tinha-me cruzado com uma enfermeira, que eu recebera aquando da sua primeira inscrição no seu curso, na Escola Ângelo da Fonseca .




Já não nos víamos há mais de 30 anos! Foi giro. Claro que conversámos bastante. Fizemos o balanço das nossas vidas.




As as coisas melhoraram, quando ela soube que tinha trabalhado com um familiar meu , médico e de quem tinha a melhor recordação e por isso muito estimava.




Mas viagem prosseguia, entrando uns e saindo outros.




Até houve um homenm de meia idade, que entrara num apeadeiro, sem bilhete e que não sabia para onde queria ir...




O revisor esforçava-se para lhe dar sugestões ,mas ele não sabia.




Por fim , reparei que ao sair, até deixou uma peça de roupa , por sinal bastante boa.




Bem já a meio da tarde, depois de ter perdido o combóio, etc., etc..lá cheguei ao meu destino.




No regresso, o combóio foi mais rápido.




Entretanto, no Porto e depois em Aveiro, sentaram-se ao meu lado duas criaturas bem diferentes.




Uma ligada de profissão a animais , trazia carinhosamente , numa transportadora, uma gatinha de uma cliente, que esta recolhera no caixote do lixo.




O bichinho dormia em paninhos macios com a barriguinha consolada com leite apropriado para gatos, portanto protegida da morte se lhe dessem leite de vaca.




E lá fiquei felicissima por sentir que alguém se interessava por proteger um triste animal abandonado.




Também já recebi emails , mostrando a cena de bébés na China, que são abandonados no caixote do lixo...outras conversas...




Finalmente, sentou-se ao pé de mim, uma senhora de meia idade, com uma Bíblia - A Bíblia para as Mulheres...




Tive curiosidade e perguntei que Bíblia era aquela.




Muito solícita , mostrou-ma . Tirei todas as referências, mas foi-me dizendo que era tudo igual , embora tivesse em rodapé, explicações que ajudavam a Mulher a ser mais feliz e a perceber melhor a Palavra de Deus.




Entretanto, disse-me que ia para Lisboa para uma jornada de oração.




Ficariam toda a noite de vigília, orando a Deus em louvor e perdão! Maravilhoso.




Enfim conversámos mesmo. Não aquela conversa que fala do tempo e de banalidades ,mas em que não se diz nada.




Gostei de todos os meus encontros e na verdade, acho que viajar é sempre um mistério muito belo e enriquecedor.

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