quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uma questão de saber ou de sabor?


Questão de saber ou de sabor?



“ Na juventude aprendemos. Na velhice compreendemos.”
Anónimo



Soube esta semana, que ao sábado, no Jardim Botânico em Coimbra, havia um mercado especial.
Como me interessava adquirir produtos biológicos, para uma alimentação rica em qualidade, fui lá fazer as minhas compras.
Achei interessantíssimo o ambiente.
Todos os compradores conversavam uns com os outros afavelmente.
Fez-me lembrar a Feira , na Vila, quando eu era criança.
Na Feira, local de reunião do pessoal dos arredores da Vila, se abasteciam para toda a semana.
Também era um momento de pausa, para aos montinhos, se conversar e pôr as novidades em dia.
Casamentos. Mortes. Doenças. Vinda de um parente “brasileiro”. Negócios. Má língua e até havia quem fosse para arranjar namoro…
Toda a gente se conhecia.
Aqui, no Jardim Botânico, era assim também.
Tratavam os vendedores pelo nome.
A Rosa, uma mulher de meia idade, muito despachada e simpática, sabia o valor dos alimentos . Dava indicações sobre os sites a visitar, para se conhecer melhor os benefícios deste e daquele produto, entre eles a batata doce.
A maioria dos clientes eram estrangeiros, de todas as nacionalidades. Todos saiam contentes de sacola cheia.
Havia também uma gentil vendedora alemã, Beatriz, que trazia um legume desconhecido, para diabéticos e que sem glúten, substituía a batata.
Para quem quisesse cultivar, havia também pequenos vasinhos com plantas aromáticas.
Depois de conversar com algumas pessoas, já conhecidas , outras que certamente vou encontrar de novo, lá fiz as minhas compras.
Estava desejosa de provar os produtos.
Fiz o almoço. Confesso que me parecia o mesmo sabor das nabiças do nosso quintal , quando era pequena.
Na realidade tudo tinha um sabor e até um odor bem diferente dos produtos do supermercado, no que concerne a legumes e frutos cheios de pesticida e criados com muito adubo, em regímen de latifúndio, certamente.
Recordo-me de alguém ter dito , nos arredores de Lisboa, que criava as alfaces para venda, em três semanas. Carregadas de químicos, é claro.
Nesta cadeia alimentar , tudo entra no nosso organismo. Tudo se transforma em energia ou tudo pode causar grandes danos.
Mas será que deixa marcas na nossa saúde e faz estragos, a agricultura transgénica, apressada , carregada de pesticidas e químicos?
Acredito que sim.
Na realidade foi muito agradável, ter ido a este mercadinho onde as pessoas , escolhidas a dedo, têm uma atitude diferente em tudo.
Têm carinho pelos vendedores. Acham que eles são preciosos ao trazerem este produtos saudáveis , ainda que bem mais caros.
Que não se pode deixar morrer esta agricultura na nossa Terra.
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Conversam com simplicidade umas com as outras, porque unidas, no caso, pela escolha dos mesmos alimentos. Pela mesma atitude perante o bem mais precioso que é a saúde, optam por produtos biológicos.
O sabor é outro, mas também não sei se todas as pessoas sabem, que existe esta possibilidade de escolha.
Para mim , foi de facto uma questão de saber e de sabor.
Completando este encontro no Botânico, tive que ir ao Porto , num pulo.
No Bom Sucesso, o restaurante com comida vegetariana estava completo.
Esperando um bocadinho , lá almocei deliciosamente sem qualquer agressão , creio para o meu regime.
Talvez tenha comido demais…Estava tão gostoso.
Soja, legumes variados , ovo, um sumo natural, feito ali à minha frente. Tudo apenas por seis euros e cinquenta.
E a mesma atitude do Jardim Botânico:
gentileza e afabilidade entre as pessoas que serviam e as que eram servidas e conviviam .
Uma energia agradável paira no ar.
Na realidade, pensei mais uma vez: de facto é uma questão de saber e de sabor…

linmare@edicomail.net

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