quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Christmas Blues e não só…

Christmas Blues e não só...






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Estamos sempre indo atrás das coisas "melhores", mas às vezes esse melhor nunca será alcançado. Dar valor para o agora e para as pequenas coisas boas, nos faz ser gratos pelo que já temos.






Muitos carregam no mais íntimo do ser, consciente ou inconsciente, sentimentos de desânimo. Abandono. Desamparo. Angústia Não pertença. Solidão. Tristeza, sem motivo aparente.

Os dias que antecedem as festas natalícias e nesses mesmos dias, a dor aflora. Uma certa nostalgia pesa na alma de algumas pessoas. Desenha-se um quadro depressivo, por vezes.

Pessoas sensíveis que sentem que o Natal não são comezainas. Troca hipócrita de presentes. Encontros forçados e pouco verdadeiros, páram e fazem o balanço, penetrando no sentido desta época..
O Natal, de um profundo significado, traz uma carga de Amor. Dádiva. Trocas afectivas, preciosidades que nem sempre acontecem…
Ora, nesses momentos, para alguns indivíduos pode ressaltar a dor de não se sentir amado. Acompanhado.

O vazio provocado por falta dessas trocas afectivas, emerge!

Hipócrates, 2600 anos A.C., já referiu esta melancolia e outros sintomas, que se aproximam da depressão que hoje apoquenta tanta gente.

“A depressão, estado patológico de sofrimento psíquico, com gravidade de ânimo, tristeza, sentimento de menos valia e sensação de impotência para trabalhar e pensar.
Pode ser causada por traumas emocionais, envelhecimento ou ser consequência de predisposição genética (…) Verifica-se “uma alteração na comunicação entre as células cerebrais, neurónios, realizada, principalmente, por dois neurotransmissores: a serotonina e a noradrenalina. (...)
Os especialistas chamam depressão a algo muito mais grave do que sentir-se triste, eventualmente, pois o indivíduo não consegue ter controle sobre o seu estado emocional”.


QUAIS AS CAUSAS DESTA REALIDADE?
·      Além do referido já, a vida moderna, agitada, a competição feroz, as pressas, a ambição, a comparação com os vizinhos e conhecidos, vai cortando laços. Apagando vínculos. Afogando afectos.
·      O inevitável olhar para dentro de si próprio no Natal, traz lembranças. Saudades de entes queridos ausentes, que já partiram ou não (…). A falta de crença em Deus cria o desespero. O vazio, num distanciamento do real objectivo e significado deste tempo: comemoração do nascimento do Deus Menino, há 2017 anos!
·      Sem sentido algum que não seja o consumismo desenfreado, a figura do Pai Natal tenta substituir o simbolismo dos presentes que Jesus recebera.
·      Consolador, o crente sabe, no fundo do coração, que nunca está só. Abandonado. Muito menos condenado a um eterno sofrimento. Está sim, num caminho de crescimento espiritual, aceitando as provas, aprende lições. Evolui na alegria, na esperança que o amor carrega em si.
·      O crente sabe quão perigoso é a mente em desequilíbrio.
Por isso, busca sem cessar, a harmonia do pensamento e da acção. Sabe que o ego imaturo se frustra facilmente. Assim busca a evolução. Sabe que a vida não corresponde às expectativas infantis. Tenta entender os processos nem sempre fáceis, que vêm ao seu encontro,respondendo com acção produtiva.
“A fé transformadora é luz que clareia os nossos territórios íntimos”.


Se a postura desviante comete irregularidades, colhem os seus frutos, que no mesmo espírito de imaturidade, tenta corrigir com pílulas, no intervalo do al-cool e das comezainas. E como pode depois alguém queixar ou suicidar-se?

Com certeza neste contexto, a depressão instala-se.Chega, como imaturidade emocional.
Falta o tempo para escuta do interior. Conectar-se consigo mesmo. No burburinho das correrias, nada se ouve. O equilíbrio rompe-se, incompatível com a vida leviana, sem concentração no essencial, que é conhecer-se. Cuidar-se, em equilíbrio.

·      Tudo se embrulha. Sobrecarrega. Fracassa.
·      Impotentes. Sem rumo, as pessoas são engolidas pelo stress e descontentamento. Insatisfeitas. Acabrunhadas. Frustradas, torcidas sob a culpa, acusam ainda os outros, pelos seus fracassos. Surgem as cobranças. A doença. As guerras.
·      Por fim, deprimem!
·      Muito mais a haveria a acrescentar, mas o que queremos hoje, é deixar algumas sugestões para evitar ou vencer este tão grande incómodo. Sofrimento.
(Queremos  mandar embora a dificuldade de fazer as tarefas quotidianas mais simples, sob grande esforço. A ansiedade. A tristeza. O choro. A irritabilidade. A pressão no peito. A insónia. A perda ou ganho de peso. Dores de cabeça. Dores de estômago, costas ou pelo corpo todo. Falta de poder de decisão. Falta aparente de amor pela família. Etc. Etc .Etc…Quem passa por estas situações sabe bem o que sofre…)


Ora como lidar então com a Christmas Blues e ou depressão habitual?
·      O autoconhecimento (algo em que vimos insistindo sempre) tem aqui, um papel muito importante, para debelar estes males de que todos querem livrar-se.
·      Auto conhecimento trará uma nova atitude. Posicionamento perante a vida e de si próprio.

·      A primeira condição, para se sentir confortável, é munir-se de uma grande CORAGEM, para enfrentar todas as mudanças que se impõem.
·      Ao querer assumir o comando da sua própria vida, tem que reconhecer as suas fraquezas. Necessidades. Carências. Tem que entender o que está a acontecer, distanciando-se da sua dor. Buscar uma nova maneira de ser. Pensar e agir.
·      Realizar escolhas. Vencer medos. Aceitar perdas e lidar naturalmente com elas. Fazer opções diferentes das feitas até ali.

·      Em caso extremo e de grande exaustão, pode ser necessário tomar alguma medicação ou ter ajuda de alguém, para reequacionar. Potencializar. Fortalecer todo o processo, desse seu mundo anterior, atribulado. Sofrido, que nunca deve ser menosprezado (…), abandonando todos os tabus sobre este tema sério.

·      Ao traçar novas metas, projectos de vida, tem que se reorganizar. Corrigir atitudes. Descobrir estratégias que reforcem a sua nova maneira de estar e de ser. Adequar-se a novos factos.
·      Quem sabe, terá que trazer para o HOJE, a emoção e o entendimento do que aconteceu no passado distante ou próximo, e o magoou ou perturbou.
·      (”Nem tudo na vida é como a gente espera. Altos e baixos são coisas do dia a dia e se formos nos abalar com tudo de ruim que acontece, não saímos do lugar. Por isso, apreciar as pequenas coisas nos faz ter alegria para continuar seguindo em frente.”)
·      Ter consciência de que “a neurose é uma mentira esquecida, na qual ainda acreditamos”.
·       Lutar para se libertar deste engano pernicioso, é preciso.
·      Se este Natal foi tempo de trevas, que tenha sido o último. A porta da alegria. Do equilíbrio. Da harmonia abre-se para todos.
·      A chave é : HUMILDADE e PACIÊNCIA, numa reprogramação de auto ajuda e autocura conscientes.
·      ………………………………………………………………………………..
·      Está disposto a amar-se? Ser feliz, com coragem?
·        Viver é maravilhoso, mas exige que nos enamoremos da vida! (A paciência torna mais leve o que a tristeza não cura! Horácio)


Coimbra, 28 Dezembro 2017
Lucinda Ferreira

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