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terça-feira, 10 de junho de 2014

Plenitude

Plenitude 
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Naquelas tardes cálidas

Mágicas

Castanhas e louras.Outonais

Gemidos lânguidos de amor

Encheram o ar de meiga harmonia

 Tu entraste em mim

Doce e quente

Como um deus retorna inteiro

Ao ventre materno

Sagrado e macio.

Águia. Flor.Mar.Terra.Lago.Rio.

Tudo o que existe

Presos na mesma melodia

Humor.Prazer. Graça. Ritmo. Alegria.

Música das estrelas

Alma. Casa.Corpo. Espírito.Sonhos e sangue.

Eterna fusão.Momento feito vida.

Perfumes. Gestos. Sons.Sabores

O amor é possível em toda a sua extensão!

Acorde perfeito. Dádiva sem reservas

Em que se canta e sente em uníssono  

A mais volátil e inesquecível canção…
C.ª10.6.14
Lucinda Ferreira

 


Anseio

SOLIDÃO
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Disse-me alguém

Com tristeza nos olhos…

Ao ver- me passar

“Gostava de ser o seu cão”.

Meu Deus,


Tanta fome.

Tanta sede

De carinho. Companhia. Amor

E até de pão…

C.ª10.6.14
Lucinda Ferreira


Adeus, Portugal!

ADEUS, PORTUGAL!

Secaram as fontes

 Arderam os montes

O silêncio é um manto triste

Sobre todos nós

Até nos túmulos choram.Gritam

E...se levantam  os nossos Avós.

Morreu Portugal

Onde se escondeu o Povo triste. Assustado

Aquele fogo

Aquela alegria

No trabalho. Nos campos.

Na romaria?

Ai, meu País de gente brava

Destemida.Ordeira. Confiante.Pacífica.Hospitaleira.

Cansada. Moribunda.Desiludida. Mudada.

 Onde moram hoje teus sonhos?

Na terra? No mar? Nos Céus? No ar?

Se já nem sabes quem és.

Como tens força

Para viver e lutar?

 Roubaram te a alma

O presente. O futuro

Sem trabalho. Desilusão.Pobreza.

Sem saúde nem esperança

Onde ir buscar força ? 

Como superar tanto revés?

C.ª10 Junho 14. Dia de Portugal…

Lucinda Ferreira
Fernando Pessoa

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Amor ou Medo?


Amor ou Medo?


Quem conhece os outros é sábio; / Quem conhece a si mesmo é iluminado
(Lao-Tsé)
O verdadeiro conhecimento vem de dentro. (Frases de Sócrates)

É costume de um tolo, quando erra, queixar-se do outro. É costume do sábio queixar de si mesmo. (Pensamentos de Sócrates)


No artigo anterior afirmámos: onde há amor não há  medo.
Onde há medo não há amor.

São estas duas configurações mentais básicas que povoam as nossas vidas.

Quem vive no amor, vive num estado de abundância interior.
 A pessoas é positiva. Acorda felizes. Sente a vibração da alegria em sua vida.Gosta de sair.Viver!
Quem ama a vida, quer gritar ao mundo que é ditoso. Afortunado.
Quer dar! Dar! Partilhar.É alegre. Saudável. Atraente.Todos o/a buscam.Transmite força. Alegria. Bem – estar.

Quem vive nessa vibração, normalmente teve uma infância feliz. Motivante. Incentivada. Sentiu-se amada. Pode ter existido alguma carência material, mas a ternura. A atenção dos pais e ou de outros familiares, nunca lhes faltou.
Viam-se famílias com muitos filhos ( isso parecer ter acabado (…)), em que os irmãos cuidavam uns dos outros, com carências materiais até, mas no final todos se orientaram pelo exemplo dos progenitores e tornavam-se grandes homens . Grandes mulheres.
Todos conhecemos exemplos desses…

Pode ter acontecido que  este aconchego familiar feito de certezas e de exemplos sólidos, nunca tivesse existido na vida de muita gente.
Ora daí resulta o segundo estado vibracional que é de medo.

Acarreta consigo negatividade. Carência. Infelicidade. Descrença em si mesmo. No mundo. Nos outros de quem se desconfia sempre e até se sentir vítima.De infeliciade. De doença…

E isto tudo por que razão?
A pessoa sente que nada tem.Desenvolve um sistema de egoismo feroz. Ciúme.Insegurança. Quer tudo para si. Tem receio que tudo lhe falte. Queixa se permanentemente de tudo e de todos. Sente-se insatisfeita. Frustrada.Carente. Nada a sacia. Receia que lhe faltem as pessoas. As coisas. A saúde. O dinheiro.A vida.

E como o nosso cérebro consulta minuciosamente todos os arquivos, constrói sinapses neurológicas associativas da mesma natureza dos seus pensamentos de privação que povoam a mente receosa.

Quanto mais se pensa negativamente, mais dificuldades de toda a ordem se atraem.
Quanto mais lixo se atraia, pior se fica . Não se sai desta frequência castradora.
 Até aqueles  com quem se cruza, são atraidos por essa baixíssima energia. Estão na mesma onda sofredora.
E as coisas vão piorando.

Em vez do amor, instalou-se o medo que vai crescendo em todos os campos.

 Chegada a idade em que se toma consciência do  rol  infelicidades, há dois acaminhos a seguir.
·       Ou fica-se a vida toda resingando . Doente . Piorando cada vez mais…Fazendo o inferno à sua volta.

·       Ou…Se deseja mudar. Quer-se mudar tudo.

Com grande júbilo, se muda!Há essa possibilidade.
Não mais a choradeira habitual.Assume-se a vida com coragem.
Percebe-se que a vida é fluxo e abundância em todos os aspectos. 

Há que aprender a entrar nesse fluxo!
Responsáveis por si própria, toma-se consciência da  miséria interior. Não mais se quer viver  nesse estado. Trabalha-se. Evolui-se . E na realidade agora atinge-se a corrente mais ditosa da existência humana.
A vida é riqueza maravilhosa para todos nós. Os desvios podem sempre ser corrigidos.
……………………………………………………………………………………….
Seja curiosa/a .Esforçado/a. Lute para ser feliz.
·      O exercício do autoconhecimento é fundamental. O início de todo percurso de mudança.
·      Um trabalho de solidão interior. De diálogo connosco mesmos  para se saber o que temos e queremos reprogramar.
·      O contacto com a mãe Natureza é deveras importante, nesta situação.
·      A oração a Deus Pai Criador , muito ajuda.
·      A gratidão pelo que se tem e pelo que não se tem, é indispensável.
·      Descobrir tudo o que nos faz feliz, é muito importante. Isto muda as sinapses neurológicas.
Cantar. Nadar. Aprender Musica.Bordar. Fazer renda. Pintar, é essencial até atingir um certo bem estar nunca antes sentido.
Ao fazer o que se gosta a alegria aflora. Relaxa
Cada um tem que conhecer-se e querer ocupar se de si mesmo.

 Quantos anos se passaram só a pensar nos outros? Às vezes a vida inteira.. .
·      É necessário o diálogo interior permanente.
As coisas vão mudando lentamente o estado de míngua.

Um sonho. Uma coincidência(???). Uma sugestão que chega até nós e faz luz cá dentro do nosso ser, vai guiando a caminhada.
Quando se quer mudar a consciência e encontrar-se,  faz-se 20% e os 80% chegam como por milagre…

E agora de que é que está à espera?
Não está cansado/a de viver na pobreza em todos campos?
Saúde…Amor…Vida material…Trabalho…Relacionamentos…etc
Pode começar agora mesmo. Aqui ficam aqui algumas pistas experimentadas.
 O caminho só cada um de nós o pode fazer.
Saber sem fazer é como não saber…
AMOR e DOR só cada um pode sentir.
Só tem uma vida para ser feliz. Não deixe escapar esta  oportunidade.

 C.ª, 9.6.14… Lucinda Ferreira

sábado, 7 de junho de 2014

Poema a André Bocelli

A André Bocelli



Fecho os olhos.

Quero ver mais longe.

 Sentir mais fundo.

Fecho os olhos … Beijo intensamente.

Fecho os olhos. Sonho.

  Imagino-te no meu Mundo!

Mais uma vez

Fecho os olhos.

Quero ter a certeza.

Sentir a leveza de ser tua.

Tudo é verdade.

 Intenso.

Liberdade.

Dentro de mim

Desabrocham Primaveras.

Extenso jardim.

Olhos fechados!

… As flores que me dás em segredo.

Timidamente. A medo.

Flores, canções de amor

Vindas do fundo do tempo

Luz das estrelas

Presa no centro do teu peito

Em forma de Coração

São flor e canção

Melodia

Harmonia

E não paras de cantar

Sentindo intensamente

A vida , o som da onda

O Sol quente

A minha mão na tua.

Não vês a lua.

Mas sentes como é bela

E da tua-minha janela

Sabes como S.Exupery

Só o coração vê

Sem porquê

E pões- te a cantar

Sem parar

A nossa canção proibida

Inventar a  vida

Até tocar o Céu!

Não importa o véu

Do teu baço olhar

A voz ora espada ora mel

Sempre doce. Arredondada.

Inconfundível. Penetrante.

 Só pode ser André Bocelli

Amor… Amante!
                                                       Coimbra, 23.10.12 


SEDE


SEDE  
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Aniversário…

Embriaguês. Festa da vida !

 Fontes.Rios.Lagos.Mares.Chuva

Água fresca cantante

Sabor a mar

Liberdade

Pétalas de cerejeira

Dansam no ar

Cheiro a relva cortada

À terra desventrada.Revolvida

Giesta selvagem

         Torgas do meu país…
  
 Aragem da serrania

                                     Água dos teus lábios, tempo fugidio                                         
Maresia

Traz a minha canção

Sacia esta sede de viver

Saída do labirinto

Linhas da minha mão

Escondidas no meu ser.
Coimbra, 12.5.14


LUCINDA FERREIRA

sexta-feira, 6 de junho de 2014

FLUIR

FLUIR
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 Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos."diz nos Nin , Anais

Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.

A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita.




Há duas forças que comandam o mundo: o medo e o amor.
 Onde há medo não há amor.
 Onde há amor não há medo!
Pode saber isto de cor. Repetir até, mas chegar a esta conclusão dentro de si. Ter esta convicçao profunda, só é possivel depois de ter atravessado desertos. Abismos. Escuridão…

Por fim, a alegria de se vencerem lutas no mais íntimo de nós mesmos, é reestruturante do indíviduo como ser.

Somos seres solitários.
Nascemos sós. Morremos sós.
Não há empenhos. Substituções. Dialéticas. Manobras do ego que vençam esta caracteristica da nossa natureza.
Aqui, sim. È igual para todos.

O que mais devemos gostar em nós e disso ter consciência é da autenticidade.

Dá uma grande alegria ter filhos que nós respeitamos.Admiramos pelo que são.Em muitas situações, seguem-nos com uma versão melhorada.Aperfeiçoada. Têm as suas asas para voar. Para ser. Regozijamo-nos até que voem mais altos do que nós.

Apaparicar demasiado os filhos. Exercer sobre eles alguma pressão dita “amorosa”, extemporânea, é tirar lhes a possibilidade de evoluirem como pessoas.

Demos tudo que pudemos e tínhamos como certo, no momento correto. Terminam a sua carreira académica. Constituem família, agora há que deixá-los crescer. Honrar a sua liberdade existencial.Viver a sua experiência pessoal.Única.
Talvez também eles tenham que atravessar desertos. Cheios de medo vencerem abismos.Durezas cruéis que ninguém pode aliviar ou viver por eles, mas se lhes tivermos feito perceber que a adversidade é que faz a pessoa crescer. Que tudo são lições a assimilar e a agradecer, isso fortalecê-los-á. E serão sempre vencedores, mesmo na dor.

“Mães- galinhas”.”Meladas”. Frágeis. Metediças.Cheias de sugestões, só complicam a vida dos outros.

Os homens também têm as suas fraquezas.
Paizinhos protectores, sempre os melhores amigos (?!) não largam o filho. Querem continuar a liderar.A viver como heras agarradas à árvore. Aquela seiva nova dá--lhes euforia. Alivia as suas frustrações profundas ou ainda a falta de objectivos que não são capazes de solucionar.
  A proximidade de actuação constante, sob a máscara de proteccão e ajuda, dá então muito jeito…ao papá.

Instalam-se. Metem coisas na cabeça do outro/a. O menino/a torna-e “copinho de leite”.
Não decide nada sem o progenitor, visível ou invísivel, mas sempre no controle.

O menino torna-se dependente do papá (grande maravilha para este). É muito dócil. Submisso. De uma educação que nunca o deixa discordar sequer de nada.

Ou se tiver fibra, rebenta com a “canga” de que se apercebe e que o asfixia.
Aqui é o cabo dos trabalhos. Querra na capoeira. Dois galos não se entendem…

Os filhos estão num contexto distinto. Num momento diferente.
A realidade tem que ser agora analisada com novos dados, síntese dos valores transmitidos quando crianças e jovens, mas ainda com outros que adquiriram livremente.
Terão eles próprios que ver, como avançar, como seres únicos. Irrepetíveis.
Senão a imaturidade é reinante.Dependência emocinal do pai e carga excessiva que não deixa avançar na descoberta da vida.Na consolidação de experiências.

Não só aqui, mas extrapolando da família para sociedade, o tempo injusto dos “protectorados” . Das cunhas. Das “ linhagens “ já foi…Agora já não é.
Exige- se autenticidade a todos e a cada um, integrado no seu tempo. No seu lugar. No seu contexto que muda com muita rapidez.

Muitas vezes, um falso amor cego, uma forma particular de egoismo e de apego e controle, leva à destruiçao do outro que ou nem disso de apercebe ou não é mesmo capaz de se desembaraçar, tão confuso fica. Perde o seu rumo. A energia que tinha para fazer o seu caminho, já se esvaira ou nem desabrochou.
Se  parasse e refletisse um pouco, ele não sabia mesmo quem era.

Celebrar a festa da vida. O sucesso dos filhos. Do encontro. Dos laços que nunca se apagam, é lindo.Desejável.
Mas há que ter respeito.Consideração pelas capacidades. Pela caminhada de um ser humano que deseja vencer pelo seu esforço.

Coertar esta possibilidade é uma cegueira de que há que ter consciência.

Aquela designação de “geração arrasca”, é justamente a prova da falha do processo educativo, sobretudo da responsabilidade de alguns pais.

Não é que se deva repetir a situção, mas não podemos esquecer o que muitos de nós já sofremos.
Passar fome. Frio.Humilhação, quando muito mais inteligentes do  que uma classe de privilegiados que tudo faziam e teimavam em travar a ascenção da verdade, pelo acesso à cultura dos que eram com desprezo. Uma pontinha de inveja. Superioridade hiteleriana, apelidados de “ralé”.Esta gente furava o esquema instalado com o seu esforço e sacrifício, mostrando a excelência e o mérito das suas capacidades.
Hoje temos que caminhar todos com coerência.Responsabilidade. Coragem.Zelo...Para sermos e não apenas termos e ou parecermos.

Pode se perder tudo e todos. Nunca perder Deus. Nem se negar a si mesmo, é fruto de uma força que irrompe das entranhas, com  de quem sempre lutou, ( por vezes incompreendido.Isolado.Caluniado)  com as armas da verdade. Da mestria.Do esforço.Do desejo de mudar o que no mundo é postiço. Fingido.

Assumir o que se é, pode ser é duro, mas vale a pena.

Acaba por ser consolodar. Pacificador dentro de nós.

Procurar nunca ofender ninguém premeditadamente ou mesmo sem querer, tem que ser uma preocupação. Reparar isso, se acontecer. O que for preciso consertar é urgente. Explicar o ponto de vista.Pedir desculpa pode ser necessário.

Há que ver contudo, se essas “ofensas” têm a ver com vaidades “irritadas ou irritantes”.Instalados que não querem mudar.Perder privilégios. Aí não há nada a fazer...

É necessário ser inteligente e não esperto.

Impõe-se ir até ao fim por amor à verdade. Sem medo! 

Hoje, os modelos de resolução de problemas, passa menos pelo raciocínio lógico, pela materialidade (a tal função que tão bem exerce o nosso lado esquerdo do cérebro ligado ao mando. À lógica. Ao poder. Ao sucesso material, aos paradigmas da Época de Peixes), mas antes pela resolução de factos e situaçoes, orientadas pelo que nos sugere o nosso lado direito do cérebro ligado à compaixão. À beleza. À criatividade. À espiritualidade. Á compreensão. Á autenticidade.

Somos um rio que passa. Há margens.
Mas tudo é flexível. Estamos sempre a mudar. O que foi ontem pode não ser extamente o que é hoje.

Matar a sede a quem passa.
 Beber na fonte do AMOR é necessário.
 E … fluir.
Partilhar faz nos bem.
 Dá- nos asas para voar nesta impermanência amorosa que nos torna mais humanos. Irmãos.

Coimbra, 24 de  Maio de 2014
 Lucinda Ferreira