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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

África , meu amor...







Nunca vivi em Àfrica, no entanto sinto um grande fascínio por aquela Terra.






Estudei Literatura Africana de que muiro gostei e quando estive nas Caraíbas, pelas circunstâncias do meu trabalho ( fazia conferências num Barco Grego para Belgas e Franceses ), tive que aprofundar Etnologia.






Verifica-se então que desde o século 16 até ao século 18, 6 milhões de negros , vêm de África, vendidos muitas vezes, pelos seus irmãos de raça (...) para servirem como escravos , nas plantações de açúcar , ao serviço de europeus , nas Caraíbas.






Daí que, actualmente, o fundo da população, são pessoas de cor , já que este Povo se multiplica muito mais do que os brancos.



É verdade que eles estão ressentidos contra os brancos e...os indianos, que depois da escravatura abolida , apareceram já como atraídos e convidados pelos brancos, que lhes davam terras e outros benefícios ,que não deram aos negros, porque estes não quiseram aceitar.






Bom , mas a verdade é que adorei conviver e apreciar a generosidade de grandes famílias e o papel do matriarcado , bem vivo entre os caraíbes.



A mulher caríbe é emancipada, governa ilhas ( Ste Lucie , por exemplo ) e dá lições a muitos homens.



A música e as suas vivências artísticas, foram outra oportunidade que me deu muito prazer conhecer.






Apresentei, suponho que em 1998, na Universidade de Compostela, em Espanha, um comunicação que se intitulava, "África , um amor antigo."



Agora, há uns tempos, deu.-me vontade de escrever um conto , que lhes ofereço hoje, n0 meu blog.



Intitula-se ÁFRICA, MEU AMOR :



É o texto que se segue.



Oxalá gostem




África , meu amor!




Baixo o sol, chegámos finalmente ao cair da noite, quente e barulhenta. Logo à entrada era a sala de dança…
O hotel era imenso na massa apertada de tantos outros ali coladinhos, pendurados na montanha, tocando o céu.
A seus pés, estava o manto rendado das águas de um azul esverdeado, Mediterrâneo calmo, morno. Acolhedor. Faltava ainda e apenas, o azulão do alto mar e os golfinhos brincando, saudando-nos alegres ao passarmos. O branco das ondas sob as estrelas, tentava lavar e dissolver o escuro feio das areias, protegidas pelos cogumelos de colmo.


Diferente encanto do que estávamos habituados a ver nas nossas praias extensas e largas a perder de vista... À noite, o passeio marítimo enchia-se de falares diversos.
Durante o dia os mais velhos, vindos de longe… da terra fria e a húmida, consolavam - se com a fogueira ardente sob os pés, na praia apinhada... A noite morna trazia - lhes paz e um doce silêncio entrecortado por risadas leves, bem – dispostas, dos formigueiros humanos crescendo lentos ao longo do paredão lambido pelo mar que não parava de mexer…


Ao som da rumba e dos alegres”biguine” e “zouk”, executados por negros da Jamaica, nascido no escuro fundo dos bares apinhados
ao longo do passeio público, havia quem bailasse descontraidamente na rua. Em ambiente de festa, tudo se desprende. Todos se soltam. Até as estrelas brincam gaiatas no céu límpido, calmo, ao pressentirem a boa disposição descontraída dos turistas. ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, No Hotel, ficara a água que chorava dolente e meiga…Perdida no verde das plantas exóticas semeadas no lago artificial da entrada. Vindos de longe, cansados e cheios de malas, mirávamos-nos descuidados, mortos de cansaço, no complicado jogo de espelhos, convite ao vaguear da imaginação entre luzes e reflexos. Alguns dirigiram- se rapidamente para a piscina de águas quentes, azuis, azuis.


Outros descansaram nos quartos harmoniosos na decoração, amplos, virados para o mar. Outros correram para o telefone. Júlia, uma das nossas companheiras de viagem, elegante nos cinquenta e tantos anos, discreta, atenta, parecia que estava fora da realidade… Por mais que recordasse Leonardo Da Vinci e não fizesse como a maioria dos mortais que “olha sem ver, escuta sem ouvir, toca sem sentir, come sem saborear, movimenta - se sem ter consciência física, inala sem se a perceber do odor ou da fragrância e fala sem pensar” por mais que tentasse agarrar a realidade, não conseguia. O homem de fato e chapéu branco, vestido à colonizador africano, intrigara-a demais… Sentara - se sozinho no banco da frente.


Júlia pregou os olhos nos movimentos do homem do fato branco.Fez milhas de retrocesso no tempo, até chegar ao Colégio das Madres de S. José de Cluny, em Luanda. Num dia em que as acácias estavam mais vermelhas e floridas do que nunca, Roberto queimou- lhe a boca como um lume que nunca mais se lhe apagara da alma. Os dedos enganchados nas suas mãos frágeis, tímidas de menina inexperiente, ingénua, causaram-lhe um tal choque que ainda o sente ali igualzinho, naquele lugar perdido no tempo e no espaço. Passados alguns encontros, Roberto desapareceu sem dizer uma palavra. Mais tarde, justificara- se através de uma amiga comum, dizendo que seus pais o enviaram de repente sem contar, para Santo Tirso para um colégio interno, por recearem que se perdesse de amores tão cedo, por uma rapariga sem grande fortuna. Daí fora para a aviação, soube Júlia mais tarde. Em Luanda, correra depois o boato que Roberto tinha morrido num a acidente, quando pilotava.

Nunca, nunca mais ouvira falar dele. No coração de Júlia também nunca mais entrara ninguém, porque o lugar, preenchido por Roberto, continuava ocupado.
O tempo passou. Com a descolonização maldita para muitos, que matou com requintes de crueldade uma grande fatia de gentes, desgraçou tanta família, obrigando a dormir todos a molho, dias e dias no aeroporto, desprovidos de todos os seus haveres, fruto de tanta canseira, horas de sacrifício de muito português despojado de todos os seus bens em Portugal para recomeçar novas vidas em África, tudo acabou. Ficara apenas aquele sonho de amor misturado com o sabor da terra virgem em manhãs em que esta transpira e o cheiro entra pela alma, impondo-se para sempre com uma volúpia e uma insistência misturado no sangue, ampliado pela cor púrpura das acácias em flor… A recordação de uma África cheia de sortilégios vários, era tudo o que trouxera consigo na mala vazia de seus pais fugidos a correr para não perderem a vida. Quanta humilhação e necessidades passou Júlia, não o quer ela recordar mais. Agora com mais de metade da vida já passada, quer distrair-se um pouco, conviver. Viajar sempre que tiver possibilidades.


No meio de toda a sua pacatez, aquele homem de branco veio perturbá-la demais. Muito mesmo. Ressuscitar recordações adormecidas consentidamente. Quadros que revia muitas vezes, para ter a certeza de que ainda estava viva. Pareciam as feições de Roberto… Aquelas mesmas que ela um dia acariciara com olhos e alma de um modo singular, único, em que nunca mais se podem esquecer o cheiro, o sabor e as formas…


A agitação de Júlia, crescia interiormente por mais que ela tentasse dominar aquela força teimosa nascida nas entranhas, traindo-a completamente.
A vida é como um rio. Ninguém se banha duas vezes na mesma água. A saudade é uma força estranha, indomável, cruel que tortura em silêncio como um carrasco doce que nos acorrenta por amor, mas sem dó nem piedade. Sadicamente quase...Constantemente. Na solidão e na multidão. Sem descanso. Oxalá nunca sejamos visitados pela saudade!
Agora Júlia tremia. Não conseguia levantar- se do banco. E se fosse mesmo ele, o Roberto, o bem-amado, que iria acontecer? Ela não queria que ele a visse, porque se fosse ele e não a reconhecesse ou, pior ainda, se a ignorasse, ela sufocaria. Júlia pensou ir à recepção do hotel perguntar o nome daquele senhor do fato branco, mas enquanto estava na dúvida, ainda havia alguma possibilidade de ser verdade e ser ele mesmo…


Passou uma semana, evitando sempre cruzarem- se ou verem- se de frente, na

quela angústia feita de sentimentos diversos: sonho. Angústia. Tortura e dúvida. No último dia, na confusão das malas, o senhor do fato branco um pouco mais velho do que ela, caíra batendo com a cabeça. Passou muito mal. Levaram- no ao Hospital. O caso parecia inspirar algum cuidado. O conflito interior de Júlia duplicara. Que fazer agora? O grupo em alvoroço tecia comentários vários. Entre esses, Júlia escutara algumas inconfidências e…ouvira falar no Sr.Roberto!
- Coitado, é meu vizinho, mas não tem família. Vive só. Perdeu a família em África. Casou lá no Porto, mas a mulher morreu há tempos. Parece que ele até era uma pessoa de bastantes posses em África, mas perderam tudo, contou ele ao meu Zé, uma vez. -Então era ele?! Mas ele não tinha falecido num acidente, ainda jovem?! Afinal tinha casado… Teria família? Mas como pôde o destino pôlos no caminho um do outro, depois de tantas peripécias?

Anunciara agora a guia que o estado daquele passageiro inspirava algum cuidado e num curto espaço de lucidez, o Sr. Roberto pedira para regressar ao seu país. Voltou a cair em coma.
Júlia num repente, oferecera - se para o acompanhar, alegando ser enfermeira e estar ligada a esta família por laços de parentesco ainda que um pouco afastados. Para Júlia e Roberto o passeio terminara ali, mas não sabemos se a vida os presenteou com aquele encontro feito de magia e recordações que dá vida aos mortos. È bem provável que aquele encontro fosse mágico. E se nada acontece por acaso, e ‘o casamento e a mortalha no céu se talha’, como diz o Povo, o encontro aí se deu.


As condições não eram as melhores, mas como a desgraça tem o condão de aproximar os seres humanos…E como se diz que Deus escreve direito por linhas tortas, então tudo acontece no momento certo!
Afinal não são os sãos, mas os doentes que precisam de mais e mais amor…Júlia, como enfermeira, bem conhecia esse segredo da vida. Por isso vai abrir - se certamente em compaixão para com Roberto, por todos os motivos… Vamos espreitar? Deixar quem ama tranquilamente. É regra de ouro.


Além disso, ficar velho é obrigatório. Crescer é opcional, mas a experiência, a sabedoria da vida também têm muito que se lhe diga. Uma coisa é certa, nós não paramos de amar, porque ficamos velhos. Nós tornamo-nos velhos, quando paramos de amar.


Precisamos rir e encontrar humor todos os dias nas nossas vidas. Se tivermos um sonho, nunca morreremos. Crescemos sempre que encontramos oportunidade para mudar. Os mais velhos só têm remorsos pelo que queriam ter feito e não fizeram. Talvez Roberto até tenha medo da morte, porque poderá ter alguns remorsos…Por ter vivido menos bem o tempo rápido da passagem por este plano. Será que agora a vida os fez cruzar agora para darem continuidade ao seu romance interrompido, há já tantos anos? Mesmo que fosse menos tempo do que já viveram, talvez valesse a pena prosseguir um sonho que sempre se desejou. A qualidade tem muito pouco a ver com a quantidade. ……………………………………………………………………
Embora tivesse havido algum desgosto pelo grupo se ter desfeito, lá continuámos a descobrir o mundo e a nós mesmos, na relação com os outros e no mais profundo de nós mesmos, o que sempre acontece quando se viaja e ficamos naquele espaço vazio e íntimo em que tudo é sempre vestido da verdade mais nua e crua.
É engraçado observar o mundo que nos rodeia, naqueles momentos em que esquecemos as horas, os dias ou os meses, o país onde estamos. Uma verdadeira simbiose e encantamento se estabelecem entre nós e a natureza que nos envolve... Nada mais existe! Tudo se apaga para que as sensações se incendeiem e possamos fazer um todo com a paisagem.
O mais interessante é quando pensamos que o destino dos viajantes de um autocarro, vão na mão do motorista atento e interessado em chegar bem a seu termo. Naquele espaço fechado, cada pessoa carrega mundos e realidades diferentes. Não há dois seres iguais, porque além do que herdamos dos nossos antepassados e de um fundo comum a todos os seres da mesma espécie, há a educação e as nossas aquisições que fazemos com a nossa liberdade. È claro que o ambiente em que crescemos tem muita influência. É uma segunda natureza, mas no final do balanço, é bom chegar à conclusão que valeu a pena ter vivido. ‘Valeu a pena ter amado quem amei, Ter sonhado o que sonhei Ter sofrido o que sofri…diz assim a fadista.
Até se diz que não tem medo da morte quem sempre viveu bem a sua vida! Para terminar esta reflexão, enquanto fica em fundo a história interessante que nos tocou nesta viagem, ainda acrescentamos: viajar é afinal uma forma de evasão privilegiada. Espaço de descoberta e encontro connosco mesmos, com os outros e com a
paisagem…



Lucinda Ferreira















oa s

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pintura Mediúnica


Não sabia nada disto.

Há tempos , uma colega convidou-me e eu vi .Até fiz fotos ,, de um bonito jovem , que dedica a sua vida a ajudar crianças pobres num centro de acolhimento que ele construiu.


Durante duas horas, com os olhos fechados, ele pintou 22 quadros, cópias exactas de pintores célebres, ja falecidos!...

Todos os quadros eram cópias exímias de obras famosas

Van Gogh, PIcasso, Rembrant, Monet, Manet e outros diversos.

Uma maravilha!


Fiquei a pensar e cheis de curiosidade para além do que vi ali.

Fui à net e lá descobri , mais uma senhora que vinda do Sertão brasileiro, ignorante e pura , emergiu para pintar as coisas mais belas que podeis imaginar, sempre guiada pelo Espírito ,pois ela nunca tinha praticado , nem aprendido tal arte!

Pintava com as mãos . Com a boca. Com os pés!

Ela mesmo se espantava com tanta Beleza , assim como este jovem , quando abria os olhos do transe em que mergulhara, para pintar seus quadros que depois serviriam para dar pão a tanto faminto. Tudo coisas fantásticas, confesso.


Bom, mas ele partiu para a sua Terra, levando o pão para os seus famintos irmãos que tanto amava.Vimos tudo em filme.


Ontem, tive oportunidade de conhecer uma jovem senhora, que também entre nós, esta com os olhos abertos, pinta cópias do outro mundo, espiritual, etéreo e simbólico...

Duma beleza e duma profundidade comovente, que seria dificil arrancar de um ser humano, se não fosse a ajuda do Alto!

A senhora tão simples , doce e determinada, na sua jornada de mudança do mundo, nem tinha grande instrução terrena, reparei.


Deus dá a sua graça a quem se abre..e se entrga a Ele com cob nfiança..
Ele manifesta-se na medida da nossa abertura.

È a pureza que talvez sirva de canal a tanta beleza , que me deslumbrou também!


Ela pinta a energia de cada um de nós... e é importante , porque alargando o nosso auto-conhecimento, nos dá pistas para trabalharmos a nossa evolução.

Fiquei verdadeirmente deslumbrada .

Se alguém quiser saber mais , pode perguntar , porque eu dou toda as pistas.

Mas de facto , podemos concluir que o Homem não morre quando o corpo desaparece!

E também que os espíritos podem-se comunicar connosco em beleza e sobretudo em energoia.

É preciso estar atento a estas realidades, que não são patranhas!


Não nos deixarmos arrastar somente pela materialidade e pelas precoupaçõs puras e simples num redomoinho consumidor e sem sentido!


Ilusões passageiras, necessárias para a nossa evolução, pois temos que fazer esta experiência da dualidade na matéria, MAS com a consciência espiritual viva e atenta , servindo-nos de todas as dificuldades para crescer e evoluir cada minuta das nossas vidas , da nossa existÊncia precária que nos é dada por amor.

Sejamos ainda gratos, acima de tudo.

So nos ganhamos com isso em alegria . Serenidade e certezas!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Posse do novo Governo


Ouço com atenção o que se passa no meu País.

Fala-se da posse dos novos políticos .Fala-se de gripe , de vacinas , de medos e de disccordâncias sobre aplicaçao da vacina.


Pareceu-me que o Senhor Presidente da República se aplicou para dizer com sinceridade o que sente e pensa.

Que se esforça e empenha para dar o seu melhor de acordo com a sua personalidade sólida , estruturada e coerente.

Depois ouço o Senhor Primeiro Ministro, descontraido, fala de flexibilidade e modernidade. Parece-me empenhado, dentro daquilo que é como pessoa, do que é a sua personalidade.

Falou muito em energias...energias de toda a espécie.

Oxalá corra tudo bem e o melhor possível par TODOS: Políticos e cidadãos !

Tudo foi bem lindo o que se escutou.
Que todos os Portugueses compreendam também, a sua responsabilidae e que não estejam sempre à espera do Governo . Cada um tem que fazer a sua parte, naturalmente.

O gesto de cada um de nós tem a sua ressonância.


Sobre a gripe...

Parece-me que há muito alarmismo. Qualquer pessoa fragilizada, fica em perigo por uma infecção gripal.

Na verdade, a vacina , um virus vivo, é sempre um risco. Lembro-me de um engenheiro de 34 anos, que morreu pela vacina que lhe foi ministrada. Isto já há muitos anos...

Portanto, ja recebi várias mensagens especificando os efeitos secundários desta vacina.

Também se percebe que é um grande negócio, tudo isto. Mas acho que cada pessoa deve decidir.

EU NAO VOU TOMAR!

E pergunto-me se se está fragilizado, se a vacina não será também perigosa.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mar Alto


Vivi 8 meses no mar Caraíbe, mar que rodeava a Guiana Francesa e Amazónia, fazendo conferências para Belgas e Franceses, num Barco Grego , ao serviço da França.

Confesso que foi uma experiência enriquecedora,mas de uma grande solidão e dureza.

Aí , houve necessidade de apelar às minhas forças mais profundas , para me ver por dentro e por fora , só, no meio de tanta gente...Natal e Ano Novo foi o mais duro!

Escrevi um pequeno texto, intitulado MAR ALTO que hoje partilho convosco.

MAR ALTO


Depois de algumas peripécias, atravessava a passerelle.

Entrava, por entre luzes e bandeirinhas de todos os países do mundo, ao serviço da França, no grande Barco Grego, a casa flutuante do sonho.

Seriam oito meses entre o céu e o mar.
Tudo aquilo era um mundo novo e particular. Especial.
Gentes de trinta e oito países faziam aquela temporada no Mar Caraibe, e nas águas que banham a Guiana Francesa e a Amazónia.
Acolhiam-se turistas de língua francesa: franceses e belgas, sobretudo.
Ao domingo à tarde, invadiam-nos a “CASA”, entrando em magotes curiosos e exigentes, os companheiros de viagem, durante oito dias.

Fascinados, curiosos, sonhadores, ávidos de aventura e novidades, começavam logo pela Martinica, ilha das Flores, que os acolhia com um colorido exótico bem diferente de tudo o que deixavam para trás, na Europa fria.

Seria para eles uma pausa morna nesta América Central, já que os cruzeiros se realizam de Novembro a Maio.

Depois são os tornados e as tempestades, naquela zona.
Alinhado, sorridente, amável, todo o staff se desfazia em gentilezas para acolher mais um novo grupo.

O Barco, repleto de Alpinias púrpuras, de Rosas Porcelana, Estrelícias e tantas outras flores locais, davam as boas vindas num tom festivo, logo à entrada.
Os cubanos, todos artistas de craveira, numa grande expectativa, com histórias terríveis de miséria, iam até ao limite de todas as exigências dos passageiros que habitualmente os procuravam…lá sabendo todos eles…os motivos (…) que nós atentos até adivinhávamos.
Os visitantes da semana anterior, partiam saudosos ao sábado à tarde, por entre o corredor branco do staff em cordão , balouçando ao som do “Beguine” e da steel Band.

Alguns turistas, já com a categoria de amigos, partiam… olhos brilhantes e um pouco do nosso coração escondido dentro deles.

A amizade verdadeira é eterna.

Nunca sabemos quando começa, mas sabemos que não termina nunca. Ali era apenas o encontro!
Nós ficávamos, cada um nos seus postos, sempre mais sós.

Aprendia-se que a VIDA É FEITA DE CHEGADAS E PARTIDAS!

A sensação de efemeridade … do valor secreto do acaso ou não acaso (…)

Há quem diga, que o acaso é quando Deus não quer assinar. Não existe acaso.
A maior parte das vezes, quando atracávamos, corríamos todos para a cabine telefónica, com uma fila interminável.

Ouviam-se falar todas as línguas…Aí se reconfortava a alma ao ouvir a voz de um filho amado ou outro familiar, tão perto e tão longe, separados por um oceano!
Solidão acompanhada é dupla solidão.

Mas também parece que só sente solidão quem não gosta de si mesmo…

A noite vestida de toilettes diversas, cheia de cor e movimento, numa agitação esperada ou consentida, contagiava o tédio de alguns passageiros que se soltavam em movimentos desengonçados uns, outros cheios de glamour…
Na festa de máscaras, a imaginação premiada era um espectáculo sempre novo.
No Grand Sallon apinhado de trajes de gala, as bailarinas frágeis, atrevidas nos reduzidos fatos cheios de cor e brilho, alternavam com os ilusionistas, contorcionistas, músicos e outros artistas que animavam as noites, no Barco.
No final, o Baile rematava sempre a noite. Alguns passageiros escorregadios…esquivavam-se pelo navio, em cantos e recantos …ou para ver o mar alto onde a lua se banha e desnuda, traçando uma estrada de luz… ou então, para contar e escutar segredos…Havia quem optasse pela bebida ou pelo jogo ou simplesmente…desaparecesse acompanhado para a cabine…
A chegada a uma nova ilha, era acolhida com curiosidade e sofreguidão.

Eram as excursões. As novidades. Os negócios. As prendas. A Música .Os grupos locais cheios de cor, movimento e alegria que saudavam os turistas, a possibilidade de mergulhar e descer ao fundo do mar e apreciando o maravilhoso dos corais…

Desportos náuticos naquele espaço eram muito vulgares.
Conversar com os habitantes, ir Igreja e conhecer a sua fé, negócios, peculiaridades, monumentos, vegetação, natureza… ficar sentada na Praça…observar…sentir o bulício, o movimento a cor, as formas, os cheiros, ou mesmo os sabores eram atractivos diferentes num espaço novo.

Possibilidades infinitas que se oferecem ao visitante.
A noite em terra mal chegamos, surpreende pelos ruídos doces e insistentes, misturados com o rolar das ondas que lambem os pés dos hotéis mesmo ali à beirinha da água morna.
Logo de manhã, despertar pelo sol que se levanta de repente às seis horas, olhar a árvore ali ao lado e ver de “serviço”, vigilante, uma grande iguana muito verde, espreitando todos os nossos movimentos.
Outras surpresas esperam o visitante. Por exemplo, penetrar nos Jardins de Balata, nas Grutas de Barbade, banhar-se na fonte da longevidade (…) ou apenas observar as grandes barbas que pendem das árvores, o que levou os Portugueses a baptizar e chamar Barbades, àquela Ilha. Em seguida, voltava-se ao barco.
Ambiente encantatório prendia com estranha sedução, quem chegava de novo.
As novidades sucediam-se, quer em terra, nas diferentes visitas, em que não faltavam as odorosas bebidas, misturadas com rum, fazendo esquecer desgostos, preocupações e ver a vida toda rosa.. Quer as viagens em “Catamarran” ou no Bateau Pirate ou , à noite no Navio, a casa do Sonho eram um buraco na realidade dura de cada um .
Às terças feiras, era a ceia odorosa e cheia de frutos dispostos com uma originalidade invulgar, tal como as incríveis esculturas em gelo feitas por um artista tailandês, nosso companheiro de viagem .
Depois acontecia o esperado e habitual jantar de Gala, em que o Comandante honrava, pela sua escolha e distinto convite, alguns passageiros para jantar nessa noite, à sua mesa!
Havia um dia escolhido para os disfarces e as brincadeiras “carnavalescas”. Eram muito animados e de uma grande originalidade esses serões cheios de mistério, imaginação e concursos.
A piscina de águas límpidas, salgadas e mornas, abria-se disponível, de par em par para quem optasse por se bronzear e relaxar, entre o mar e o céu cálido da América Central. Sobretudo consolavam-se aqueles de corpos muito brancos estendidos nas longue-chaises azuis...azuis. Ávidos de sol, deixaram à espera uma Europa invernosa vestida de branco pela neve fria…fria. Por ventos agressivos e c até inundações.
Vinham depois também, os dias de navegação no mar alto. O mar Caraibe, interior, um lago sereno e morno, em que não havia agitação… a não ser na alma de algum passageiro mais sensível ou apaixonado…
No Oceano Atlântico, estes dias eram agitados demais. O médico de bordo não tinha mãos a medir…já estava habituado. Para nós, era tudo rotina, até os vómitos. A Biblioteca enchia nessas alturas. A educadora de Infância ficava soterrada sob tanto menino que viajava gratuitamente.
Aconteciam sempre muitas aventuras no Barco durante a noite. Havia quem preferisse o sossego da cabine. Lia-se e descansava-se tranquilamente.
Sabia-se que Sophie, uma bailarina francesa, a mais linda de todas elas, se fixara num cubano atarracado , ciumento e belicoso e que lhe batia todas as noites. De manhã Sophie tinha mesmo negras pelo corpo…Inventavam-se parentescos no Barco e Sophie era a minha filha. Desabafava e conversava muito comigo. Nunca consegui que terminasse esse amor sádico e infeliz. Às vezes, nas ilhas mais pobres, íamos as duas levar comida aos que no cais ,esperavam a passagem dos grandes Barcos de turistas para daí usufruírem alguma coisa...
Os taxistas, classe privilegiada nas ilhas, esperam as senhoras canadianas e americanas, a quem prestam toda a espécie de assistência que elas muito bem pagam.
Entretanto no Barco, os Gregos muito animados, simpáticos e alegres, fazem as suas festas nocturnas na cabine do segundo Comandante grego.Comem .Bebem…Bebem bem…depois, quais Zorbas bem protegidos por Baco, dançam sobre as mesas. No final, partem tudo! Faz parte da festa este ritual.
No porão, alguns asiáticos, difíceis de esquecer pelo seu sacrifício, nunca vêem o sol durante três meses. São os mais mal pagos, desprezados e esmagados por tanto sacrifício.
Por entre um cheiro intenso a petróleo, barulho forte, permanente, num ambiente mal iluminado, entre canos, fios, uma grande confusão, vêem-se enfarruscados, silenciosos, isolados, sem nunca falarem com ninguém, sem verem o sol, nem respirarem ar puro, sempre naquele exíguo espaço, dias e noites, durante três meses… para todos os outros se poderem divertir… São os novos escra- vos das galés da nova civilização!
Os camaroteiros, esses sabem todos os segredos do barco. Aos montinhos, nos sítios mais escondidos, põem as novidades todas em dia...quem dormiu com quem… era a novidade de cada dia. È a sua distracção preferida: falar de tudo e de todos…Contudo, gentis, prestáveis esperam sempre o envelopezinho do passageiro que termina a viagem.
No comando, jovens oficiais tecem os seus comentários ao mundo feminino que desfila, quer o que vem de fora, quer quem está dentro.
Viver num Barco implica, para a maioria que lida mal com a solidão, perfilhar três vidas: a do antes, a do durante e a de depois.
Era por isso que quando se atravessava a passerelle pela primeira vez, os homens observavam a população feminina para acautelar o melhor possível a “vida”e ficar bem servido durante aqueles oito meses, com a sua nova companheira de viagem . Os oficiais eram os que tinham mais vantagens e assim eram os primeiros a escolher. Punham os olhos logo nas mais jovens e mais bonitas. Normalmente eram as bailarinas as escolhidas. Elas também não se importavam, porque optavam pelo poder e pelos privilégios para si e familiares que as iam visitando. O Comandante prestava-se ainda ao papelão de cumprimentar os turistas enquanto o fotógrafo, ganhando a vida enquanto viajava connosco, fixava esse momento de “triunfo” efémero que o passageiro exibiria mais tarde para si próprio e amigos no álbum de recordações.
Bem, eu… fazia conferências neste Barco…falava dos Livros, Fauna, Flora. Etnologia, História, Arte e muitos outros assuntos.
..quantas mais coisas poderia contar, não cabem neste limite de páginas …isto será apenas a introdução do livro que escreverei dentro de tempos.



sábado, 24 de outubro de 2009

Poema para minha Mãe


Quando eu nasci


O céu abriu em flor …
Vestiu de perfumes
O coração de uma mulher …
Sorri.
O sol brilhou no seu olhar!
Nos meus passos vacilantes
Semeou dia após dia
Carinho e vigor
Canções virginais
…poemas d’ amor...

Sonhou para mim estrelas
Poentes de fogo…
Auroras cristalinas.
Mar imenso!
Princesa…
Deu-me luz e saber
Mãe, bem hajas!
Ainda hoje
Passo esta chama
Aprendo a viver!

Brilhou uma estrela

Brilhou uma estrela

Conta a lenda, que muito antes do povoamento da ilha da Madeira, em 1425, Nossa Senhora atravessou numa noite de grande escuridão, o espaço onde mais tarde seria a freguesia de Santa Maria Maior.

Ao passar deixou um rasto de luz tal, que este facto serviu de demarcação àquela freguesia.

A partir daí, as estrelinhas no céu, como pérolas brilhantes, passaram a exercer um papel muito importante na vida das pessoas.

Eram tidas como bússolas das suas caminhadas.

Guia de todos os seus passos.

Cintilavam luzeiros, enchendo de fulgor e certezas os habitantes da freguesia.

De boca em boca passou a lenda.

Todos os habitantes eram conhecedores da velha história passagem de Nossa Senhora pelas suas terras.

Ainda hoje, se avista de longe um grande clarão, iluminando todo o firmamento que cobre o espaço de Santa Maria Maior.

Cedo por isso, muitos artesãos aí se fixaram e se entregaram a tarefas diversas, atraídos pela claridade que lhes permitia trabalhar até tarde, e madrugar com a Estrela da Manhã que sempre os acompanhava.

Quem escolhe a luz, não é indiferente a este recanto da ilha benfazeja, onde as flores crescem, balouçando na brisa suave, perfumando o ar.

A cada criança que nasce aqui, é atribuída uma estrelinha….

Qual delas a mais brilhante!

As mães e as avós, ao embalarem os seus meninos, vão cantando baixinho…

Dorme, dorme, meu menino

Tua estrelinha já vem…

Vai abrir os teus caminhos,

Segredos que o mundo tem.

Mal se apercebem desta realidade tão extraordinária, todos os meninos perguntam:

- Mãe, qual é a minha estrelinha?

As mães nas noites mais escuras, em que mais brilham os luzeiros de céu, vêm assinalando para toda a vida, a estrela do seu menino, para quem desejam a melhor sorte.

Referem sempre em primeiro lugar, a passagem de Nossa Senhora.

- Sabes, meu filho, um dia Nossa Senhora andou por aqui por Santa Maria Maior. Deixou um rasto de luz tão belo, tão brilhante, que agora cada pessoa que aqui é gerada, nascida, escolhe a estrela da sua vida, guia seguro até à eternidade.

- O Mamã, que bom! Nossa Senhora foi muito nossa amiga.

Eu quero ser cientista. Fazer um foguetão para ir a casa de Nossa Senhora agradecer-lhe. Ver as estrelas por dentro. Brincar com elas.

-Podes ser e fazer tudo o que quiseres, meu amor. Só tens que acreditar. Trabalhar. Nunca desanimar. Sempre que puderes, passar a tua luz aos outros. Dar-lhes coragem. Força.

Assim ficarás cada vez mais protegido.

A luz maior reinará assim no mundo inteiro para toda a gente!

Na casa ao lado, nascia mais uma linda madeirense.

A mãe não se descuidava. Referia o acontecimento extraordinário. Enquanto isso não era possível, ia cantando baixinho. Embalava-a. Preparava a sua alma para o sucesso. Impregnava lenta e suavemente todo o seu ser de vitórias.

...as grandes árvores crescem devagarinho.

Dorme, dorme, meu amor

Desce o sol já vem a lua

Teu destino é de luz

A vitória já é tua.

E as meninas e os meninos de Santa Maria Maior adormecem...crescem com esta certeza no seu coração. Muitas delas têm uma sede grande de conhecer mundo. De serem importantes construtores. Intervenientes no espaço que os rodeia, seja lá onde for. Mesmo nos confins do planeta!

O sucesso vai tomando formas diversas, em terras muito longínquas, por vezes. Os anos trazem sempre surpresas.

Canadá, África do Sul, U.S.A. e outros destinos tem vindo a acolher todos os dias, mais um madeirense em cuja alma brilha uma estrela cintilante.

De início, a adaptação nem sempre será fácil. A dureza da vida obriga a sonhar com a ilha acolhedora, coberta de flores, de ameno clima e odores familiares, onde as raízes são um apelo constante.

1.Vale o brilho da estrelinha pessoal cheia de promessas e segredos no mais fundo do ser de cada um…

- Não podes desanimar. Quando se fecha uma porta, abre-se sempre uma janela…

Os vencedores são sempre pessoas de fé. A perseverança e o caminho do meio – da verdade e da justiça – compensar-te-ão. Só não podes duvidar!

Se não fores tu hoje um grande homem e uma grande mulher, serão amanhã os teus filhos e netos. Confia!

Às vezes, mesmo conhecendo a lenda de Nossa Senhora, as gentes de Santa Maria Maior também desanimam por momentos, para logo repetirem para si mesmos:

Brilham estrelas no céu

Por que não brilho eu assim?

Se Santa Maria Maior quis

Tanto brilho só p’ra mim?!

E… tudo muda, como por magia … por milagre!

É este fogo que tem vindo a ser passado de geração em geração.

Ainda hoje no mar, ao acercar-se da ilha da Madeira, um brilho intenso como um cordãozinho de pérolas, indica ao visitante a singularidade da freguesia de Santa Maria Maior.

Abril… Primavera…

O odor e a beleza das flores… Festa da Flor, atraindo e seduzindo os amantes do belo! Quem sabe Nossa Senhora não terá sido embalada ela também, por este espectáculo singular, feito cor e perfume das flores que crescem selvagens, neste pedaço de terra abençoada? ...

O actual Muro da Esperança, onde Crianças colocam flores, confiantes e construtoras de um mundo melhor, não serão o testemunho vivo da lenda de Nossa Senhora Maior, escrita nos corações mais puros e feita realidade nos nossos dias? ...

Por estas e outras razões (…) …

…Quem está atento, ainda hoje ouve ao passar pela freguesia de Santa Maria Maior, um coro de Anjos deixando um cântico muito suave no ar:

…Estrelinha florida,

Quem te fez assim tão bela?

- Nossa Senhora ao passar

Quis distinguir este Povo

Por nunca se esquecer dela!

Lindamar

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A velha cabra da Universidade de Coimbra


Para quem não sabe, a cabra , é o relógio da Torre da Universidade de Coimbra, com 700 anos de idade!
Ontem, de manhã, a cabra tocou com um som triste e dolente. Anunciava a morte de alguém ligado à universidade.

Tive a sensação do quanto a Universidade tem sido importante para esta cidade , cujas emoções são muitas vezes anunciadas pelo som de uma cabra velha, saudosa, alegre ,mas sempre atenta.
Coimbra de facto, é mesmo uma cidade particular