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sexta-feira, 20 de julho de 2012

COMO É BOM VOAR


                   Como é bom voar!





                         Alegra-me
Ouvir a cigarra a cantar
Sentir a brisa fresca
Na minha cara roçar
Sorrir
Ao escutar o passarinho
No ninho
Nas flores do meu jardim
À espera da mãe
A chilrear.
As gatas
Afadigadas
Na janela a espreitar
A ver se o podem caçar.
Aflita
Vou a correr
Defender
Inocente fragilidade.
Luta desigual Predador animal
Cruel, mas sem maldade.
Aguardo ansiosa que da ave
Cresçam as asas…
A rosa cheirosa…Indiferente
Alheia ao perigoso ambiente,
Perfuma sem cessar.
Neste embaraço, o tempo passa devagar…
Aperto o laço para a gata não saltar!
Pia o passarinho a chamar a mãe para comer
Para poder voar.
Sobreviver.
O vento balança o ramo do roseiral
Caem das rosas pálidas
Pétalas no quintal.
Rezo baixinho
Pela vida do passarinho.
Desfaz-se o encanto
Foge a ave ligeira
Para outras paragens, entretanto.
Sossegam os gatos na tarde cálida.
Abre e fecha o olho, relaxada
Descontraída …A gata amarela.
Ela sabe e sente, como gosto dela.
 Do sonhado banquete       
 Acabou o frenesim
Imaginado
Apetecível …Perdido
Esquecido.
Gostoso festim.

                               Cª. 20.7.12
                                           Lucinda Ferreira                                                                                                                                        





                                                                                           

quarta-feira, 18 de julho de 2012

VISITA


VISITA

Hoje,
Acordei à pressa.
A palavra
Crescia em meu regaço
Até já não caber mais.
O que era cansaço,
Ais…
Fez se festa. Visita antiga,
Esta!
O pão fez se espiga
O amor fez se luz
A palavra, amiga.
A saudade é um lírio roxo
Crescendo dia e noite
Sem parar!
A vida
Fez se esperança
Liberdade
Promessa
Segredo…
Dentro de mim,
Tudo se tornou flor.
Neste novo jardim.
Quando voltar para casa…
Voarei feliz
Sorrindo
Contente
Grata a toda a gente
Que cruzei
Amei.
Grata às palavras
Gentis
Delicadas.
Disponíveis. Coloridas. Sinceras .
Amadas!
Sonoras. Vivas. Puras. Nuas.
Trazendo cestadas de alegria
Em dias mornos de saudade
A vida fugidia. Dormente
Solitária. Sem gente…
Eis que a palavra sussurra
Mundos novos
Para eu organizar
Oferecer.
Enfeitar.
Vestir de sedução
Novidade gostosa
Rosa. Comunhão.
Cânticos de luz arrancados à Natureza
Brotando do chão
Cascatas de cor
Espreitam em cada flor
E a palavra dourada
Esconde se no meu peito
Muito a seu jeito, aconchegada
Até ser noite
Até ser de novo Madrugada.

                                                                                                 Coimbra, 18.7.12
                                                                                                    Lucinda Ferreira

Dádiva


Dádiva                       

                                                    Nasci.
Semeaste em mim
O amor
Em forma de flor.
Ela abriu
 Floriu
Germinou
Cresceu
Tornou-se filho
Dentro
Lá mesmo no centro
Ocupou
Todo o meu Coração.
Fez se árvore frondosa
…Rosa…
Raízes fundas
Presas à Terra
Do meu Ser
Ensinou-me a viver.
 Amarga-doce saudade
Escondida no peito
Amor -perfeito
A crescer...
Ofereço-o à vida …
Gratidão
 Alegria
Até ser dia
  Eternidade.
                                                                                 Coimbra, 18.7.12
                                                                                                        Lucinda Ferreira

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Poema MODELANDO , Viseu 1976


         Modelando

Faço um Boneco

Fico feliz!

Aliso- lhe a cara

Depois o nariz.

Faço lhe a roupa.

 Visto-o a preceito.

Espalmo-lhe a mão

Ponho lha no peito.

Aliso o cabelo.

 Faço a feição.

Acrescento uma flor.

Ponha lha na mão.

Dou lhe mais força.

Fica de pé!

Ponho lhe um nome.

Chamo lhe Zé!

                                               Lucinda Ferreira, Viseu 1976


terça-feira, 26 de junho de 2012

Os caracóis também choram


              Os caracóis também choram   

"Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós."Fonte - Elementos de FilosofiaAutor - Alain

"O homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio."Fonte - A QuedaAutor - Camus , Albert


Manhã cedo pela fresquinha
Vou ao meu jardim
Dar os bons dias às minhas flores.
 Uma já tinha mais um milímetro
Outra tinha uma pétala rompendo a medo.
No meio do caminho
Um caracol passeava tranquilo…
 Os meus caracóis
Sabem que nunca os destruo.
Agarro neles com jeitinho
Ponho os numa caixinha.
Depois…
Quando trepam para fugir
Lanço – os na relva abandonada
Onde podem crescer
Sem lhes acontecer nada!
No monumento ao caracol que descobri na Holanda
Por este ter salvado tanta gente
Em tempo de fome
Aprendi a respeitar um pouco mais
Este animal aparentemente insignificante.
Na vida, é semelhante.
Quantas vezes
Passamos indiferentes
A gente
Que guarda um tesouro no peito
E a seu jeito,
Sob nossos pés, caminham a medo
Sem destino.
Nem os vemos.
Emigrantes. Famintos. Sem abrigo. Velhos.
Ou simplesmente ainda,
Algum menino
Triste, ao sol…
Cuidado
Não o pisemos!
Também chora o caracol…

   12.6.12
lucinda Ferreira