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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Comentário da Sílvia Serens


Não se vai embora!
Está junto a ti, sempre.
E o teu futuro tem muito ainda para mostrar/dar.
Beijinho,
Sílvia
 nota: este é um comentário ao meu Poema REFUGIO q está um pouco atrás 
Mt obrigada , Silvinha.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

comentario de fatima canas

Linda maneira de contar verdades...

Gostei muito.

Um grande beijo,


Fátima canas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

POEMA.. No vão da escada...


No vão da escada…

Contava a minha amiga
Dora Ferreira,
No Canadá
Que do outro lado de lá
No passado, em Portugal,
A mãe era porteira.
Reinava Salazar.
Um tempo afinal
De fome. Violência. Repressão
-Tudo se passava em segredo
 Todos escondidos. Cheios de medo
Sem sequer poder falar
Continua a recordar.
Tão fundo gravado em seu coração!
Viviam num escuro.Apertado. Exíguo rés-do-chão
À entrada, sob a escada
Cedido a favor
Pelo dono do grande prédio
Em troca do labor
Que nunca acabava.
Não se podia dizer nada
Não havia outro remédio
Cara alegre. Agradecida.
Já era uma sorte ter casa para morar
Quando tantos dormiam ao relento. Ao luar.
Era assim a vida.
Quando a mãe saía
Ela não dormia
Falava com Nosso Senhor
Que a protegia
E tudo via, como ela...
Percebia. Via muito mias e  melhor…
Pequenita. Em casa, sozinha
Fechada na cozinha
Espreitava assustada
Pelo buraco do vão da escada
Que dava para o hall da entrada.
E que via ela da casa sem janela?
A Pide queimando com cigarro
A vítima que chorava impotente.
Naquele canto isolado. Sem gente (…)
Tudo acontecia rápido. De repente!
Mestria habitual. Gesto Cruel. Brutal.
Assustada. Olhito aberto. Arregalado.
A criança espreitava...espreitava...espreitava…
De cara colada no buraco
Cabeça escondida com um saco
Cheia de medo
Guardava em segredo
Nem se mexia...
E se alguém a via?
Quando a mãe chegava
Ela contava... Contava…Contava…
 Emocionada nunca mais se calava!
A mãe fingindo não perceber, repetia atemorizada:
-Ó filha, andas a sonhar
Que imaginação…
Tu não viste nada!
Deixa lá isso. Anda, vem comer.
Atenção, naquele tempo não havia televisão.
A pequenita confundida.
 Reprimida. Atrapalhada.
 Naquele susto sem saber o que pensar. Não percebia
Ficava calada. Fechada. Sem entender.
Não sabendo porque tinha que mentir
Guardando horrores dentro de si
 Sem sequer poder sair dali
Nem disso poder falar
Será que era proibido ter olhos? Ver?
Desconfortável. Naquele sombrio lugar.
Frio. Vazio. Prisão.
........................
Hoje, lá longe, avó generosa.
Acompanhada. De todos, rodeada. Livre. Feliz
 Sabe que nada foi ilusão...
Consciente ainda diz:
- Todos os dias era igual.
Era mesmo uma emboscada.
Aquele tempo escuro. Duro e sem pão.
Era assim em Portugal
Tudo o que vi e não esqueço foi verdade!
E a liberdade?
Não existia. Toda a gente sabia.
Então e hoje?
Hoje, ela passeia-se encasacada
Na rua . Talvez, quem sabe outra vez
Num vão de uma escada..
Passeia braço dado
Imagem dum passado?
Mentira e  ilusão
Abraços. Políticos. Economia.Mordomias.Pobreza.Doença. Solidão.
...E não vale a pena dizer mais nada…
...No vão de uma escada...

 COIMBRA, 29.11.12
LUCINDA FEREIRA

No vão da escada...


No vão da escada…

Contava a minha amiga
Dora Ferreira,
No Canadá
Que do outro lado de lá
No passado, em Portugal,
A mãe era porteira.
Reinava Salazar.
Um tempo afinal
De fome. Violência. Repressão
-Tudo se passava em segredo
 Todos escondidos. Cheios de medo
Sem sequer poder falar
Continua a recordar.
Tão fundo gravado em seu coração!
Viviam num escuro. Exíguo rés-do-chão
À entrada, sob a escada
Cedido a favor
Pelo dono grande prédio
Em troca do labor
Que nunca acabava.
Não se podia dizer nada
Não havia outro remédio
Cara alegre. Agradecida.
Já era uma sorte ter casa para morar
Quando tantos dormiam ao relento. Ao luar.
Era assim a vida.
Quando a mãe saía
Ela não dormia
Falava com Nosso Senhor
Que a protegia
Que tudo vê muito melhor…
Pequenita. Em casa, sozinha
Fechada na cozinha
Espreitava assustada
Pelo buraco do vão da escada
Que dava para o hall da entrada.
E que via ela da casa sem janela?
A Pide queimando com cigarro
A vítima que chorava impotente.
Naquele canto isolado. Sem gente (…)
Tudo acontecia rápido. De repente!
Mestria habitual. Gesto Cruel. Brutal.
Assustada. Olhito aberto. Arregalado.
A criança espreitava...espreitava...espreitava…
De cara colada no buraco
Cabeça escondida com um saco
Cheia de medo
Guardava em segredo
Nem se mexia...
E se alguém a via?
Quando a mãe chegava
Ela contava... Contava…Contava…
 Emocionada nunca mais se calava!
A mãe fingindo não perceber, repetia atemorizada:
-Ó filha, andas a sonhar
Que imaginação…
Tu não viste nada!
Deixa lá isso. Anda, vem comer.
Atenção, naquele tempo não havia televisão.
A pequenita confundida.
 Reprimida. Atrapalhada.
 Naquele susto sem saber o que pensar. Não percebia
Ficava calada. Fechada. Sem entender.
Não sabendo porque tinha que mentir
Guardando horrores dentro de si
 Sem sequer poder sair dali
Nem disso poder falar
Desconfortável. Naquele sombrio lugar.
Frio. Vazio. Prisão.
Hoje, lá longe, avó generosa.
Acompanhada. De todos, rodeada. Livre. Feliz
 Sabe que nada foi ilusão...
Consciente ainda diz:
- Todos os dias era igual.
Era mesmo uma emboscada.
Aquele tempo de escuro. Duro e sem pão.
Era assim em Portugal
Tudo o que vi e não esqueço foi verdade!
E a liberdade?
Não existia. Toda a gente sabia.
Então e hoje?
Hoje, ela passeia-se encasacada
Com a mentira e a ilusão 
Na rua 
Abraços. Políticos. Economia.Mordomias. Mão na mão…
E não vale a pena dizer mais nada…

 COIMBRA, 29.11.12
LUCINDA FEREIRANo vão da escada…



Contava a minha amiga
Dora Ferreira,
No Canadá
Que do outro lado de lá
No passado, em Portugal,
A mãe era porteira.
Reinava Salazar.
Um tempo afinal
De fome. Violência. Repressão
-Tudo se passava em segredo
 Todos escondidos. Cheios de medo
Sem sequer poder falar
Continua a recordar.
Tão fundo gravado em seu coração!
Viviam num escuro. Exíguo. Apertado rés-do-chão
À entrada, sob a escada
Cedido a favor
Pelo dono grande prédio
Em troca do labor
Que nunca acabava.
Não se podia dizer nada
Não havia outro remédio
Cara alegre. Agradecida.
Já era uma sorte ter casa para morar
Quando tantos dormiam ao relento. Ao luar.
Era assim a vida.
Quando a mãe saía
Ela não dormia
Falava com Nosso Senhor
Que a protegia
Que tudo vê muito melhor…
Pequenita. Em casa, sozinha
Fechada na cozinha
Espreitava assustada
Pelo buraco do vão da escada
Que dava para o hall da entrada.
E que via ela da casa sem janela?
A Pide queimando com cigarro
A vítima que chorava impotente.
Naquele canto isolado. Sem gente (…)
Tudo acontecia rápido. De repente!
Mestria habitual. Gesto Cruel. Brutal.
Assustada. Olhito aberto. Arregalado.
A criança espreitava...espreitava...espreitava…
De cara colada no buraco
Cabeça escondida com um saco
Cheia de medo
Guardava em segredo
Nem se mexia...
E se alguém a via?
Quando a mãe chegava
Ela contava... Contava…Contava…
 Emocionada nunca mais se calava!
A mãe fingindo não perceber, repetia atemorizada:
-Ó filha, andas a sonhar
Que imaginação…
Tu não viste nada!
Deixa lá isso. Anda, vem comer.
Atenção, naquele tempo não havia televisão.
A pequenita confundida.
 Reprimida. Atrapalhada.
 Naquele susto sem saber o que pensar. Não percebia
Ficava calada. Fechada. Sem entender.
Não sabendo porque tinha que mentir
Guardando horrores dentro de si
 Sem sequer poder sair dali
Nem disso poder falar
Desconfortável. Naquele sombrio lugar.
Frio. Vazio. Prisão.
Hoje, lá longe, avó generosa.
Acompanhada. De todos, rodeada. Livre. Feliz
 Sabe que nada foi ilusão...
Consciente ainda diz:
- Todos os dias era igual.
Era mesmo uma emboscada.
Aquele tempo de escuro. Duro e sem pão.
Era assim em Portugal
Tudo o que vi e não esqueço foi verdade!
E a liberdade?
Não existia. Toda a gente sabia.
Então e hoje?
Hoje, ela passeia-se encasacada
Com a mentira e a ilusão 
Na rua 
Abraços. Políticos. Economia.Mordomias. Mão na mão…
E não vale a pena dizer mais nada…

 COIMBRA, 29.11.12
LUCINDA FEREIRA

domingo, 2 de dezembro de 2012

Agradeço comentário da minha amiga Graça Carvalho

Querida amiga.

Só hoje li o que escreveu.
 Tenho que lhe agradecer de coração. Amei, amei amei.
 
Enviou para mim no dia dos meus anos. (19-10) Foi uma prenda e tanto.
 
Como nada acontece por acaso só li hoje, pois era hoje que necessitava ler o que escreveu.
 
Que Deus abençoe seu caminho de crescimento e não deixe de partilhar o que escreve.
 
 Mesmo que não tenha o retorno que espera, algum dia a sua escrita vai tocar profundamente o coração de alguém, nesse dia tudo valeu a pena.

Mais uma vez obrigada

Um bom fim de semana

Um beijinho
 
 Graça Carvalho

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pergunto-me quem és afinal...



 PERGUNTO –ME

 

Pergunto-me:
O que é a Poesia?
E neste dia de saudade
Verdade?
Não sei se é sonho…
Palavra. Vida. Realidade. Música.
 Misto de tudo um pouco.
Disto disponho.
Faço berço das palavras. Mães.
Pinto. Faço renda com elas.
Ensino-as a brincar. Saltar. Sorrir. Dançar.
Seguram minha’alma
Linha pensamento
Sinto-as por dentro
Leves. Brancas. Vermelhas. Amarelas.
Selvagens enfeitam as janelas
Do meu sentir
A dormir
São fiéis sentinelas.
Asas. Voos. Mares. Maresia.
Poesia!Campos verdes imensos
Extensos a perder de vista.
Outras lendas.Histórias. Sentimento. Pensamento.
Prender. Desprender.
Em teus braços
Longos. Fingidos abraços
Quem chora a rir
Sem querer partir.Para não sentir.
Dia-a-dia sem querer
Sem perceber
Sou toda tua. Inteira. Nua.
Quem és tu afinal?
Amiga? Feiticeira? Irmã?
Mãe? Protectora?
Mendiga? Senhora?
Espreitas pelos meus olhos
O que quero e não quero ver
Não faço e despedaço
Em retalhos. Tiras
Pedaços do meu ser.
Choro. Rio. Canto. Solto-me.
Nem sei bem o que faço
Espaço sem fronteira.
Em ti repouso. Organizo-me.
Durmo tranquila em teu regaço.
Descubro afinal
Poesia,  quer chore ou ria.
Sempre presente. Amiga leal.
As palavras que te digo são todas para Ti.  
Companheira,
De todas as horas.Choras ou não
Perdoa-me
Essa é a tua condição…
Será que és apenas e tão só, a minha sombra,
A doce e bela Dama ilusão?

C.ª, 29.11.12

 Lucinda ferreira