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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Viajar por dentro do tempo e do espaço...





Viajar por dentro do tempo e do espaço...
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A lembrança da infância é o único sonho real que nos resta na fase madura da vida, os demais são meras utopias.


Como cada dia é sempre dia de qualquer coisa, hoje para mim, é o dia de RECORDAR..Viajar por dentro de mim em direcção a um espaço e a um tempo que só eu conheço.

Aprendi a falar menos, para escrever mais.Para dizer a verdade, não me dá menos prazer…

No meu tempo de Criança não havia antibióticos.

Mal punha os pés no chão frio, ficava com anginas.
Um febrão.Dores de cabeça e pontinhos brancos na garganta.
 Uma tia velhota dava-me uma zaragatoa sem piedade enquanto repetia: "É para ficares boa" e..tinha que aguentar.Pincelava com tintura de iodo que ardia e me fazia “ vomitar as tripas”!

Ficava quinze dias de cama, mas na cama de meus pais, de dia. Era um direito que me era concedido por estar doente e poder ficar  numa cama mais larga, com as minhas bonecas de pano que eu fazia e com quem conversava imenso. Levava-as ao médico, à Escola...

Quando estava doente, a minha Mãe fazia o sacrifício e comprava-me uma boneca de papelão.
 ( Um dia esqueci-me e deixei-a no pátio. Choveu de noite. De manhã a minha boneca estava desfeita. .Fiquei muito triste e chorei  pela minha "filha".)
A Mãe escondia-a .Depois dava-ma em ocasiões especiais, quando estava mais sofrida. Como era delicada e sabia fazer surpresas…

A febre não baixava. Delirava. Sobretudo lá para a noite, a febre subia muito. Parecia que muitos pássaros me picavam na cabeça…E ainda não conhecia a história... Os Pássaros de Daphne Du Maurier sobre a qual em 1963, Alfred Hitchcock realizou o filme de suspense ainda hoje apreciado.

A minha Mãe querida era tudo na minha vida.Dona de casa, trabalhadora dentro e fora de casa, e ainda era a minha enfermeira dedicada.
 Lembro-me que me esfregava com álcool e isso me aliviava muito.A febre baixava.

Como as ideias surgem em cacho, recordei hoje estes factos, ao ir às compras.Na realidade, os sentidos despoletam e dão-nos acesso às recordações. São os cheiros .Os sabores.O tacto.Os sons.As imagens...Neste caso, talvez  reminiscência inconsciente tal como Marcel Proust ...À procura do tempo perdido...

Olhei para a pescada, marmotas, que costumo comprar à procura daquele sabor que tinha o peixe com o primeiro feijão-verde e uma batatinha nova dos nossos canteiros que eu ajudava a regar.

Quando estava doente, a Mãe comprava-me pescada á Senhora Ilda Peixeira, que vinha a Coimbra duas vezes por semana, comprar peixe fresco. Com uma cesta à cabeça , que hoje não sei como se segurava tão direitinha, ia à nossa porta vender.

O sabor daquela comida era tão especial que ainda continuo à procura dele, mas em vão…

Os cheiros e os sabores mudaram ou fui eu que mudei, mas aquele gostinho nunca mais o consegui esquecer…Nem repetir.

Às vezes sozinha , tenho vontade de comer, mas não sei o que hei-de cozinhar.Então recordo-me da comida simples de que tanto gostava e que a minha mãe fazia sempre com muito amor . Aquela energia de disponibilidade e de fazer sempre o seu melhor, são impossíveis de reconstruir até porque ela já não está entre nós.E que saudades, Deus meu!

Quando vinha mais tarde para casa,porque andava por fora ao serviço do Ministério da Educação de onde recebia o dinheiro para alimentar toda a Família, ela estava sempre à minha espera.
Sentava-se ao meu lado, fosse a que hora fosse e esperava que eu acabasse de comer. A comida estava sempre quentinha.

Um dia ela estava a cozinhar e nas minhas traquinices de criança, toquei-lhe no braço que levava uma vasilha com água a ferver!
Queimou-me nas costas.Lembro-me de como eram horríveis aquelas dores.

No Hospital local, mostravam-me um boneco, o Teimoso, para me distrair e poderem espremer-me as “borbulhas”.Magoavam-me muito. O sangue saltava para as batas brancas.Eu chorava assustada, cheia de medo!

Foi o meu Pai que escrevia as cartas e ajudava toda a gente e sabia muito sobre mezinhas, que fez uma pomada caseira ( de que ainda sei os ingredientes e a fórmula) e me curou.
Lembro-me ainda hoje da sensação de frescura que aquele remédio caseiro me causava.

Tudo era natural e vinha da Mãe Natureza. Não tinham compressas nem outros materiais.Desinfectavam tudo com álcool ou água a ferver.
Usavam uma folhinha de uma erva chamada Língua de Vaca que cresce muito e come as outras plantas. Há tempos, uma semente trazida pelo vento fez crescer uma dessas plantas no meu jardim. Como a estimei e me lembrei como fora ela benéfica para mim.Reconheci-a. Falei-lhe.Agradeci-lhe com amor!

Aliás ainda não lhes contei, mas beijo o aveludado das minhas flores quando abrem.Converso com elas.No meu jardim há sempre algo a florir…E como já disse há tempos,quem tem um Jardim e uma Biblioteca já nada mais lhe falta!

Voltando à minha infância, recordo de como as “bichas” eram um terror que me obrigava a tomar óleo de rícino, como purgante.
 Para beber aquela coisa péssima de engolir, tinham que me ameaçar com a Guarda Republicana que me levava presa. Ficava assustada e quando depois mais tarde passavam lá à porta ou os Ciganos ( De tempos a tempos passavam em carroças bandos de ciganos e nós , as Crianças, tínhamos muito medo deles.Por vezes fixavam-se por lá uns tempos e no início eram muito correctos , mas quando estavam para partir , “faziam sempre das suas”), Nós, os mais pequenitos, escondíamo-nos…Debaixo da cama.

Quando estava mal da “barriga”, a Mãe levava-me à Senhora Glória, uma senhora desdentada , com umas grandes argolas nas orelhas e que morava na Cova do Cume.
Era muito boazinha para mim e tratava-me.Quando voltava para casa já vinha boa.
Deitava-me de costas e com azeite morno esfregava-me a “barriga”com movimentos circulares muito suaves que ainda hoje “sinto”.Lembro-me que ficava muito aliviada. A Senhora Glória Também cortava o “cobrão” e “endireitava a "espinhela". 

A minha Mãe aprendeu com ela e depois fazía-nos em casa quando precisávamos , pois isto era extensivo aos adultos .

 Minha Mãe, mais velha sete anos do que o Pai, era muito amiga dele .Cuidava-o com todo o cuidado, pois era mais saudável. Inteligente e muito sensível.

Minha Avó morrera de parto. O Pai morrera na guerra de Espanha… A minha Mãe crescera muito desamparada.

Aprendeu a ler sozinha!

Ensinou outras amigas a ler e a escrever. 

Tínhamos sempre as jarras enfeitadas .Hoje recordo a graciosidade como armava um ramo, por intuição naturalmente.

 Bordava muito bem.Os bordados eram a sua paixão. Assinava revistas das quais ainda conservo algumas.

Amava os animais e as plantas com uma deferência e carinho que me tocaram e me fizeram o que hoje sou.

O amor que deu a todos nós e aos meus filhos em particular (Eles estão aí para o testemunhar e guardam essas marcas…) são o mais belo Poema Vivo que alguma vez alguém poderia escrever e imprimir com afecto e dedicação para sempre nas nossas almas!


Agradeço por todas as vezes que me fez sorrir…Às vezes só percebemos a importância de um momento, quando ele se torna apenas uma lembrança…

 “Lembranças da infância são incomparáveis. São experiências desejadas e vividas.Momentos de uma época das mais confortáveis.Estímulos de amor para resto da vida.”Djalma CMF





terça-feira, 19 de maio de 2015

Exercício?...


..

imagens da net

Colecção: Textos e pretextos


Exercício?...




Não adianta tirar conclusões por coincidências. O enigmático é que tudo está escrito na força do pensamento.Lucas dos Santos de Oliveir



Perguntaram um dia ao Padre Fanhais que acabara de cantar uma linda canção de amor da sua autoria, se aquela composição tinha destinatário.Ele respondeu simplesmente:”Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça”.
Então,quem souber ler (…), que leia.E intuição é coisa que não te falta.


Se hesitei em te escrever?Acho que não.Comunicar é uma das minhas paixões que até já te confidenciei.Tu sabes bem isso há muitos anos.E já agora digo-te: guardo comigo, coisas que me disseste que um dia te poderia repetir.


És uma bateria de energia.Tão afectivo quanto susceptível? Também és.

Vou deixar a minha alma esvoaçar ao vento, envolta em véus como tanto me apraz.Expressar um gesto de carinho.
Sonhar nunca fez mal a ninguém. Se entenderes, só tens a ganhar. Se não entenderes, continuarei a criar. A ser. A amar o sol. As flores. Os animais. A beleza. O conhecimento.A fotografia. A Natureza. As coisas simples.A cantar.A alimentar a paixão de viver!
Converso “eu com  eu” interminávelmente. Até me sabe bem, confesso.


Enganam-se os que pensam que lá por se ter mais idade cronológica homem ou mulher, a alma não tem capacidade de amar.De partilhar. De dar carinho. De escutar e entender a dor de criança que o outro carrega no seu peito e que pode ser igual à nossa e não há a quem expressá-la (…) porque não temos a quem a dizer. “Não se dão pérolas a porcos”…


Sós, afogam-se as pessoas no trabalho.Outros no pessimismo e na inacção.No alimento, por vezes.Em gestos diversos.E corre-se…Corre-se.Chega-se cansado.Por fim depois da “festa”.Do êxito Do sucesso… Fica-se sozinho.
Existe poder.Alcançaram-se objectivos profissionais Tem-se isto e aquilo, mas não existe o essencial. Às vezes já nem se acredita que isso ainda possa existir para si próprio.A pessoa contenta-se não com o néctar que é o amor.A partilha A comunhão, mas com gestos que se compram e se esquecem logo de seguida.
Existe, sim senhor, esse refrigério.

O tempo é um cadinho miraculoso,uma espécie de peneira que só deixa passar o que é importante e olha-se para o lixo e deita-se-o fora.Não mais se quer na sua vida.Pensa-se no tempo que se perdeu.Em tudo que se fez. Umas vezes ter-se-á revisto nas suas acções. Outras ter-se-á arrependido, mas lá está: “um homem não é de pau”.Aprendeu-se a vida, "levando nas orelhas". Aprendeu-se sozinho com muito trabalho e esforço. Às vezes com humilhação. Construiu-se um império, porque se trazia escondido no peito muitas manhãs orvalhadas e azuis de frustração.Desejo de construir.Ser!
Como sei essas coisas?Por as ter vivido também…

Não andei descalça, como muitos andaram,mas tenho abafado no peito “o pão que o diabo amassou” e nem por isso deixo de ser uma “mulher de grandes paixões”, como algum dia me gritaram.
E como ainda não me fui embora, as coisas vão-se refinando e apurando. Vamos tendo consciência do que se viveu e do que de sagrado ainda guardamos em segredo.

O que tenho a dizer-te nunca mais acabaria.Em longos serões para escutar as tuas aventuras e histórias ou enquanto passeamos ao longo dos trigais, de mão dada como duas crianças brincando.Rindo com humor e graça despreocupada.
Nos dias de céu cinzento, olhava-te.E o azul renovava-se dentro de mim.Vestia-me do verde dos campos e punha flores no cabelo para me achares linda.Talvez até cantássemos as mesmas canções, descontraídos e felizes.

 Pois é. As relações mais íntimas são feitas de cumplicidades ao longo do tempo.Coisas simples que se descobrem no outro, onde tudo acontece sem esforço.Onde se integram até os defeitos que se aceitam, só porque sim.

Desculpa quando não esperei por ti. Fiquei com muita pena e até me arrependi.Acho que nem descansei como devia por causa disso.Estava cansadita pelo que te contei.
Receio a insónia como um papão. Ela já me fez sofrer muito.Não quero enlouquecer por amor.

Às vezes atrapalho-me...Penso em ti sem saber bem o motivo Se queres saber, gostava de te conhecer melhor. Poder dar-te espaço, para te escutar e partilharmos ainda muitas alegrias.

Para mim, os afectos não têm idade. O encontro e o clic mútuo acontecem

quando menos se espera. Se isso não acontece,  nada há a forçar.

Acima de tudo, és o meu labirinto preferido.e isso vai inspirar-me.De certeza que

vais entrar no livro que estou escrever.

Um homem e uma mulher só envelhecem quando deixam de amar!

Morre-se quando nos abandona a capacidade de sonhar…

Se fico à tua espera ou não, não te digo…


A mulher é complicada.Nesse mistério está um pouco do seu encanto.

Cuida-te bem por favor.

Adeus!

Ela era interessante. Um olhar enigmático, um jeito cativante que dizia muito, mas poucos a entendiam. Seu sorriso era versado, um verdadeiro soneto ecoava na doçura de sua expressão. Ela era um poema completo, e como todo poema, era incompreendida por muitos, e apreciada por quem a sentia no meio de tanta confusão. ;)Sean Wilhelm


 Adeus, com carinho!...


Ela era interessante. Um olhar enigmático, um jeito cativante que dizia muito, mas poucos a entendiam. Seu sorriso era versado, um verdadeiro soneto ecoava na doçura de sua expressão. Ela era um poema completo, e como todo poema, era incompreendida por muitos, e apreciada por quem a sentia no meio de tanta confusão. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O mundo a teus pés...







O mundo a teus pés...
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O mundo a teus pés…



O Homem é o retrato da Humanidade. Cada homem que melhora o seu interior eleva o nível do todo.
Todo o pensamento. Palavra ou gesto se expande até aos confins do universo, como a ondulação de um lago que só morre no limite do mesmo, quando se atira uma pedra.

Daí a nossa força.O nosso valor único.A nossa responsabilidade por cada opção pessoal.

Falemos hoje de insatisfação e plenitude.

A insatisfação é uma boca permanentemente escancarada. Um abismo sem fundo. Uma amplidão distante, feita à medida da nossa  ilusão que nunca pode ser preenchida.Um martírio que é estigma.

Quem é que nunca se sentiu insatisfeito?Incompleto?Com tanta coisa para fazer que nunca mais terá fim?

Nunca está tudo acabado. No lugar que devia estar.

Gera-se ansiedade. Culpa.Dúvida.Medo. Cansaço. Uma roda-viva imparável que empurra para a acção. Realização. Para fazer sempre mais qualquer coisa em busca da plenitude.

Esta foge.Cada vez fica mais distante! Inalcançável!

Isto obriga a correr sem descanso.´
Em estado de alerta permanente. Disponível, as pessoas sabem que alguém está sempre aberta e pronta para fazer o que se lhes solicita.

A vida corre apressada. Sem sabor. Sem tempo para o essencial.

A causa e o remédio onde estão?

A causa é que se pensa que o centro da nossa vida se situa apenas no FAZER. No exterior.
Advém da tentativa de estar bem.De ter de se cumprir tudo o que pensamos que tem que ser feito.

 O que sucede é que essa agitação gera mais actividade e sempre uma insatisfação crescente.
Além dos outros que abusam dessa disponibilidade. Exigem e esperam acção, o que cria mais culpa e insatisfação.

Quase nos tornamos máquinas…

Os instrumentos produzem sem parar.É só carregar no botão, quando programadas por quem parou.Pensou.Estudou.Teve que ser atento e sabedor para “fazer”.
..................................................................................................................

Qual o remédio para quebrar este “enguiço”? Este fadário?Este erro?

Questionar-se em primeiro lugar.Querer mudar!

-Por que razão terei que ser sempre eu a ter de fazer tudo?

-Não ganharia mais se parasse?

- Interrogar-me interiormente, sem temer a necessidade de ter de ser coerente e procurar descobrir as causas da minha insatisfação?

A solução está a um palmo de cada um de nós.É só

querer.Fazer a agulha na direcção certa.Escutar o silêncio é imprescindível.


É certamente a plenitude que se deseja alcançar…

Essa sensação tranquila de estar bem. 

Completa. Inteira.

Que se está onde deve estar.Sentir uma paz tal em seu íntimo 

que realiza tudo o que necessita , debaixo de uma alegria e de

 uma calma doce e reconfortante.

A plenitude não corre. Não foge de si própria nem do momento

 presente.

Quem está pleno é sereno. Só tem que ser quem é.Concentra-se em ser…


Ao escrever este texto lembro-me quando Jesus Cristo foi a casa de Lázaro.Marta corria afadigada. Maria ficou tranquila 

sentindo o perfume infinito da presença do Mestre.

Maria fez a melhor opção.A irmã afadigada, criticava a calma

 de Maria, no entanto o Mestre valorizou e deu-nos como

 exemplo a escolha de Maria.



Repara-se quando se opta por SER em vez de fazer, 

inconscientemente os outros sentem que cada um tem que fazer a sua parte.

 Param de exigir seja o que for, libertando de culpa e imposição o outro.

Como conclusão para simplificar, pois muito mais haveria  dizer:

·       Constatamos que o peso da culpa e as pressas são devastadoras.
·       Saber que para SER não é preciso fazer. Escutar o silêncio é imprescindível
·       Concentrar-se em ser no mais recôndito de cada um de nós , é a maior urgência das nossas vidas!
·         Treinar o desprendimento e as ordens do ego orgulhoso.Manhoso e tudo o que na matéria nos afasta da verdadeira identidade de todo o ser humano –um ser espiritual a fazer uma experiência na matéria- é o caminho para ter o MUNDO A SEUS PÉS NO QUE ISSO TEM DE GERADOR DA VERDADEIRA ALEGRIA!
·       O amor é a perfeição da consciência, eis o segredo…


1 de Maio de 2015  Lucinda Ferreira

quarta-feira, 22 de abril de 2015

ESPELHO MEU...


Textos e pretextos


ESPELHO MEU!
 (Texto de Lucinda Ferreira)

imagem net






"A rosa é uma rosa desde o momento em que é uma semente até o momento em que morre. No seu interior, em todos os momentos, ela contém todo o seu potencial. Ela está em constante processo de mudança, e cada estado, em seu devido momento, é perfeitamente correto"(Tim Gallwey)




primeira vez que tive conhecimento date segredo  tão importante: tudo aquilo que atraímos é apenas o que temos dentro de nós-,porque o que está fora é igual ao que está dentro, isto abalou-me. Custou-me a aceitar.Fez me pensar.
Andei um tempo a tentar compreender para poder integrar no meu íntimo.
Um dia fez se luz.

Cada um de nós assemelha-se a uma estação de rádio. Emitimos numa determinada frequência o que somos na nossa essência.E também captamos o que nos rodeia na mesma frequência em que nos encontramos.
Só nos sintoniza quem estiver no mesmo comprimento de onda. Do mesmo modo, só captamos os que emitem na nossa frequência.O resto são banalidades.

Sabemos então que o que está dentro é igual ao que está fora!
Tudo o que atraímos fora de nós é,  porque o temos dentro no mais fundo do nosso peito, como a imagem do espelho.

Talvez nunca ninguém nos tenha alertado para tal.Outras vezes, o ambiente em que crescemos e o que cruzámos na vida , fez-nos ter uma auto estima muito baixa .Assim  não aprendemos a respeitar- nos conforme é necessário.

Não há nisto orgulho ou vaidade, mas uma simplicidade extrema e uma naturalidade genuína.

Será que atraio violência física ou psicológica?
Há quem discuta comigo e maltrate sem me respeitar, ignorando a minha verdade, sem me ouvirem?
Ferem a minha sensibilidade e não acreditam em mim?
Isto e tudo o que cada um muito bem sabe que tanto lhe custa, pensando que a culpa é sempre dos outros que não prestam.

Que são isto ou aquilo, pois a questão é bem diferente.

Tudo o que vem de fora e te choca, é exactamente o que fazes a ti próprio. Nasce dentro de ti em primeira análise!

Não queiras mal a ninguém. Isso só piora a situação.

Arruma o teu intimo urgentemente.Verás que tudo muda.

O que acontece fora é o espelho do teu interior. Cuidado! 

Limpa antes de tudo o que reside no mais secreto do teu ser. Não percas tempo a olhar para fora. Presta atenção ao que fazes a ti mesmo.

Quem sou eu? Gosto de mim?Maltrato-me?Respeito-me e exijo que os outros me respeitem? Acredito em mim mesmo?Ou será que me ignoro a mim mesmo e me abandono no caminho e só perco tempo com uma lupa, para ver o que os outros fazem? Dizem? Reagem?

 Não te conheces. Nem sequer sabes que existe uma criança magoada dentro de ti com quem tens que te reconciliar. Ter consciência da sua carência. Da sua dor imensa e antiga.

Sentir desejo de evoluir. Procurar ajuda. Ler livros que esclareçam as dúvidas acerca de si mesmo.Ir beber à FONTE.
 Reconciliar te contigo no mais secreto do teu ser.  Gostar da pessoa que és, sabendo que sempre, enquanto viveres podes e deves e progredir. Tens que acreditar em ti. Não mais te ignorares pela perda de tempo que passas distraído, olhando pela janela para fora de ti.

( "O mais importante para o homem é crer em si mesmo. Sem esta confiança em seus recursos, em sua inteligência, em sua energia, ninguém alcança o triunfo a que aspira." (Thomas Wittlam Atkinson))

Vê o mal que andaste a fazer apenas  a ti.Pára.Percebe e sente isso.

 Saber que fazes coisas lindas e outras que talvez não queiras repetir. Ama a pessoa que és. Única. Verdadeira, Autêntica e sem disfarces nem máscaras.

 Não é de egoísmo feroz de que te falo. Um ego soberbo.

É um amor lúcido que exige respeito, igual ao que dás aos outros. Isso acontece automaticamente garanto-te, quando estiveres pacificado no fundo do teu ser.

Não dês mais atenção aos outros que a ti mesmo. Centra- te sobretudo no teu progresso e evolução.Não és responsável pelo que os outros fazem, mas és absolutamente responsável pelo que dizes. Pensas. Fazes. É isso que faz a tua vida acontecer boa ou má.

Nasceste para seres feliz! Aproveita e agradece essa dádiva ao Criador!
 Não estragues a tua existência. Não é para partires mais carregado de encrencas e nem sequer seres capaz de te desprender quando a Senhora Dona Morte te chamar."Morre mal quem não viveu bem".

Sê tolerante contigo mesmo. Nem carrasco nem castigador, diria. Perdoa-te hoje mesmo. Recomeça sempre que for preciso.Avança com confiança e serenidade.Transforma os teus dias em momentos de alegria  e paz.
Pára um bocadinho todos os dias. Sente. Fica e verás que lá no fundo a tua luz quer brilhar. Está à espera que mudes o foco.

Sabes de quem tens que tomar conta?

Verás que nunca mais te ofendem. Nem dás por ela.mesmo que alguém tente atingir- te. E´como se passasses numa ponte e a
água barrenta, o lixo passassem por baixo ,mas tu não o vês de tão distante que está.

Valoriza-te em vez de dares tanta importância aos outros que dizes que te ofendem.

Verás depois quem bate à tua porta.
 O Amor intenso e renovado espera-te!
Todos nós merecemos ser bem amados e somo-lo de facto por Quem nos fez existir e nos ama por toda a eternidade. 

È isso que queres e buscas certamente.  Feliz, recebe-o. Será o banquete. A alegria  que passa a morar no teu coração.

Não percas mais tempo.
È uma aventura gostosa, acredita.


"A auto-estima é um recurso nato em todo ser humano, alguns a encontra com maior facilidade, outros demoram um pouco mais, somente olhando para dentro poderemos absorvê-la e quando isso acontece ela se manifesta na forma de uma luz que guia e ilumina nosso caminho."  (Luis Alves,

segunda-feira, 20 de abril de 2015

NÁUFRAGOS


NAUFRÁGOS
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TEXTOS E PRETEXTOS                                                                                                                                                                      
  
Vida entrelaçada

Além da curva, uma larga e longa estrada…

Mulher. Estátua.

Roxo orvalho .

Esfinge

Ondulado rosto

Rendas e vento

Abraços.e laços.

O que deu. Nada mais

Renasceu.

 Peito duro.Liso.

Glicínias pendem..Azuis ...Desbotadas.

Enfeitam a noite

Rosas.Asas

Distante

Paragens do sol posto

Onde ninguém vai

Deserto sem areias quentes

Amante

Fundo. Plaga escura

Alga …Peixe ....Árvore

Cabelo de água desgrenhado

Pedaço de coração

Transformado

Arrepiado

Marinheiro

O mar roubou

.Arame farpado.Rasgada espera

Vazio. Braços

Errante.Praia cansada

Prendem o nada

Do que restou
                                                                       Lucinda Ferreira
……………………………………………….20.4.15



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