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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Tempo


 Tempo
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Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.Dalai Lama



Na minha última viagem ao Canadá, onde passava temporadas, ligada à rádio, imprensa e outras actividades apaixonantes, visitei o Museu da Ciência, em Toronto.
Imensas apresentações de um interesse inesquecível.
Logo à entrada estavas a representação do Planeta Terra e a simulação do que estava a acontecer, com a inclinação do seu eixo, ocasionando por isso mesmo, o encurtamento dos dias.

Na realidade, já há muito que sinto, que o tempo, navio que nos conduz à eternidade, voa num ápice.
É manhã. De repente é noite. È segunda-feira. De repente é sábado. É Primavera. De repente é Inverno.
Fiz anos há dias. De repente estou de novo, a ter um novo aniversário…

 E não sou só eu a ter esta percepção.

Enquanto decorre a Juventude, ninguém sentirá isto. Muitas actividades aliciantes encobrem o fenómeno da rapidez da passagem do tempo, mas com o passar da vida, esta consciência vai emergindo mais vincada.

Aliás, não se parte de uma única vez. Vai-se partindo aos poucos, já que sabemos, que cada dia que passa é menos um dia para viver, e o fim se aproxima. Há um momento em que sentimos que estamos mesmo partindo, por esse sentimento fugidio se tornar mais intenso! E até ao vermos partir os amigos e os familiares, isso também se acentua.
O bebé nasce e passa um ano. Pois já tem menos um ano para viver!

Como nunca sabemos quando partiremos, quando menos se pensa, isso acontece… Ora se viveu mal, parte-se com um sentimento amargo.
Será que aproveitámos bem o tempo que nos foi concedido?

Na realidade, as novas tecnologias e as redes sociais são uma tentação, que  vicia sem dar por ela.
O computador é o que consome mais tempo das nossas vidas. O I pad e o telefone, com todas as sofisticadas funcionalidades, sempre a assinalar que alguém está do outro lado, nem se fala!

Na rua, vemos as pessoas ao telemóvel.
Os acidentes de automóvel que acontecem, devido ao facto do telemóvel ocupar a atenção do condutor, nem se fala. Nem à mesa, escapa o emprego constante do telemóvel, num desrespeito absoluto, por esse lugar  sagrado, em que muitas vezes, apenas uma vez por dia , se encontram as pessoas da casa (já nem sei se família (...). Num grupo familiar entre pais , filhos , netos e avós , então brada aos seu céus. Todos estão ocupados com os ausentes. Ninguém comunica entre si.

Se os mais velhos também não estão teclando, o mais certo, estão mais tristes e sós, que se estivessem ali sem alguém, pois na realidade, estes não estão ali!

Na rua, acontece o mesmo. Todos caminham de telemóvel no ouvido, conversando e falando em alta voz. A atenção ao momento presente é impossível, embora seja o mais importante para termos consciência por tudo o que somos os únicos responsáveis.
Os diferentes sons de chamada, nos actos de culto, ou nos sítios mais incríveis, incomodam toda a gente.
Enfim, os efeitos das radiações com os seus prejuízos, a dispersão, o desgaste de energia e o facto de se ser comandado pelos outros, não inibem as pessoas de se dispersarem a todo o momento, em todos os lugares.

 De qualquer modo, o que acaba por ser pior é a desorganização. O desgaste e a perda de tempo, que não é usado no essencial,  o que causa um empobrecimento humano inimaginável para a maioria que nem sabe o que veio fazer a esta dimensão, Terra!

A disciplina torna-se por isso, imprescindível.

Alucinação. Adição. Dispersão. Inconsciência alastram, sobretudo nos mais jovens.
Onde está o tempo para a reflexão?
·      Para o autoconhecimento?
·      Para a leitura?
·      Nos menos jovens, para ajudar e ver crescer os filhos? Amar o seu cônjuge? Centrar-se nos seus objectivos?
·      Para viver a sua própria vida, sem se deixar usurpar, num dos privilégios mais importantes que lhe concedido: o tempo?
·      E por razões de saúde e pelo que todos sentis em vossas vidas, que nem precisamos referir.
…………………………………………………………..
·      Claro que é bom e necessário comunicar. Naturalmente, que a internet é algo precioso em nossa vidas e até profissionalmente, mas tudo sem ser compulsivo. Viciante, sem dar exemplos ao mais pequeninos, que já embarcaram também nessa prática.
·      Coitadinhas. Já nem sabem brincar. Já não jogam à bola, nem ao pião. Nem à macaca, nem ao lencinho, nem aos reis e às rainhas, nem à cabra cega…. Já não vão ao jardim, andar de bicicleta. Os pais e os avós e sei lá quem mais, dão-lhes telemóveis. Consolas. I pad, sem qualquer controlo, num acto criminoso. Assim como, pôr bebés, frente à televisão, para não serem incomodados. Poderem beber o seu Uísque. Ler o jornal ou (…) teclarem eles também, nas redes sociais e até jogando … etc ....etc … etc…

·      A família desaparece. Ninguém conversa com ninguém. Não há laços entre quem vive na mesma casa.

·       Os pais levam os meninos para as creches para se desembaraçarem daquele frete.Eles retribuem mais tarde: levam os pais idosos, para os lares para aí morrerem, na solidão afectiva mais cruel.

·      Tudo isto para termos a consciência, que a vida voa!
·       De repente, a licença acaba e tendo vivido como acéfalos. Descontrolados. Desequilibrados. Sem qualquer opção espiritual, em vez de evoluirmos, involuímos.

·      Que herança deixamos aos que nossos vindouros, tendo os deixado ver filmes de violência, sem comentarmos com eles absolutamente nada, porque não tivemos tempo?..

·      O tempo torna-se o valor mais precioso, que podemos oferecer a quem amamos de verdade!

·      Sem conversarmos com as crianças, nem brincarmos, porque não tivemos tempo. Sem termos conversado à mesa, ou mesmo quando iam dormir, também nenhum valor lhes transmitimos aos vindouros, porque gastámos mal o tempo, que contas daremos deste bem precioso : o tempo de vivermos?


·      ………………………………………………………
·      Sem mais palavras fica apenas uma suave advertência , em forma de aviso…
Poema de João de Deus
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!
Coimbra, 25 de Setembro 2018 …..Lucinda Ferreira

O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.Fernando Pessoa

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