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domingo, 1 de agosto de 2010

iIMPRESSÔES...




Hoje, embora contrariando este meu jeito e hábito de estar sempre fechada em casa, tive um convite de minha Filha e Genro e fui com meus netos a uma feira...



Não a uma Feira livre, como já fui algumas vezes e ia quando era pequenita e até gostava.



Hoje era uma Feira , num recinto fechado.
Logo para entrar, era necessário pagar um bilhete...
Havia seguranças e polícia por todo o lado, mas o que mais me chocou , foi o barulho ensurdecedor, apenas semelhante ao barulho do Carnaval na Ilha de Trinita nas Caraíbas, que me obrigou a recolher imediatamente ao Barco.
Parecia um inferno. O coração ficava tão agredido que disparava em taquicardia.



Hoje, era semelhante.
O que valia é que a feira era encostada a um cemitério e os mortos...fisicamente também não reclamavam.
Se o nosso espírito após a morte, não tivesse caracteristicas especiais , tornava a morrer de certeza...
De qualquer modo , não há um controle sanitário que ponha mão nestes desmandos e exageros , agressões para saúde pública com decibeis malucos e fora de qualquer gosto ou propósito.
É ver quem berra mais alto!


Mas , meus amigos , espantem-se, aqueles visitantes levavam bébés de menos de 3 meses, porque eram tão pequeninos que fazia dó a ignorância daqueles pais ,que não sabem o mal que estão fazendo áqueles inocentes .
Os seus sistemas nervosos, os seus desiquilíbrios, as suas doenças, problemas de cansaço, falta de atenção e tantos outros densconcertos nascem todos nesta falta de higiene sonora e de respeito pelos seus sistemas nervosos necessitados de silencio, paz , ambientes normais e não de gente que só ouve aos berros!


Mas a coisa não ficava por aqui: famílias inteiras passevam no alcatrão que fervia, com os seus carrinhos de bébes que deviam ter sede, choravam ,mas lá tinham que ir na "procissão".



Mais à frente, uma menina de tenra idade, cheia de pulseiras de ouro e mais ouro, (...) sentada no carrinho , era obrigada a comer pastéis cheios de creme que a mãe e avó lhe metiam pela boca abaixo com insistência , embora a bébé fizesse menção de não querer tanto doce...cremes ali ao calor, sabe Deus em que condições(!!!!)



Os Homens bebiam cerveja, cerveja, cerveja e os mais jovens, cocacola, cocacola, cocacola...se faz mal ou bem , que se lixe...(...) desculpem o palavrão ,mas irrita tanta ignorância.



Toda gente se perdia num mar de carros ...
Muitas considerações assaltaram o meu espírito , sem querer ser preconceituosa,mas talvez como educadora, me tivesse ficado esta preocupação de respeitar os mais novos que nos são confiados.
É que esta gente faz os meninos, pq isso não custa nada,mas depois educá-los ?


Eles não sabem , nem nunca ninguém lhes disse que a educação, o equilíbrio, e o respeito de uma crianças se aprendem 20 anos antes, pela educação dos pais...


Depois não me venham dizer que vivem mal os portugueses ,porque a maneira como se conduzem , se comportam , nem parece.
Depois o propósito e o despropósito da maneira de vestir maluca completamente deselegante e disparatada, as maneiras...meu Deus!
Por onde anda o tal Povo Português? Os Jovens ? As raparigas, futuras mães amanhã? Os pais...
O que me parece é que q televisão e o seu descalabro que se espalha sem critérios ,nem ninguém a comentar ou dar umas dicas de bom senso e de maneiras, faz desta gentinha simples , inculta e com ares de novos ricos, faz destas pessoas seres que não sabem para onde caminham, nem quem são ,nem o que andam a fazer ao cimo da terra...
Pronto. Meia bola e força. Pé na tábua e seja o que for , logo se vê...
Amanhã vão todos ao futebol...
Os mais jovens se for preciso, como não têm emprego, roubam, matam, esfolam, drogam-se e já está . Se rebentarem não faz mal ,porque também não há ideais.
A miúda até bateu na mãe , não foi?


Enfim...fiquei francamente triste com tudo o que observei deste Povo Português que sempre primou pela honestidade, trabalho, acolhimento e gente boa!
Gente de valores...hoje não sei por onde andavam , porque a imagem que passavam não me pareceu essa.
Oxalá que eu esteja enganada...

sábado, 31 de julho de 2010

De passagem pela cidade do Porto







A cidade invicta , q sempre recusou o jugo estrangeiro, é uma cidade com uma alma e uma energia bem especial.



Mal cruzamos a Ponte da Arrábida, a Afurada à esquerda ( idos de sul para Norte), promete um passeio cheio de frescura ao longo do rio, nestes dias quentes , mt quentes.
Lá ao fundo a entrada da barra e o mar de mansinho inundando a cidade generosamente.



À direita, o casario ao longo do rio que se estende a perder de vista , é também um convite à descoberta.



Várias são as Pontes que atravessam o Douro que vindo de Espanha, nos brinda com suas águas fartas e profundas.



De vez em enquando , subo a corrente até à Régua,mas aquelas descidas das comportas com um desnível de 34 metros , nunca me agradam mesmo nada...



O carácter das pessoas do Porto, é franco e amigável completamente diferente das sofisticadas gentes do sul, de Lisboa concretamente. Até se diz que estas comem na gaveta...Imagine-se. Mas lá que há muita afectatação e menos abertura do que no Porto, é certo.



Reparo ainda no Porto, que o pequeno comércio continua vivo e com algum movimento, apesar das grandes superfícies , onde mesmo nós aqui de Coimbra, vamos mts vezes para adquirir produtos que nos faltam por estes lados .



De qualquer maneira , gosto da paisagem aberta e ampla de águas, penetrando por um lado e por outro...



Com este calor insuportável que tem estado aqui por Portugal, no Porto parecia um inferno. Lume subia do chão da calçada e o ar abafado até fazia temer momentos piores, porque no ar o fumo dos incêndios, deixava um friso largo para os lados do mar. Um escuro assustador e um cheiro que se confundia com torradas , andava no ar nas ruas, mesmo durante a noite.



De qualquer modo , o mágico passeio junto ao mar, próximo do Castelo do Queijo á noitinha ou pela noite fora, fazia esquecer a caloreira dos dias abafados e insuportávies.



No Passeio Alegre, junto à Foz, passeva a Polícia regalada, onde nem era necessária (...), entre gente civilizada empurrando o carrinho dos bébés ou passeando os seus lindos cães de estimação felizes com seus donos.



Passeavam os velhos de mão dada, as teenagers desengonçadas quase nuas, as crianças, os ricos e os menos ricos.Todos.



É verdade que carros de alta cilindarada se alinhavam ao longo do passeio, mas o Porto só em zonas mt especiais parece pobre, pq dá sp a noção de um sítio sem prolemas.



Quando se deu um volta, à noite, pelos lado de Vila Nova de Gaia, as esplanadas estavam plenas de gente , comendo e bebendo animadas. De vez em quando alguém tocava nas esplanadas, enquanto os turistas aproveitavam para dançar a Lambada!



E assim entre cervejas e marisco, a vida sorria e a noite avançava calma e animada. Relaxada.



Também só se podia estar perto da água . Dentro de casa, era um forno ,mal de desligava o ar condicionado.



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Uma nota especial marca sempre este Porto escuro,mas belo no seu conjunto.



São as gaivotas cruzando o céu da cidade, dando pios tais que na primeira noite, já nem me lembrava, me fizeram temer pela sorte de algum cachorrinho em sofrimento. Qd acordei e reparei pela manhã, eram as gaivotas com seus silvos agudos, típicos , à procura de comida nos caixotes do lixo.



Recordei como em Den Haag, os patos que cruzam no ar , sobre as nossas cabeças , laçam sons típicos, tal como aqui no Porto as nossas amigas gaivotas espalham estes silvos agudos, gritos na noite que até assustam quando vamos de Coimbra , cidade silenciosa e calma .
Mas o Porto é muito mais .
Isto é só um convite, pq cada um de nós , descobre sempre o espaço com aquilo que se é .
Cada um busca o que mais lhe interessa e ali no Porto, há para todos os gostos.
Boa viagem!

sábado, 17 de julho de 2010

Crónica: O Homem grande chorou...


Fica mais um flash, antes de continuar o nosso assunto sobre a Dama dos Véus e da Foice...


Hoje é um assunto q não é muito agradável... mas a vida é feita de tudo




Crónica do homem grande

Orgulhamo-nos tolamente de convencer os outros daquilo que nós próprios não pensamos e sentimos”
Vauvenargues

Quando a escrita se torna como um tubo de respiração, uma válvula, ela está sempre presente em nós.
Onde quer que estejamos, parece que a câmara está sempre a registar, mesmo que disso não tenhamos consciência.
Depois quando estamos mais calmos, vem tudo à tona e somos pressionados a passar para a escrita, o tal registo.
Então desta vez o que se passa? O homem grande chorou.
O homem grande estava muito decepcionado, porque ela o tinha abandonado.
Ela, em quem depositara tanta confiança.
Ela, com quem dera tantos passeios.
Ela, com quem passara tão bons bocados.
Ela, que visitava todas as noites.
Ela, de quem esperava companhia.
Ela, de quem esperava todo o apoio.
Ela, a quem até dera uma casa!

Fiquei com pena do homem grande que estava tão triste e falava de abandono. Desilusão.

Mas depois, conhecendo melhor a sua história, percebi que quem com ferros mata, com ferros morre e que estão todos bem uns para os outros.
Merecem-se.
Talvez fosse importante é quebrar estas cadeias…
E porquê?
Porque nascera tudo torto.
O tal homem grande tinha um compromisso de família.
Mas como é apanágio de alguns homens com costela de árabe, querem ter mais do que uma mulher, não por amor verdadeiro ,mas para irem variando.
Como alguém um dia me “explicou”, que um homem precisa de várias mulheres na sua vida.
“ Uma mulher é a mãe dos nossos filhos.
Outra, é a nossa empregada.
Outra é a nossa amante, a do prazer”.

E para além disto tudo, ainda há a história dos patrimónios.
Dos bens, que é uma trapalhada e que têm de se preservar (…). Sobretudo, quando ela é que trás a maior fatia, isto não se pode perder nada.
Acrescentamos ainda esta coisa linda: a fachada social. Salvar as aparências de ser um chefe de família de palavra, honrado e fiel, que não abandona o lar.
Bem, e dão-se uma voltas (…) e são todos muito felizes.
Mas um dia, a coisa rompe-se.
A casa vem abaixo.
E como é que elas se sentem as duas “princesas”?
A que fica em casa, desenvolve doenças graves, porque vira contra si própria toda a raiva que não controla e não exprime para não perder o “príncipe”, o chefe de família.
Foi assim que foi educada. A mulher fica em casa. Ao homem tudo se suporta.
Tida pelo príncipe, como azeda e muito “chata”, enquanto educa os filhos sozinha, ainda vai estando mais acompanhada, porque de resto está sempre sozinha.
E propósito de azeda, ocorre-me algo que li em Vauvenargues e que diz: “Não há pessoas mais azedas do que as que são doces por interesse” (…)
Pois.
…………………………………………………………………………………………………………....
A outra princesa vai gozando e explorando o mais que pode a situação, que sempre está muito clara na sua cabeça, como transitória e oportuna. E vai aproveitando. A certa altura, começa a ver que o homem grande fica velho, muito velho, porque sempre foi mais velho desde o princípio...
Ora muito bem: já temos um bom trabalho.
Uma boa casa.
Muito bons conhecimentos.
Segurança e outro, (uma boa mina) debaixo de olho.
E agora que as coisas do corpo já não funcionam, o que é que resta?
A parte material.
Há que pôr os olhos ao resto, porque ele abunda por toda a parte…A princesa não é cega e está dentro de todos os segredos e jogadas.
Conhece heranças e muitas outras facilidades (…).
E a certa altura, pergunta:
- Como é, vamos partilhar?
Assegurar esta coisa material, que é a única coisa que sempre contou para ambos, dado que se passou por cima do resto…
Aí, o homem grande e velho, quer controlar. Segurar a barra e meter tudo no mesmo saco.
Nem se recorda que passara por cima de tudo: roubara a rapariga ao marido …
Enganara a companheira.
Brincava aos casais.
Era tudo muito bom, mas a brincar. Ao faz de conta…

Mas se o contracto, era o do prazer que para ele mudava de face e agora necessitava de ternura e carinho, atenção?
Para ela, os interesses eram diferentes, porque estava fresca e para usar e durar e a cabecinha muito fresca.
Era só o vil metal, os bens, a segurança, a abundância que a motivavam.
A casinha já lá cantava, mas queria muito mais e mais, porque isso era o que não faltava ao homem grande…
Mas também não lhe faltava a inconsciência, ganância, o controle, o apego, burrice e fraqueza e aí…chorou.

Ela depois de esticar a corda e pôr as cartas na mesa, foi peremptória:
- Ou pões os bens no meu nome ou acaba aqui tudo!
Aqui, o homem grande chorou.
Aqui, o homem grande não aguentou tanta “generosidade”.
Usou-a naturalmente e até lhe pagara…
Ela também o usou, mas agora não estava mais para o aturar. Já não precisava mais dele. Tudo acabara.

Então o homem grande chorou…
……………………………………………………..
Esta seria uma história baseada na malandragem secreta de um homem grande com costela de árabe, se não fosse a observação que se faz do percurso seguinte do homem grande.
Ele é velho, mas aprendeu bem e refinou.
Tem um comportamento semelhante ao dela: não dá ponto sem nó.
Quando dá uma pequena chouriça, espera sempre que lhe dêem um porco.
Senão desaparece. É incapaz de doar seja o que for.
Habituado a receber unicamente.
Qualquer pequeno favor, fora sempre muito bem pago. Por que não?
Como poderia agora perceber o que é generosidade? Amor incondicional?
Na sua cabecinha isso seria ser palerma... ser usado…não ter qualquer possibilidade de ser usado…
E o mundo é apenas baseado em troca por troca.
Não cabe nas cabeças, nem nos corações destes homens grandes, serem generosos sem porquê… só porque sim.
Foram treinados para viver neste mundo, como sendo o centro do mundo, só para lucrar. Receber.
Só conhecem esta única realidade.
Um materialismo confrangedor.
É assim o testemunho que passam a seus filhos, aos netos ... que não têm qualquer referência para a mudança.
E ainda são capazes de se dizerem crentes em Deus …mas fazem deste plano terráqueo, a única realidade.
Concluímos desta análise do Homem grande, que afinal ele teve o que semeara.
Os semelhantes se atraem.
O abandono que sofreu por parte da princesa magalona que o usou, tal como ele fizera a ela, a quem até ajudara a destruir a sua família. Só põe graça e brincadeira.

Por outro lado, esquecemos facilmente que quando morremos, não se levam as casas que nos deram (…), os carros, os títulos, a importância social, mas o que somos no nosso mais íntimo e no silêncio, que ninguém senão nós mesmos e Deus conhecem.

Era bom que os homens grandes fossem também grandes homens de estatura moral e sempre iguais a si mesmos, como modelos de grandeza e real bondade generosa!
Isso afinal, é só para palermas, no entender do homem grande….

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Cigano Triste


Embora o assunto das participações anteriores ainda não esteja completo, hoje interrompo, depois de ter vivido o episódioa real de um amigo que partiu e que ficou lá no cemitério debaixo da terra
E a propósito, na Missa de corpo presente, o Senhor Padre referiu quer normalmente julgamos o morto e dizemos : era uma boa opessoa ou...não era...pensam isso.
Mas de facto , aquela situação devia servir para nos pormos em causa e nos julgarmos tb a nós e nos preparamos para a grande viagem
Os Pensamentos, palavras e actos ficarão registados no grande filme em que nada escapa e que se apresenta naquele momento de partida.
Mas bem, hoje conto um episódio que me aconteceu que também nos faz pensar..
Aí fica com a estima de sempre pelos meus amigos que me lêem ou seguem
...

O Cigano Triste

Há muitos meses que o vejo sempre só e triste.
Passa devagarinho. Atravessa a rua. Sobe a encosta e…entra no cemitério. Fica aí bastante tempo. Depois todo vestido de negro, barba longa e chapéu de abas largas, volta para trás e segue sempre o mesmo caminho.
Hoje, vi-o sentado sozinho, triste, no banco da rua.
Fui sentar me do seu lado e comecei a conversar com ele.
- Há sete meses que a sua Glória partira.
Estavam na cama e pelas quatro da manhã, ela fora à casa de banho. De manhã, já tinha partido.
Era boa demais. Só pensava nos outros, mais do que nela – continuava contando-me, com as lágrimas correndo, o meu novo amigo Senhor António.
Disse-me que tinha dois filhos e um neto, mas que raramente os via.
A filha estava na Figueira e o filho “vivia aí com uma rapariga”...
Pareceu me muito isolado e por isso a única coisa que enchia o seu coração era aquela saudade e recordação que animava todos os dias, na sua visita fiel e sempre à mesma hora.
Com cinquenta anos , de barba longa e um pouca branca, estava sem propósito para viver, mais do que fosse recordar. A sua Glória partira com quarenta e sete anos…
Perguntei-lhe se ele acreditava que nós não morremos, apenas mudamos de roupa, como o actor.

Um dia, ele vai encontrar a sua Glória, formosa, feliz e ainda mais bela e acolhedora…
Disse-me que sim com convicção, embora triste.
Estivemos por ali um bocado.

As pessoas passavam e olhavam para nós, porque todos viam o homem do fato preto m, na sua dor, passar todas as tardes à mesma hora, mas nunca ninguém falara com ele, nem da sua dor…
Tudo isto me fez sentir muito leve , como se voasse.
Depois fiquei a pensar, como o amor vive nos corações dos humanos e como há homens que estimam tão mal suas esposas e como este senhor ainda depois de morta, continua fiel a um amor que vivera com verdade e intensamente, acredito.


Que beleza o amor no coração humano!
Como eu daria a vida por um amor intenso e verdadeiro como este…
E como este senhor me fez também gostar da sua Glória.


No final, várias vezes, cheio de emoção, agradeceu-me pela minha companhia e pelas minhas palavras, como se quem tivesse ficado a ganhar não fosse eu própria, cheia de compaixão, por poder escutar um irmão isolado e triste cheio de mágoa e saudade.
Um coração amante e fiel enternece vivamente quem o escuta com atenção.
Quando cheguei a casa, ainda a sua imagem me acompanhava.
Foram os meus gatos que me acolheram com amor e me esperavam com a alegria de sempre, também eles fiéis e cheios de amor para trocarmos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Alegria da partilha e da sintonia


Um comentario de alguém q mt amo e cruzei um dia no meu caminho...

Querida Lucinda

Obrigada por este artigo.


Li-o e , adorei as passagens das diferentes fases do desencarnar.
Este é um tópico que me fascina realmente.

Vai mandando e continua com a tua missão de ajudar os outros. Tu és formidável.
Um beijinho e até sempre
Ana Júlia Sança

Consulate General of Portugal in Toront

A Dama dos Véus e da Foice ..cada vez mais bela


Conforme prometemos, cá estamos com mais um avanço na nossa pesquisa sobre este tema, que nos diz respeito a todos sem excepção...


A Dama dos Véus e da Foice


(ART.º 5/6)



“Todo o homem que aceitou a morte é dono dos acontecimentos”Monier
“Na vida, as coisas passam, nós ficamos. Na morte, elas ficam nós passamos.”Grantland Rice



Vimos como a Bíblia, nos apresenta a continuação desta vida na Terra.
Veremos agora, como depois de um filósofo do séc.V a.C, já nos falara desse mesmo facto, o Livro Tibetanos dos Mortos também aborda o mesmo assunto.
Ainda para Platão, o nascimento, sono e esquecimento, é a entrada do espírito vindo de esferas elevadas, divinas, de uma grande consciência para uma menor consciência. Desperta e acorda no momento da morte, em que as coisas são reconhecidas prontamente e com uma grande lucidez!
Platão diz ainda outra coisa que me fascina.
A linguagem humana é inadequada para exprimir as realidades da “outra margem”…As palavras ocultam em vez de revelarem a natureza interior das coisas.
Recordo também Saint Exupéry quando diz : “O essencial é invisível. Apenas podemos ver o essencial com os olhos do coração”.
……………………………………………………………………………………………………….
O Livro Tibetano dos Mortos remonta aos confins dos séculos e no Tibete pré-histórico, é compilado por sábios, baseados na oralidade.
No séc.VIII d.C. surge então aparentemente escrito, para imediatamente ser escondido e tido como um dos maiores segredos!
Lido nos momentos finais da vida, este Livro servia para ajudar a pessoa a bem morrer e instruir os familiares a deixarem partir em paz sem pesar nem amor egoísta, o morto que assim livre de preocupações, podia seguir o seu novo destino maravilhoso…
O Livro Tibetanos dos Mortos apresenta vários estágios percorridos pela alma, após a morte.
Após o abandono do corpo, a consciência ouve sons e barulhos envoltos numa iluminação cinzenta e nebulosa.
Surpreendida, não percebe e fica confuso. Ouve e vê os familiares preparando o funeral. Quer comunicar, mas ninguém o consegue ver ou ouvir!
Quando percebe que está morto, pensa para onde deve ir e…deprime. Durante algum tempo, fica perto dos familiares. Observa que ainda está num corpo brilhante, mas agora com possibilidades incríveis!
Viaja instantaneamente. Atravessa rochas, paredes e montanhas. Percepção e pensamento são menos limitados. A mente é muito lúcida. Os sentidos apurados. Perfeitos e próximos da natureza divina. Todas as suas limitações sentidas na vida física desapareceram. Agora é ágil. Seu corpo adquiriu poderes alargados. Cruza seres em situação semelhante e encontra a Luz clara e pura.
Ora é justamente aqui que o Livro ajuda e aconselha a pessoa que parte, a sentir apenas compaixão e amor pelos outros…
Como num espelho, todas as suas acções sem possibilidade de fraude, aí são reflectidas para que ele próprio e os seres que vão julgá-lo possam ver nitidamente…
Mais perto de nós, entre 1688 e 1772, nascido em Estocolmo, Emanuel Swedenborg, notável nos campos da Anatomia, Fisiologia e Psicologia, fala-nos da sua comunicação com entidades espirituais do Além.
Fala-nos da vida depois da morte e das experiências que viveu fora do corpo.
Relata como os sentidos físicos cessam, mas como o pensamento, a memória, as sensações, as percepções ficam mais aguçados, não havendo ainda as dificuldades do tempo e do espaço.
Refere ainda a sua comunicação com os anjos, como uma espécie de transferência directa de pensamento de grande nitidez, mas que ninguém senão esse espírito, pode ouvir.
Diz que a sua vida passada, desde a infância até à velhice - o que pensou, disse ou fez - é-lhe mostrada em pormenor, sem possibilidade de ocultar seja o que for.
A memória interior é viva e é visto tudo numa luz tão clara como o dia!
“Não há nada que esteja escondido no mundo que não seja manifestado depois da morte”
Como todos os que viveram experiências de quase morte, refere que após a passagem para “a outra margem”, se encontram os espíritos de amigos e familiares que conhecemos e nos reconhecem, prestando serviço de encaminhamento e esclarecimento para o Além.
A Luz de verdade e compreensão é referida, a Luz do Senhor que permeia o Além.
“Uma luz de brilho inefável que ele próprio viu!”
………………………………………………………………………………………………………..
Bom e mais coisas que ficarão para a próxima, como conclusão do nosso trabalho.
Até lá, boa leitura para todos os nossos amigos
E...vale a pena reflectir, porque a morte, todos a temos certa.
Aquele abraço de sempre
linmare@edicomail.net
Blog: http://lucinda-umaponteparaoinfinito.blogspot.com



domingo, 11 de julho de 2010

A Dama dos Véus e da Foice


Ainda não se foi embora a nossa amiga , Dama dos Véus e da Foice...
Para quem segue esta temática que iniciei há dias aqui vai.



A DAMA DOS VÉUS E DA FOICE


(art.4/6)

“Não basta ter sido bom quando se deixa o mundo. È preciso deixar o mundo melhor” Bertold Brecht
“Morrer é mudar de corpo , como os actores mudam de roupa.”Autor desconhecido


Se a busca do Conhecimento e da auto-realização são eternas, embora em planos diferentes. É bom aproveitar o tempo e começar já.
Transformados, apaixonados e gratos pela vida, sabendo que depois desta missão terrena, uma vida maravilhosa nos espera de acordo com o grau do que se evolui aqui, é bom preparar as coisas o melhor possível.
Lembro-me da Irmã Paula Maria com mais de cem anos, uma religiosa do meu colégio, que nos contava uma história de um ricaço que chegou ao outro plano depois da morte, e surpreendeu-se ao ver o seu jardineiro num palácio e ele numa palhota.
Então compreendera que o humilde jardineiro fora paciente, atento e honesto no seu trabalho. Por isso mandara muitas pedrinhas para cima para fazer a sua “casa”. Enquanto o reclamante, orgulhoso, autoritário, avarento, ao contrário, só pensava em si e na ganância de mais e mais e por isso não enviara qualquer material para a construção da nova “morada”.
Daí a diferença do “conforto” ou “desconforto”, na eternidade.
Mas voltando à minha busca sobre esta temática da Morte, que a muitos assusta e outros evitam por medo, como me aconteceu a mim durante anos, para quem estiver interessado, partilharei a minha caminhada que é simples e que neste espaço terá que ser resumida.
Primeiro agradeço Deus pela Fé, que é um dom.
Depois digo-lhes que começaríamos por analisar o paralelismo impressionante entre acontecimentos relatados na literatura e em obras ancestrais de diversas culturas, eras e civilizações.
Começaríamos por algumas passagens da Bíblia, como o Livro mais lido e discutido acerca do aspecto espiritual do homem e da vida.
E vemos como no Antigo Testamento, se fala da vida e da morte, sem deixar qualquer dúvida.
“Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque (…) a terra lançará de si os mortos”.( Isaías 26,19)
“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o desprezo eternos.”(Daniel 12, 2)
Ora aqui vemos como o corpo físico ressuscitará, após um longo sono. Também se compara a tal passagem escura que todos os casos de quase -morte identificam, como o tal ”vale da sombra da morte”.
Já no Novo Testamento, Jesus diz “Eu sou a Luz do mundo”…
E o testemunho se Paulo de Tarso também fala de Luz…
“Ao meio dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do Sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que vinham comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: ” Saulo, Saulo por que me persegues? Como te deve custar tropeçar nesses espinhos.
E eu disse: Quem és, Senhor?
E Ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues, mas levanta-te e põe-te sobre os teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda.
Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial…
E dizendo eles isto em sua defesa, proclamou Festo em alta voz:
Estás louco, Paulo. As muitas letras te fazem delirar.
Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo; antes digo palavras de verdade e de um são juízo.” (Actos 26,13-26.)
Notemos três coisas:
- Semelhança no encontro com o tal Ser de Luz, que as pessoas que experimentam quase morte, relatam;
- Paulo é desacreditado e ridicularizado, como o são muitas pessoas, que contam as suas visões de quase morte.
- Como esse encontro é transformador. Muda a vida das pessoas, tal como aconteceu a Paulo, inflamado pelo amor ao próximo.
Pode ainda surgir a curiosidade de saber que tipos de corpo terão os mortos?
Na Epistola I aos Coríntios, 15 , 35 -52 poderemos compreender melhor…
´”Como ressuscitarão os mortos? E com que corpos virão?
-Insensato (…) quando semeias, não semeias o corpo que há-de nascer, mas o simples grão (…) mas Deus dá-lhe o corpo como quer a cada semente o seu próprio corpo (…) E há corpos celestes e corpos terrestres (…) Assim também a ressurreição de entre os mortos. O corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível; é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso semeado na fraqueza, mas ressuscita cheio de força; semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual (…) Vou revelar-vos um mistério: na verdade, nem todos morreremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.”
Notamos então a natureza imaterial do corpo espiritual, belo, perfeito, forte, sem qualquer limitação.
E se não quisermos apenas ficar no reino das descrições Bíblicas , podemos para os mais cépticos, apresentar a postura de Platão, um dos maiores pensadores de todos os tempos e que viveu em Atenas entre 428 a 348 a.C.
Platão acreditava sem reservas, na lógica, no uso da razão e à argumentação para chegar à verdade e á sabedoria.
Juntava a esta atitude um certo carácter visionário e rematava dizendo, que a verdade final só pode ser alcançada, na experiencia quase mística de iluminação e descoberta, com acesso a planos mais elevados da realidade. Aliás, Platão via o corpo físico como veículo temporário da alma e interessava-se pelo destino final desta.
O destino após a morte física do corpo, aparece nos seus diferentes Diálogos – Fédon, Górgias e A República.
Platão aborda o conceito de tempo e de eternidade e conclui que aquilo a que chamamos tempo, é apenas “ um reflexo fugidio e irreal da eternidade”.
Mais, Platão fala da possibilidade que a alma tem de conversar com outros espíritos.
Diz que algumas pessoas esperam ser levadas no momento da morte, num barco através de uma massa de água até “ à outra margem”.
………………………………………………………………………………………………………………Continuaremos no próximo número, ainda com a postura de Platão perante a passagem dos humanos por este Planeta.
Aquele abraço de sempre, a todos os leitores
linmare@edicomail.net