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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

À beira do Rio




À BEIRA RiO …
Enquanto a Mãe tricotava, o miúdo brincava com uma canita, na margem do rio
manso e calmo.
De repente, a cana prendeu-se!
A criança, com a curiosidade inocente de quem nada mais tem a fazer, que matar o
tempo que corre e imitar os crescidos, pescou primeiro... um sapato.
Toda a tarde a pescar e quando a cana prendeu, pensou ter pescado uma grande
truta... Um grande peixe dourado.
... Bom, era apenas um sapato velho!
... mas não desistiu e continuou a pescar. Prendeu-se a canita, outra vez.
Agora era um saco de viagem preto e vermelho.
Quis puxá-lo sozinho, mas não teve força.
Gritou então muito excitado e pediu ajuda à Mãe.
Quase tropeçava e era puxado para a corrente pelo peso enorme do “pescado”... É
que a corrente ía brava!
A Mãe, entre aflita e curiosa, correu a ajudar o pequeno.
Naquela tarde agradável de Primavera, com a terra perfumada, o céu azul e o rio
muito verde, era muito agradável aquele passeio já habitual à beira rio.
Nunca acontecera antes, nada de especial, mas hoje, um grande e bonito saco, ali
viera ter a seus pés.
Até era curioso o achado.
O saco sugeria viagens sem fim... Era tão jeitoso!
... mas, o saco estava tão pesado!
A corrente arrastava-o com alguma força e foi difícil pescá-lo.
... porém a curiosidade e o sabor de se ter um saco de ouro, que não era de ninguém,
e o sentimento de protecção para com o filhote, para lhe dar a vitória a Mãe a afzer
alguma força. Insistiu!
Por fim, lá veio o saco para a margem.
O pequenito apressado e curioso, insistia com persistência.
- Mamã, deixa-me abrir a mim!
Fui eu que o vi primeiro.
A Mãe sorriu com bonomia e deixou o menino satisfazer a curiosidade.
Mas... ó Deus! Que horror!...
Dentro do saco, estava... justamente um tronco de mulher.
... um tronco de mulher, vestido com um soutien vermelho.
“Que horror”! – repetia a Mãe, entre assustada e desconcertada com tal achado.
... o pequenito estupefacto só dizia
- Mamã, o que é isto?
- Mamã, Mamã, o que é?
Sem se conter, acaba por gritar.
- Cala-te! Cala-te! Cala-te!
Tentou depois dominar-se para acalmar a criança não menos assustada.
- Vamos embora João.
Deixa lá o saco.
A Mãe compra-te outro saco, ainda mais bonito.
O miúdo atónito, assustado, curioso e suspenso, deu a mão à Mãe e lá foram
embora... a correr.
Luisa foi pôr o filho a casa.
Pediu à Mãe que lho deixasse ficar um bocadinho com ela, que já voltava. Não deu
outras explicações.
Correu veloz para a polícia. Contou o sucedido.
Passado pouco tempo, o saco estava rodeado de muitos curiosos.
A notícia espalhava-se. Na pequena cidade alvoraçada, a notícia passava de boca em
boca.
Os mórbidos e doentios acorriam à beira rio.
Gostavam de ver com os próprios olhos.
Certificar-se daquela crueldade.
Teciam comentários. Conjecturavam.
... cada vez mais o estranho achado era motivo de comentários correndo de boca em
boca:
- ‘apareceram umas pernas de mulher dentro de uma mala, presa num salgueiro
do rio’.
Toda a gente muito assustada e indignada, esperava suspensa o deslindar da questão.
Bombeiros, polícias e militares procuravam sem descanso, o resto do corpo.
- É uma pouca vergonha.
- Estamos no fim do mundo.
- ... Já não há respeito por ninguém.
- Anda tudo fora da graça de Deus.
- Quem é que pode estar seguro?
Eram comentários que sussurravam no ar.
Por fim aparecia, numa outra mala de viagem, a cabeça de uma mulher jovem,
bonita.
Dava sinais de ter sido espetada no coração! Escoartejada.
- Crime passional?
- Ladroagem?
- Simples selvajaria?
- Ataque de loucura?
- Quem teria sido aquela infeliz rapariga?
- Qual o porquê de tão macabra sorte?
Dúvidas... hipóteses... pistas... sugestões surgiam na cabeça dos responsáveis pela
investigação.
Dois... três... quatro... cinco dias... uma semana, e a história seria deslindada.
O criminoso, um antigo militar dos comandos que servira na guerra colonial,
perdera a cabeça e...
... tinha sede de sangue!
... dava-lhe prazer afirmar o seu poder, deste modo.
... perdera a cabeça?
Ela era a sua segunda mulher.
Até “gostava” dela, à sua maneira. Dum modo sádico e egoísta, digamos.
... além do mais, não queria trabalhar. Vivia à custa da venda do corpo da sua
companheira.
- Até que a vida não ia nada mal... pensava para si mesmo.
Que raio lhe passara pela cabeça, para me chatear e dizer que me ia deixar?
A gaija vai saber o que lhe custa a proeza.
Não é para mim, mas também não será para outro cabrão – pensava o Júlio da Luisa,
conhecido no meio pelo estranho comportamento e visível agressividade .
Na noite anterior, tinham ralhado.
Insultavam-se muito com palavrões e barulhos esquisitos, confessaram mais tarde os
vizinhos.
- Aquilo eram só berros e gritos – diziam assustados.
- Era um casal enigmático. Ninguém ousava meter-se – “Entre Homem e
Mulher... ninguém meta a colher “ – diziam baixo, comentando entre si.
- Recordam de facto, que a partir de certa altura, caíra um grande silêncio, em
casa do Júlio e da Luisa...
A noite acabou por banhar todos, num sono profundo.
Luisa, essa então é que nunca mais acordaria!...
Entretanto Júlio, depois daquela operação violenta tinha que desfazer-se da
encomenda incómoda.
Depois de ter dormido calmamente o sono dos justos (?!!) acordava. Pensou então
que era melhor, viajar demanhã cedo.
Exactamente. Apanharia o primeiro combóio da manhã, quase vazio, habitualmente.
Às seis horas, as pessoas gozavam ainda o último sono da manhã...
Instalou-se sózinho, na última carruagem.
- Até calhava bem.
Quando passar na ponte sobre o rio, faria voar a encomenda... – pensava
calmamente, Júlio para si próprio.
Se bem o pensou melhor o fez.
Livrou-se depressa do mono que não mais o aborreceria. Naquele dia até
ficaria mais leve.
Ultimamente, Luisa andava adoentada. Parecia uma carraça.
... e o pior, é que trazia menos dinheiro para casa.
- Já não saboreava um bom bife e um bom vinho De marca há uma semana!
- Tenho que mudar de pega, que esta está a ficar fanada – pensava Júlio.
Naquele dia, pelo menos, tiraria a barriga de misérias.
Jantaria cabrito... bom vinho e o que surgisse no momento.
E não seria num ‘Mijacão’ qualquer. Seria num restaurante de gente fina!
... Um príncipe em festa.
Com o dinheiro no prego dos brincos, do relójio e do fio de Luisa, não faltaria
mesmo nada.
No fim, dava uma volta e toca de arranjar outro ‘cabide’.
- Aquela já lá vai e... não chateia mais – pensava para si.
- Mas a verdade, é que agora começava a incomodá-lo. A joelhada que ela lhe
dera nas ‘partes fracas’... ao tentar defender-se.
- A cabra, sabia-a toda.
... e agora esta merda está-me a doer cada vez mais – pensava Júlio.
Começou a prender-lhe a perna. Não conseguia andar com a dor cada vez mais forte.
- Agora é que estou quilhado – dizia para si.
Enquanto estive sentado, só uma dorzita, mas agora está a ficar fusco.
Parece impossível um gajo como eu, que arranquei e cortei tantas orelhas aos pretos,
com eles aos berros... etc... etc... etc...
Tanto filho da mãe que torturei até à morte e nada me aconteceu.
Um gajo mete-se com cada cabrona! Leva assim uma joelhada nos tomates... e agora
que vou fazer com esta porra tão inchada?!...
- Sentou-se no jardim. A coisa piorou. Foi aumentando.
Torcia-se com dores!
Rangia os dentes. Acabou por desmaiar de dor...
O polícia do giro, viu aquela criatura caída.
Não o conhecia. Viu no entanto, uma tatuagem de guerra colonial, na mão subindo
pelo braço já meio descoberto.
Apressou-se a chamar a ambulância que pouco demorara.
Levaram o cidadão sempre inconsciente para o hospital.
A equipa de serviço observou o paciente. Logo foi diagnosticada a pancada.
A cidade continuava desperta e... assustada!
O retracto reconstruído de Luisa, já circulava nos jornais.
Afinal o jornal diário da cidade, até primava por dar relevo a situações insólitas...
Toda a gente comentava o facto... o estranho e entranhado achado do saco intrigava
e assustava o povo pacato duma pequena e calma cidade de interior.
O Natal como o ‘diabo tem sempre uma mão com que esconde e outra que mostra’,
a vida também tem sempre uma parte oculta e outra descoberta!
No bolso do casaco do doente, chegado inconsciente, ao hospital, havia alguns
papéis engordurados e calendários com mulheres nuas e... outras preciosidades...
Entre a papelada , encontravam-se dois bilhetes de identidade. Um deles, com foto
de Mulher!!!
Então alguém, alertou imediatamente:
- Esta foto é semelhante à da mulher assassinada que vimos no jornal, não vos
parece?
- Toda a gente correra, para confirmar, negar ou satisfazer a curiosidade.
Entretanto, alguém alertara a polícia que de imediato levantada a ponta do véu
investigava até aos últimos pormenores, toda a situação.
O doente ia recuperando aos poucos...
... agora o resto, já não era só com o hospital e os cuidados médicos...
... agora o resto era com os homens do crime, habituados à pesquisa e à insistência
para apuro da verdade.
Nem terá sido preciso grande trabalho neste caso, certamente.
Não sabemos.
Só sabemos que mais tarde, ao tratarmos de assuntos de natureza social, num
determinado estabelecimento prisional, alguém nos mostrava um homem de meia
idade, que ria e fumava animadamente atrás de uma grande grade...
- ... ao menos ali, tinha quem o entendesse.
Até se aprende aqui uns truques.
Um gajo aqui não se preocupa mesmo com nada para viver. Tem comida... roupa
lavada... televisão...
... e se for preciso, faz-se greve... faz-se uma revolta... dá-se um tiro nos cornos do
polícia – comentavam certamente entre si os presidiários, conforme confessam
quando saem...
- Só falta serem tomados ao ombros, como salvadores da Pátria... uns ‘Heróis’.
Ou então como nos contaram, que dizia um advogado muito empenhado em pôr na
rua, toda a espécie de malfeitores:
- Quando vou para o julgamento, já sei que todos serão absolvidos...
O Juiz já tem com ele passagem e hotel pagos, para oito dias no Rio de
Janeiro... Êxito assegurado.
- Exagero deste diz-se, diz-se... acrescentamos nós.
- Coitados destes gajos que andaram na guerra colonial.
Ficaram todos ‘apanhados’ e marcados, pela violência...
- Ficaram é apanhados da moca – comentavam algumas pessoas que ainda se
recordavam do macabro acontecimento da mala e da rapariga assassinada e
cortada aos bocados...
- Há quem afirme que os mecanismos mentais desses ex-combatentes, ficam
muito perturbados para sempre...
Foi assim, que o João nunca mais quis ir com a Mãe brincar, à beira do rio...
... nem sequer quer ser curioso a abrir sacos... Tem medo. Muito medo!
... A Mãe, essa até se arrepia toda, quando se fala no saco vermelho e preto, que o
João pescou à beira do rio, uma tarde morna de Primavera.
Lucinda Ferreira

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Medicos do mundo


Hoje vi uma pequena reportagem que falava do trabalho de amor que esta equipa,faz nos bairros com mais dificuldades e com os sem abrigo!


Das coisa boas , fala-se pouco, mas de facto o amor é uma força sem barreiras, que está vivo no coração de muitos humanos!


Comoveu-me.

Chorei.

E ...telefonei para 1 fone de valor acrescentado para poder contribuir, embora fosse algo insignificante.

Eles pediam 1 carrinha para adaptarem a um consultório.

Quem sabe alguém pode mesmo ajudar?

Maravilhoso aquele trabalho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais um gesto simples


Hoje ao gravar o meu programa, no Rádio Clube Português, em 98, 4, às 3f, entre as 13h e as 15h, dei uma pequena sugestão para quem quiser fazer algo muito simples ,mas que pode tornar alguém feliz, começando por quem pratica esse gesto...

A coisa é simples: escrever uma carta a um prisioneiro.

Quem sabe isso pode tocar a pessoa e...fazê-la pensar e até mudar?


A Cruz Vermelha desde 2002 , que apoia os prisioneiros de Guantámano!

Quem quiser , pode dirigir-se à Cruz Vermelha e pedir informações para prosseguir nesta acção.

E agora que começa a pairar no ar a magia de Natal , também se pode escrever um carta para alguém de uma prisão do nosso País.

O Natal pode ser todos os dias da nossa vida!


Conheço situações de agentes que cumprem o dever de apanhar malfeitores,mas que os tratam com respeito e até algum carinho.

A sua missão foi cumprida, mas eles não esqueceram que apesar de tudo, por mais que nos custe, todos somos irmãos.

Difícil?

Mas vale a pena ...tentar. Eu vou escrever.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A casa abandonada


A Casa abandonada

- História de uma casa –


Na encosta do pinhal, com um peso imenso de eucaliptos e tojos a caírem-lhe nas costas, a casa abandonada geme e sofre.
Parte das suas paredes já ruíram.
As heras invasoras cobriram a vergonha do abandono.
Primeiro, a medo, infiltraram-se nas fendas.
Depois foram-se assenhoreando de todo o espaço.
Hoje, uma manta de verdes, como retalhinhos de diferentes tonalidades da cor dos prados, enchem todos os espaços do que antes albergara alfaias e animais.
Parte da estrutura da velha casa de estreitos janelitos, ainda resiste ao tempo e à solidão.
- Vamos construir uma casita ali na encosta – dizia Tomás à namorada, nos dias de sonho, ainda solteiros.
- Ó Tomás, gostava mais perto da minha mãe. Ali, parece-me um pouco isolado.
- Tá calada Teresa.
Estamos à vontade .
Ali ninguém nos incomoda. A criação anda à solta. Temos a ribeira em baixo. Bate-nos o sol todo o dia. Estamos e temos tudo, à nossa maneira . Como Deus com os anjos.
- Vamos vendo por outros lados também, se não te importas.
- Está bem. Podemos ver, mas aquela leira que o meu pai nos dá, para começo de vida, valia a pena.

O namoro foi avançando, Teresa ficou grávida. Casaram um pouco à pressa. Era uma vergonha, se alguém percebia que a Teresa não ia virgem para o casamento. O falatório não perdoava.
- “Em vez da flor da laranjeira, aquela já leva as laranjas para a igreja”.- pairava no ar, à boca fechada…
E a coisa apressou-se.
Teresa perdeu todos os privilégios. Agora, só queria era salvar a sua honra. Não arranjar problemas para os seus pais que eram pobres, mas gente muito honesta.
Teresa não queria ser a vergonha da família.
O pai punha-a logo fora de casa.
No melhor pano cai a nódoa, mas o povaréu não tem contemplações.
E… um homem que se presa tem vergonha na cara.
A escolha de Tomás foi avante.
Já não havia calma, nem ambiente, nem tempo a perder.
A casa foi feita na encosta, à entrada do Porto da Vila.
Um homem quando casa, já tem que ter a sua casa.
Quem casa, quer casa, dizia Tomás para Teresa.
Entre os dez irmãos de uma família pobre e muito trabalhadora, a casa começou a avançar. Os carros de bois chiavam logo às cinco da manhã, acarretando pedras, cal, barrotes, telhas para a nova casa do filho do ti Bernardo.
- Ó Tomás, vocês ficam ali com um palácio!
E ninguém vos incomoda, naquele sítio. Livras-te de chatices. Ficas ali com a Teresa, sem ninguém se meter na vossa vida.
Depois , tens água para os mimos, lá na ribeira. Tens lenha para o lume, logo atrás da casa. Roças uma carrada de mato e estrumas a terra. -- Boa escolha - dizia-lhe o Nando, o irmão mais velho. E pronto.
Um quarto para os noivos, uma sala, outro quarto de costura e mais um quarto para o cachopo, quando nascer.
Por baixo, ficava a cozinha, a loja e a despensa. Ao lado, o pátio com os animais e um canto para o cão e para as ferramentas.
- A nossa casa é linda. O meu enxoval aqui até brilha, ó Tomás.
O casal lá se acomodou com os seus poucos haveres. Foi preciso comprar tudo aos poucos; os cântaros de barro, os candeeiros a petróleo, as louças, os bancos, uma mesa…
A casa sentia-se feliz:
_ Que bem me sinto. Que feliz sou com este casal amigo abençoando as minhas paredes. Se me caiassem ainda ficava melhor… Mas tenho de esperar.
O menino está quase a chegar… talvez depois.
- Uaá…uaá…uaá…
Cheguei. Sou o primeiro filho do Tomás e da Teresa. Venho enriquecer esta casa - dizia o bébé na sua linguagem, que a casa bem percebia.
É que as casas também têm uma alma. A alma desta modesta casinha era pura e lavada pela encosta da serra. Desinfectada pelo odor dos eucaliptos que a rodeavam. Embalada pelo som da água do ribeiro, cantando dia e noite, nos penedos que penetrava teimosamente sem parar, sempre correndo.
No inverno a casinha lamentava-se:
- Com esta ventania tão agreste, quase ficava despenteada e sem telhas. Ia tudo pelo ar. Que susto.
No verão, aqui virada para o sol na encosta, até estalo por todos os lados.
Se o fogo pega na floresta, que será de mim?
Que será da família que abrigo e protejo?
- Na primavera, consolo-me no meio dos fetos e dum solzinho doce que me aquece sem me magoar.
No Outono, também não é mau. Cá do meu canto, admiro as árvores carregadinhas de frutos.
No Natal e nas festas, até me assusto. Estou habituada ao silêncio.Com a matança do porco, que grande alvoroço! O animalzinho a chiar aflito, logo pela manhã, é que me faz estremecer de pena pela sua dor…Os homens, num grande alvoroço, fazendo festa à volta daquela morte. Que estranhos são os humanos! Até comem os seus amigos. Durante não sei quantos meses, conviveram com o seu porco. Agora espetam uma faca certeira no coração do pobre animal! E estão todos contentes!
Até deitam foguetes!
Mas o que eu mais gosto, é sentir-me útil.
Quando a minha dona esfrega o chão com sabão amarelo e aquela grossa escova, fico toda a cheirar a lavado.
Uma vez por ano, quando se muda a palha do colchão, o cheiro e a frescura dos cereais, inebriam-me a alma.
A casa da encosta aquando da sua construção, sentia-se jovem e muito amada.
Foi passando o tempo e continuava em pleno vigor, abrigando o casal, e os filhos que foram nascendo: quatro rapazes e três raparigas.
Já não havia onde meter tanta gente, mas todos se acoitavam nela, quando a noite caía de mansinho.
Durante o dia, pouca companhia faziam à casa da encosta. Os rapazes e as raparigas foram crescendo.
Cedo os rapazes começaram a namorar. Pensavam construir o seu ninho. Ali à volta, ou na terra da rapariga, ergueriam a sua casita.
As raparigas também partiram cedo, quase todas.
Umas casaram. Outras foram servir.
O Tomás e a Teresa, cansados, velhotes, foram ficando sempre fieis ao seu amor, à sua rotina, aos seus animais, à sua casa da encosta.
O velho Tomás era muito trabalhador. Pachorrento e de boas falas. Teresa era muito “trabalhadeira”, nervosa. Amiga dos animais e das flores.
A casa perfumada de flores, era um ninho de amor.
A casa da encosta gostava de se ver enfeitada, mas já se inquietava por ouvir gemer os velhotes sozinhos. Isolados.
A chuva entrava no telhado. Não havia quem compusesse nada. Subir para o telhado, o velho Tomás já não podia. Os filhos todos tinham partido.
Teresa punha uns alguidares a apanhar as beiras, porque chovia em casa como na rua.
O tempo implacável ameaçava. Não perdoava.
Um dia triste e sem sol, veio a senhora da morte e roubou Tomás à sua Teresa .
Ela chorou muito alto, quando lhe levaram o seu Tomás para sempre, para o meterem num buraco cheio de água e bichos.
Ela que tanto amara o seu homem e o ajudara, sempre sofrendo ou rindo a seu lado, agora tinha que o deixar partir.
Ficou para lá sozinha. Sem força. Sem vontade para nada.
- Olha, filha, a tua mãe não tem ‘tramengo’ para nada.
- Ó mãe venha daí, para minha casa.
-Não quero, filha. Não quero abandonar esta casa que vos viu nascer a todos e nos abrigou sempre. Construímo-la com tanto sacrifício e amor. Há-de ser Deus, quem me leva daqui.
E lá fazia a sopita com a couve que crescia no quintal, mesmo sem ser plantada. Comia o caldo com o pãozito que lhe traziam os filhos e guardava numa taleiga, dentro do moinho. Comia umas sopitas de café e marmelada. Com pouco se alimentava. Rezava alto na sua casinha. Falava alto para uma imagem que tinha pregada na parede, por cima da cama , para afugentar a solidão e até algum receio de estar só.
Rezava ao seu Santo António. Pedia pelos filhos, pelos netos…serenamente.
Rezava o terço e adormecia em paz, na sua casinha da encosta.
Numa noite igual a tantas outras, deitou-se e nunca mais acordou. Lá foram dar com ela, com um ar sereno e calmo.
A casa da encosta ficou agora sozinha. Silenciou-se tudo. Até o bater da bengala da Teresa no sobrado, se calou.
Vieram os filhos e levaram tudo o que era melhor lá na casa. Lá repartiram em harmonia o pouco que havia.
Agora também a velha casa da encosta previa a sorte que lhe estava destinada: ficar ali ao abandono…
E assim foi…
As silvas, as heras, as aranhas, o pó os bocados de madeira que se ia desfazendo aos poucos, o barulho do caruncho roendo o resto das madeiras erectas, eram a sua única companhia
- Já nem sei quem sou. Será que ainda sou uma casa?
E o tempo ia correndo.
Até que um dia, alguém cansado da multidão, da vida agitada da cidade, do estrangeiro, se enamorou da velha casa da encosta.
- Aqui é que eu e a minha família, estávamos bem, tranquilos…
E noites a fio começou a sonhar com o seu “ palácio”, reconstruindo a casa da encosta, apenas mentalmente…
Criando os seus animais, falando com eles vendo-os crescer, plantando uma horta verde, colhendo os frutos sem pesticidas, respirando o ar puro dos eucaliptos ali à volta. Descansar à sombra na ribeira, nos dias cálidos de verão.
Aconchegar-se ao borralho, nas noites frias de inverno.
Viver o silêncio.
Sentir a calma.
Escutar a chuva a bater na vidraça.
Aconchegar-se sob as cobertas e sonhar com mundos de paz, de justiça e harmonia.
A sintonia com a velha casa da encosta, fê-lo sonhar e reviver tempos passados…
Contudo, a vida tem altos e baixos, agitação e calmaria.
O nosso amigo que se enamorou da casa da encosta, mudou o rumo da sua vida
Instalou-se a discórdia na família. Morreram todos os sonhos, mesmo antes de nascerem.
Aquele seu projecto não cabia nos novos planos.
Então num gesto de fidelidade e carinho saudoso, de vez em quando, vai visitar a velha casa da encosta.
Faz-lhe promessas:
Conta-lhe segredos que só os dois conhecem.
-Será que ainda vou ser feliz? Reconstruída?
Quem espera desespera… - pensa a casa da encosta, que fielmente vai resistindo a muito custo, com ainda duas paredes meio erguidas.
Continua esperando.
Ela sabe bem que o amor faz milagres.
- Quem sabe mais tarde ou mais cedo, alguém se enamora de novo de mim?
Diz baixinho, suspirando a velha casa da encosta, enquanto aguarda coberta de verde e de saudade, que alguém dela se agrade… e a ressuscite em beleza e esplendor Algo que encha a alma de um poeta ou artista sensível, ou simplesmente um eremita.
Aquela casa abandonada, faz me sempre pensar no ciclo das nossas vidas.
Quando viajo no meu país, ou mesmo no estrangeiro, fico muito atenta às casas abandonadas. Elas imploram baixinho, mas com tristeza abafada, a nossa atenção, o nosso tempo e o nosso amor.
Afinal, tal como as cidades e mesmo todos os países, as nossas casas, todas elas têm uma alma!
Escute-a nas noites de Inverno ou na alegria da Primavera e fale com ela. Ela, tal como tudo o que existe, gosta e precisa que a tratem bem!
Adora que lhe digam, sentindo:
-Minha linda casinha, gosto muito de ti, sabias?
E quem é que não gosta de ser bem amado?
Seja muito feliz na sua casinha.
Faça dela o seu ninho de amor em qualquer circunstância da sua vida.
Assim casa e dono, serão bem mais felizes.

domingo, 22 de novembro de 2009

Da minha janela


O que hoje mais me impressionou no meu dia , foram 2 coisas muito simples:

as palavras de Luz de um sacerdote, que resumia tudo o que tenho buscado por todos os caminhos esotéricos, sabendo eu muito bem onde está a minha bússula...mas gosto de seguir o conselho : examinai Tudo e guardai o que é o Bem!

Dei graças a Deus por aquele Homem tão sábio e iluminado, nas suas Palavras.


Também me impressionou a alegria, a beleza e o sorriso do Padre Victor, cuja entrevista escutei na Antena Um.

Um jovem sacerdote, professor que canta e canta bem... Um jovem que ama a Deus e espalha a Sua Palavra como a maior paixão da sua vida!

Alegrou-me mt o meu coração cansado de crimes e tanto roubo e maldades.

Graças a Deus que há quem ofereça a sua vida para levar a luz aos outros e os ajudar no caminho do amoe da mudança interior.

sábado, 21 de novembro de 2009

Leveza e esforço







Tudo aquilo que nos exige um grande esforço, está fora do nosso caminho.



O Céu é leveza. É mágico.



A ternura do Universo sobre cada uma das nós, nas nossas vidas



É real.



Mas a liberdade das pessoas não entende isto e embirra , preferindo as escolhas do ego.



Quer controlar tudo e não percebe que luta com forças desiguais...






Depois é infeliz, porque não quer entender, nem entrar nos eixos.






Um dia , uma minha antiga aluna, licenciada em filosofia ,que encontrei já adulta, perguntei-lhe olhando-a nos olhos:



- Então és feliz?



- Não. Fujo de Deus ,porque tenho medo d"Ele. Das suas exigências.



Perguntei-lhe.



-Tens namorado?



- Tenho.



- Gostas dele? E sentes que ele gosta de Ti? -



-Sim.



-Então e foges dele? Tens medo das suas exigências?






Sorriu ,mas não respondeu.






Como podemos ter medo da vida que nos oferece tudo?!!!!!!!!!






Então a vida é como uma queda de água, livre e simples como a água que corre límpida. Transparente. Alegre. Cantante.



A nossa vida , também.



Quando deixamos fluir.



Quando percebemos que o que exige esforço , não é para nós. está fora do nosso caminho, podemos ter a bússula do labirinto da nossa vida.






A vida é para ser vivida com alegria. Prazer e bem estar, quando estamos nos eixos!



Quando encontrámos a nossa essência.



Escutar. Desapegar. Acreditar.


Actuar de acordo com aquela vozinha que gosta de nós e nos encamina para o nosso fim último. Para o que nos faz feliz.






Passar neste plano , servindo-nos de tudo com gratidão, sem esperar nada e agradecendo tudo!



E estaremos na abundância...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Hoje fiquei estupefacta!


Acreditam que sou cliente da Securitas Direct e que esta empresa, à qual pago pontualmente , mensalmente quase 30 euros , me onerou a minha factura com 139 chamadas de valor acrescentado?????????!!!!!!!


Fiquei sem palavras...


Dei conta do sucedido e aguardo que reponham esta situação no devido lugar.


Claro que dei por ela, porque tenho uma factura com as chamadas discriminadas .


Qual não foi o meu espanto quando vi num único dia, creditadas para eu pagar, 52 chamadas na minha conta!!!!


Nao há direito . Estou indignada


Esta faz me lembrar uma empresa que chamei para ver uma fechadura.

Estava tudo bem ,mas era melhor limpar a fechadura.


Tiveram que arrancar para a limpar...Não percebi por que não limpavam ali...e alevaram. Para pagar mais e terem que creditar duas deslocações (...)?


Quando pedi orçamento ,responderam que não sabiam .


De seguida pediram me uma quantia incrivel...


Disse que achava exagero e por motivo que não vou apontar, lá reduziram um pouco.


E como dizia há dias ,alguém:

andam todos a ... é só metermo-nos com eles.
Uns fazem issso na estrada..outros...


Ha coisas que até assustam mesmo!


Onde é que vamos parar...